Capítulo 16: Sem Ousar Sonhar
Ela realmente não deveria ter mostrado seu lado ganancioso diante de Lucas Cheng tão jovem. Isso deu uma enorme brecha para ele! Sempre usando dinheiro para ameaçá-la. Se não fosse pelo tanto que ele lhe dava, ela realmente não teria vontade de continuar!
— Ainda quer dinheiro ou não? — Lucas Cheng se encostou no ombro de Lina Zian, levantando o celular. A tela iluminada mostrava a interface de transferência bancária, com o valor inserido em seis dígitos.
Lina Zian imediatamente mudou de expressão.
— Senhor Lucas, vou me sentar direito para o senhor se apoiar melhor — disse ela, com um sorriso bajulador, endireitando o corpo para encontrar a posição mais confortável para ele.
— Não se mexa — ele ordenou, segurando seu ombro, a voz rouca de um jeito estranho. A temperatura na palma da mão dele queimava assustadoramente.
Lina inclinou levemente a cabeça:
— Senhor Lucas, quer água? — sua preocupação se fazia notar, ouvindo a voz já rouca dele.
Afinal, ele acabara de transferir quinhentos mil para ela. Se ele adoecesse seriamente, com quem ela iria aproveitar?
— Não quero — respondeu ele.
Assim que falou, Lina já colocou a garrafa de água destampada próxima à boca dele. Lucas levantou preguiçosamente a pálpebra superior.
— Secretária Lina, você está cada vez mais independente — comentou ele.
Lina riu baixinho:
— É uma honra servir ao senhor.
Lucas baixou os olhos, fitando a água tão perto, com um olhar profundo. Por fim, abriu a boca e mordeu a borda da garrafa.
Ele bebeu, Lina fechou a tampa e desviou o olhar para a janela, observando as poucas pessoas caminhando em grupos pela rua, uma expressão de desejo apareceu em seus olhos.
Ela pensou em seus pais e amigos em seu mundo original. Não sabia como eles estavam desde que ela se meteu em problemas. Se o tempo dos dois mundos fosse o mesmo, seus pais já deveriam estar bem idosos e seus amigos provavelmente já eram pais e mães.
Desde que chegara aqui, seu universo se resumia à família Cheng e a Lucas. Mesmo vivendo há vinte e seis anos nesse lugar, ela nunca se encaixou completamente.
Se tivesse oportunidade, queria voltar ao seu mundo, mesmo que ali sua condição financeira fosse apenas mediana, tinha pai, mãe e amigos. Sua vida era ocupada, mas plena e feliz.
Ao voltar para a casa da família Cheng, o médico já esperava na sala. A senhora Cheng, vendo o filho com o rosto vermelho de febre, apressou-se a pedir que Lina o ajudasse a subir as escadas. O médico entrou junto no elevador.
***
Quando os três saíram, a senhora Cheng finalmente percebeu a presença de Wen Tang.
Ela sabia, em parte, da loucura do filho em buscar substitutas. A jovem abaixava a cabeça, parecendo frágil, muito parecida com a primeira vez que conhecera Xia Yuruo, embora as duas transmitissem sensações completamente distintas.
— O Lucas fica bastante incomodado com as injeções, você pode esperar um pouco aqui — disse a senhora Cheng, chamando um empregado — Quer suco? — perguntou a Wen Tang.
Ela entrelaçava os dedos, hesitando antes de responder:
— Pode, obrigada.
Era a primeira vez que visitava a casa dos Cheng, e não esperava vir assim.
— Já que você é namorada do Lucas, trate este lugar como sua casa, fique à vontade — a senhora Cheng sorriu amigavelmente.
Wen Tang, ao notar a expressão da senhora, ficou um pouco surpresa. A senhora Cheng não se parecia em nada com a imagem que ela tinha de uma esposa da alta sociedade. Pensava que todas fossem orgulhosas e distantes. Na ida, estava ansiosa, pois Lucas já não gostava dela, e se a família também não a aceitasse, ela não teria razão para permanecer ao lado dele.
