Capítulo 6: Dona Zhang
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— O Pequeno Fu voltou? — Vovó Jian ficou muito feliz ao ver Fu Lingsheng, quase se levantando para recebê-lo.
Jian Xi revirou os olhos, claramente insatisfeita.
Fu Lingsheng não era digno de tanto carinho da vovó.
— Vovó, eu voltei — disse Fu Lingsheng apressado, entrando na sala e sentando-se ao lado de Jian Xi. — Querida.
Sua voz era suave e delicada, o que fez Jian Xi sentir arrepios.
Não precisava fazer essa encenação na frente da vovó.
Jian Xi abriu ligeiramente os lábios, mas não pronunciou nada; ainda assim, Fu Lingsheng percebeu.
Ele não se importou e segurou sua mão.
Virando-se para a senhora Zhang que estava parada, sua voz tornou-se fria:
— Senhora Zhang, você ainda não vai embora?
A senhora Zhang ajoelhou-se apressadamente:
— Jovem mestre, não pode me mandar embora!
Sua face enrugada ficou ainda mais marcada pela angústia:
— Eu servi a família Fu como uma escrava toda a vida, não pode me expulsar!
A senhora Zhang conhecia bem Fu Lingsheng e sabia que ele não ousaria maltratar os idosos que o acompanhavam, por isso se atreveu a falar assim.
Mas a reação de Fu Lingsheng a surpreendeu.
Ele estava sentado ereto de um lado, cruzando as pernas longas, com a ponta do sapato muito perto dela, como se um chute o fizesse cair.
— Você me conhece bem — disse Fu Lingsheng com um olhar gélido — sabe que não maltrato os idosos. Mas sabe o que eu mais detesto?
Num instante, a sala ficou em silêncio, apenas sua voz cortante ecoava, emanando uma aura de autoridade.
Assustada, a senhora Zhang engatinhou para frente e agarrou a ponta do sapato dele:
— Errei, jovem mestre, agora vou preparar a sopa de galinha para a jovem senhora e para a vovó Jian.
Depois de implorar, levantou-se rapidamente e correu para a cozinha.
Ao dar dois passos, Fu Lingsheng a chamou:
— Já está tarde!
Ao chegar, ele viu a senhora Zhang se aproveitando e agindo com arrogância, e quase sentiu vontade de matá-la.
Essa velha malvada estava em sua casa, causando confusão e prejudicando a vovó Jian.
Desta vez, de jeito nenhum ele a faria passar barato.
Um ar opressivo o envolveu; ele tirou o paletó do terno e o pendurou de qualquer jeito ao lado, puxou a gravata e só então sentiu-se mais confortável.
— Jovem mestre, errei! — a senhora Zhang virou-se e ficou de mãos abaixadas diante dele.
Pouco antes, ela apertara o botão de emergência.
Agora, bastava ganhar tempo até a chegada da senhorita Xue; assim, conseguiria permanecer no Lago de Pin.
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Pensando nisso, a senhora Zhang se desculpou com mais sinceridade:
— Jovem mestre, por favor, me dê uma chance para me redimir!
Fu Lingsheng entreabriu os lábios, mas permaneceu em silêncio, seus olhos sombrios presos nela.
Vendo que havia esperança, a senhora Zhang continuou:
— A jovem senhora e a vovó Jian ainda não provaram a minha sopa de galinha! Por favor, jovem mestre, me dê essa oportunidade.
Fu Lingsheng soltou um “oh”, seu olhar pousando no uniforme da empregada, já todo amassado pelas mãos dela.
Após um momento, ele assentiu:
— Está bem.
A senhora Zhang aceitou a ordem e, antes de sair, lançou um olhar satisfeito para Jian Xi.
Fu Lingsheng entrelaçou os dedos, batendo levemente uma mão na outra, abaixando a cabeça enquanto arquitetava seus planos.
Ele observava todos os pequenos gestos da senhora Zhang, curioso para saber como uma simples empregada tinha tanta ousadia.
Quem estaria por trás dela, que conseguiu subornar uma funcionária da família Fu por décadas?
Vendo a arrogância da senhora Zhang, sabia que não era a primeira vez que isso acontecia.
