Capítulo 7: Apenas uma ferramenta
Lu Xingzhi mantinha o semblante frio, o olhar fixo no rosto cativante à sua frente, sem reagir aos sons que vinham do lado de fora.
Yu Yan hesitou por um breve instante enquanto segurava a mão dele, mas logo, com naturalidade, usou dois dedos para pressionar o indicador de Lu Xingzhi, acariciando lentamente a marca com a ponta dos dedos.
— Naquela época, eu só tinha conversado um pouco mais com um colega, e você me jogou no carro com tanta agressividade, queimando-me com a ponta de um cigarro...
Ela esticou levemente a ponta da língua, lambendo os lábios que formavam um biquinho, em uma expressão que era, ao mesmo tempo, inocente e sedutora.
— Dói tanto.
Do lado de fora da porta, Sang Min perguntou novamente:
— Irmão Xingzhi, você está aí dentro?
Ao ver que Lu Xingzhi continuava como se não tivesse ouvido, Yu Yan tocou o peito dele com o dedo:
— Sua noiva está chamando por você!
Passaram-se mais dois segundos antes que o homem desse uma leve tosse e respondesse:
— Só mais um momento.
A voz de Sang Min soou muito dócil:
— Então vou esperar por você lá fora.
Ao ouvir a troca de palavras, Yu Yan cobriu a boca e soltou uma risada contida. O pomo de Adão de Lu Xingzhi moveu-se, e seus dedos continuaram a subir. Yu Yan conhecia bem demais aquele gesto e o que ele significava nos olhos dele. Ela ergueu os braços, enlaçando o pescoço de Lu Xingzhi, e, na ponta dos pés, aproximou os lábios do ouvido do homem.
Sua voz era quase um sussurro:
— Você já esteve com ela?
Ao fazer essa pergunta, Yu Yan reprimia um amargor profundo. Ela sabia que Lu Xingzhi estava sempre cercado de mulheres, mas ainda nutria a fantasia de ocupar, ao menos, um pequeno espaço em seu coração.
De repente, o homem colou o corpo ao dela, sem deixar qualquer espaço entre os dois. Yu Yan não pôde evitar um estremecimento ao ouvir, junto ao ouvido, uma voz rouca e magnética:
— Sabe qual a diferença entre você e ela? ...Você só serve para ser um instrumento de satisfação sexual.
Em um instante, seu corpo inteiro enrijeceu, como se estivesse paralisado. Após dizer isso, Lu Xingzhi levantou-se, vestiu-se com total naturalidade e caminhou em direção ao vestiário ao lado.
Yu Yan nem se lembrava de como saiu dali; ao descer a escadaria, distraída, acabou torcendo o pé. Ela saltava em um pé só em direção à estrada para tentar um táxi quando Sang Min se aproximou. Após olhar para o pé dela, Sang Min disse a Lu Xingzhi:
— Irmão Xingzhi, vamos dar uma carona à irmã? É difícil conseguir um táxi por aqui.
Dito isso, ela mesma abriu a porta do banco traseiro:
— Irmã, pode entrar.
Yu Yan entrou em silêncio, com o olhar perdido na paisagem que passava apressada pela janela. Lu Xingzhi dirigia, e Sang Min, no banco do carona, perguntou-lhe:
— Pode me acompanhar para provar um vestido mais tarde?
O homem virou o rosto para ela, respondeu com um leve "hum" e um olhar repleto de ternura. Sang Min, radiante, não parava de falar:
— Hoje te acompanhei no tênis, não sei se emagreci alguma coisa, não vá rir de mim depois, hein!
Como se achasse a cena adorável, Lu Xingzhi riu levemente e respondeu:
— De jeito nenhum, você fica linda com qualquer coisa.
Sang Min fez um som como se estivesse fazendo um mimo e, lembrando-se de algo, virou-se para Yu Yan:
— Irmã, na semana que vem é minha festa de aniversário, você também precisa vir!
Essas palavras explodiram pesadamente na mente de Yu Yan. Ela era um ano mais velha que Sang Min, e ambas faziam aniversário no mesmo dia. No entanto, desde que era criança, ninguém jamais havia celebrado o seu.
Por uma cruel coincidência, no dia em que Yu Yan completou vinte anos, Lu Xingzhi a levou para conhecer seus amigos. Naqueles dias, ele a tratara muito bem, servindo-lhe comida e, durante a intimidade, dando-lhe vinho diretamente de sua boca. O que mais surpreendeu Yu Yan foi o convite para ficar e passar a noite.
Mas, enquanto dormia em um estado de torpor, foi despertada por um balde de água gelada que Lu Xingzhi despejou sobre sua cabeça, deixando-a completamente encharcada e gelada. Sem saber o que tinha feito para irritá-lo, ela foi simplesmente expulsa.
Naquela noite, sob uma chuva torrencial e já tarde da madrugada, sem conseguir um táxi, ela ficou sentada nos degraus da entrada, suportando o resto da noite. Consumida por lembranças dolorosas, ela nem sequer ouviu quando Sang Min a chamou várias vezes.