— Obrigada, senhora Cheng — disse Wen Tang, dando passos curtos até o sofá, sentando-se ereta e visivelmente nervosa.
A senhora Cheng riu:
— Já que é namorada do Lucas, pode me chamar de tia, não precisa ser tão formal.
— O-oi, tia — respondeu Wen Tang, quase inaudível.
***
— Não se aproxime! — Lucas franziu a testa, fitando o médico com olhos firmes. Sua voz era alta, mas sem força.
— Não vou tomar injeção, só quero que me dê remédio — insistiu.
— Senhor Lucas, você está com febre alta, precisa da injeção. Só remédio não vai ajudar — disse o médico com seriedade, segurando a seringa, com a expressão de quem quer o melhor para ele.
— Se você ousar me aplicar essa injeção, pode esquecer de voltar aqui! — ameaçou Lucas, franzindo as sobrancelhas.
Lina interveio:
— Doutor Pan, não ouça ele, aplique logo. Ele vai viajar em dois dias.
Lucas fez uma careta:
— Lina, nesta casa quem manda é você ou eu?
— Senhor, às vezes é preciso me ouvir — respondeu a secretária.
— Eu não vou tomar.
— Tome logo.
O doutor Pan ficou ao lado da cama, esperando os dois terminarem a discussão.
***
Parecia estar acostumado com essa cena.
Depois de meia hora de luta, terminou com Lina segurando os ombros e as pernas de Lucas para que ele parasse de se debater. No momento em que a agulha perfurou a pele, ele soltou um “ah”, quase rouco.
Felizmente, o quarto era bem isolado, ninguém além dos três ouviu.
Com seriedade, o doutor Pan fixou a agulha nas costas da mão de Lucas, ignorando o olhar raivoso dele.
Quando terminou, disse:
— Senhorita Lina, avise-me quando precisar trocar o curativo — e saiu rapidamente.
— Senhor Lucas, vou chamar a senhorita Wen para subir — disse Lina, como se tivesse acabado de se lembrar dela, assentindo com seriedade.
Enquanto falava, tentou puxar a mão para trás, mas de repente sentiu um aperto forte no pulso. Ela escorregou e caiu sobre a cama, batendo a cabeça na barriga de Lucas, que soltou um gemido abafado, parecendo sentir dor.
Lina ficou em choque, tentando se apoiar com a mão livre, mas percebeu que o cobertor estava preso. Seus olhos se arregalaram enquanto girava o pescoço para olhar onde sua mão direita estava segurando.
Ela!
— Então é isso? Você realmente quer subir na minha cama como eles dizem? — Lucas arqueou a sobrancelha, sua voz rouca soando extremamente sedutora para Lina.
Ela devia estar louca!
— Se for para subir na cama, ao menos espere eu baixar a febre, secretária Lina — ele continuou.
Lina rapidamente retirou a mão, mas acabou caindo novamente sobre a barriga dele.
Mesmo sendo ousada, ela não aguentou dessa vez.
Hoje, certamente, ela não consultou o horóscopo antes de sair!
— Senhor Lucas, juro por Deus que não tenho nenhuma dessas intenções que dizem por aí, pode relaxar — ela levantou a mão direita, fazendo juramento.
Não pergunte por que não usou a esquerda, pois estava sendo segurada pelo chefe sem escrúpulos.
— É mesmo? — a voz fria e profunda veio de cima, fazendo Lina arrepiar. Qual frase teria irritado esse sujeito?
Será que, por não querer subir na cama, ela desafiou seu charme de executivo poderoso?
— Senhor Lucas, você é bonito, rico e inteligente. Eu sei muito bem que, em todas as tentativas de se aproximarem de você, eu não passo de noventa e nove por cento na sua lista. Nunca me atreveria a desejar algo que não posso alcançar.