Depois que ela saiu, Fu Lingsheng virou-se para a porta e falou alto:
— Pode entrar.
Jian Xi e os outros olharam para a origem da voz e viram o assistente Lin entrando, carregando uma caixa de presente.
— Jovem senhora, vovó Jian, isso foi comprado especialmente por ordem do senhor, são os doces favoritos da jovem senhora da confeitaria Xiangyuan — disse o assistente Lin, abrindo a caixa onde estavam variados docinhos delicados e apetitosos.
— Querida, gostou? — Fu Lingsheng não esperou pela resposta de Jian Xi, pegou a caixa e colocou à sua frente.
Jian Xi franziu a testa e mexeu o nariz; queria pedir para ele parar, mas lembrou-se da vovó ao lado.
— Gosto — ela disse, para não desrespeitar a senhora idosa.
Fu Lingsheng colocou os doces na mesa e deu um sinal para o assistente Lin.
O assistente, percebendo que ele olhava para a vovó Jian, selecionou especialmente uma opção adequada para idosos e ofereceu sorrindo:
— Vovó Jian, esse doce tem pouco óleo e açúcar, é perfeito para pessoas da sua idade!
— Ah, muito bom — respondeu a vovó Jian sorridente, aceitando.
— Vá verificar os preparativos do quarto da vovó — Fu Lingsheng sussurrou, dispensando Lin, e pegou um dos sabores preferidos para Jian Xi.
— Querida, coma — disse ele com voz baixa e gentil.
Jian Xi mexeu as orelhas, ainda não acostumada com aquele jeito dele.
Mas logo se recompôs e aceitou o doce; ele fazia isso pela vovó, e ela também.
Mordiscou um pedaço do doce.
Vovó Jian, vendo que eles se davam bem, quis se retirar:
— Está frio aqui na sala, vou subir para dar uma olhada.
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Por coincidência, o assistente Lin desceu as escadas:
— Vovó, vou ajudá-la.
Os empregados também saíram da sala, ficando apenas os dois ali.
— Venha comigo, preciso falar com você — disse Jian Xi, colocando o doce de lado, pois só dera uma mordida.
Fu Lingsheng observou o gesto dela e guardou aquilo na memória.
— Tudo bem.
O olhar ardente de Jian Xi pousou no rosto de Fu Lingsheng, que desviou o olhar e a seguiu escada acima.
Ela andava apressada, mas com passos leves e graciosos, cada passo tocando fundo seu coração. O som do salto batendo no chão fazia seu coração acelerar.
Claro que o motivo da aceleração era outro: ele não queria ser abandonado!
Pensar no acordo de divórcio trancado no cofre do escritório o deixava com dor de cabeça.
Mas, de qualquer forma, hoje eles não se separariam. Fu Lingsheng sorriu, satisfeito com sua esperteza e coragem naquela manhã.
Quando entraram no quarto, o semblante de Fu Lingsheng já estava calmo.
Ele calçava sapatos de couro, sentando-se firmemente no sofá do quarto, reclinando-se, com uma mão apoiada na cabeça, observando cada movimento de Jian Xi de maneira discreta.
Jian Xi agachou-se e começou a procurar o acordo de divórcio no armário; remexeu por um longo tempo, mas não encontrou nenhum vestígio.
Franzindo a testa, virou-se e percebeu Fu Lingsheng reclinado preguiçosamente no sofá, dormindo.
Sem o acordo, ela pensou em pedir o divórcio verbalmente.
Mas Fu Lingsheng a deixava tão irritada que era difícil.
Jian Xi aproximou-se dele, querendo acordá-lo.
Ela já decidira: hoje falaria sobre o divórcio.
Quando os dedos estavam prestes a tocar o peito dele, viu o ferimento em sua mão.
Deixou pra lá, pensou em adiar.
De repente, lembrou-se da parte da cabeça dele que ela chutara no chão, quando ele caíra.
Recolheu a mão, deu a volta no sofá e foi até atrás para ver o machucado.
O cabelo preto estava manchado de sangue seco, alguns fios grudados uns nos outros.
Jian Xi soltou uma risada contida; afinal, o sempre orgulhoso Fu Lingsheng também tinha seus dias de desgraça!