3. Senhor, o senhor não tem nem mesmo uma carteira de identidade?
— Sim! — Yun Mo continuou a dizer com um tom sereno.
— O que... o que... o que é isso? — Li Hui olhava atônita para os cabelos brancos como a neve de Yun Mo. Não era para ser o "Alvorecer" da juventude? Bonito e elegante?
— Não pode estar falando sério, né? — Su Qingluan sentia como se sua mente fosse explodir. — Senhor, já que o senhor é o Yun Mo, não disse que era da geração dos anos 2000?
— Eu sou da geração dos anos 2000! Não há erro nisso! — Yun Mo respondeu, mantendo a mesma calma.
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Li Hui e Su Qingluan pareciam ter dez mil pontos de interrogação pairando sobre suas cabeças. Um ancião de cabelos brancos insistindo que era da geração dos anos 2000? Era como ouvir alguém dizer que é a pessoa mais bela do mundo quando a realidade aponta o oposto.
— Diga-me, meu velho, o senhor já tem idade suficiente, não deveria falar asneiras de olhos abertos. Como pode ser da geração dos anos 2000? — Li Hui questionou, furiosa.
Yun Mo permaneceu em silêncio. Ele era, de fato, da geração dos anos 2000; não estava mentindo.
— Isso é o típico golpe da internet, não é? — Li Hui levantou-se e tirou o celular. — Vou chamar a polícia agora mesmo! Minha filha te transferiu dinheiro, e não foi pouco. Pode esperar!
— Mãe, não se precipite! Talvez seja um mal-entendido — Su Qingluan tentou intervir.
— Mal-entendido? Eu não estou cega. Um velho insistindo que é da geração dos anos 2000? Se isso não é um golpista, o que é? — Li Hui não se deixou levar e continuou discando para a polícia.
Logo, a ligação foi atendida.
— Alô, minha filha foi vítima de um golpe virtual. O sujeito é um velho que diz ser da geração dos anos 2000! — disse Li Hui, lançando um olhar gélido para Yun Mo.
Ela não fazia questão de perseguir o ancião por maldade, mas sentia que sua filha não merecia aquilo. Sabia o quanto a filha se dedicava a esse tal de Yun Mo, e o desfecho ser aquele era inaceitável.
Era preciso que o golpista recebesse a punição merecida. Afinal, mentir a idade na internet para enganar alguém emocionalmente pode não ser crime, mas envolver dinheiro mudava tudo. Quem garantia que aquele homem não havia enganado outras moças?
— Um velho que diz ser da geração dos anos 2000? Senhora, o que está acontecendo aí? — O policial do outro lado da linha parecia confuso.
— Sim, é um ancião de cabelos brancos, amigo virtual da minha filha. Enganou-a e agora, ao se encontrarem, tem a audácia de dizer que é da geração dos anos 2000 e que não está mentindo. Ele acha que sou idiota? — insistiu Li Hui.
— Mãe, mantenha a calma. Se ele fosse um golpista, por que marcaria um encontro onde sua idade seria revelada? — ponderou Su Qingluan. Se fosse um vigarista profissional, continuaria aplicando o golpe pela internet, sem jamais aceitar um encontro presencial. Ela acreditava que havia um mal-entendido.
— Esse argumento faz sentido. A situação é estranha, mas, de qualquer forma, iremos até aí verificar — disse o policial, anotando o endereço antes de desligar.
— Senhor, se há algum mal-entendido, o senhor pode explicar! — Su Qingluan olhava para o impassível Yun Mo, sentindo-se mais ansiosa que o próprio envolvido.
— Não preciso explicar. Eu sou da geração dos anos 2000! — repetiu Yun Mo.
— ... — Su Qingluan estava prestes a enlouquecer. Ela sabia que ele não parecia um doente mental, mas por que insistir tanto naquela história?
Wuuu... Wuuu...
O som das sirenes logo ecoou diante da cafeteria. Os clientes curiosos se aproximaram para observar a cena, apontando para Yun Mo.
— Que tipo de pessoa é essa? É louco?
— É, né? "Geração dos anos 2000"? Será que ele não amadureceu demais?
— Isso é ser maduro demais, está quase passando do ponto!
*Toc, toc, toc.* Com o som de sapatos de couro, um policial de óculos aproximou-se de Li Hui, que acenava.
— Senhora, quem foi que aplicou o golpe na sua filha?
— Foi ele! — Li Hui apontou para Yun Mo, que permanecia sentado na cabine, imperturbável como uma montanha.
— Meu senhor, eles o acusam de golpe virtual. Tem algo a dizer? — perguntou o policial com polidez; afinal, com um ancião daquela idade, era preciso cautela para não causar um mal-estar.
— Eu sou da geração dos anos 2000. Não vou repetir — disse Yun Mo serenamente.
— ... — O policial sentiu que, além do quepe, havia muitas interrogações em sua cabeça.
— Vocês, por favor, nos acompanhem até a delegacia para esclarecimentos — disse outro policial, alto e magro.
Pouco tempo depois, Yun Mo, Su Qingluan e Li Hui foram levados à delegacia.
— Yun Mo, senhor Yun, certo? Por favor, apresente sua identidade — pediu o agente, agindo com extrema cautela.
— Identidade? — Yun Mo hesitou por um momento. Ele sabia o que era aquilo; de fato, existiam documentos assim na época da República.
Ele buscou em suas vestes e retirou um documento. Os agentes ao redor examinaram o objeto e ficaram atordoados. O documento era dobrável e tinha uma capa azul-clara. Não se parecia em nada com uma carteira de identidade moderna.
Seria algum certificado de reserva militar?