Capítulo Seis

Interpretando a vilã secundária, o protagonista masculino se apaixona profundamente por mim Zhaoming'er 2323 palavras 2026-07-31 03:14:49

O cheiro do beco era desagradável, e a isolação acústica era péssima; da casa ao lado ouviam-se gritos de uma mãe repreendendo um filho, além de uma briga de casal. Lu Xun manteve seu semblante impassível, estacionou a bicicleta em frente à porta de casa e a trancou. Tirou a chave do bolso para abrir a porta; o pequeno quarto à sua frente estava completamente visível, com móveis visivelmente antigos que, por mais limpos que estivessem, não conseguiam esconder o desgaste do tempo.

O celular não parava de tocar, e Lu Xun franziu a testa ao atendê-lo. De repente, a porta foi batida com força, acompanhada por uma voz feminina aguda: “A Xun, sou sua tia, preciso falar com você, abra a porta.” As batidas foram ficando mais intensas. O olhar de aborrecimento de Lu Xun passou rapidamente; ele abriu a porta, sua alta estatura bloqueando a entrada da mulher de meia-idade. Sua voz era fria, porém educada: “Tia, o que deseja?”

“Liguei várias vezes e você não atendeu,” disse a mulher, com uma expressão astuta que não conseguia disfarçar: “Seu primo vai prestar o vestibular no ano que vem, você sabe como o Zhao Kai está indo nos estudos...” Ela continuou com ar justificativo: “Precisa que você dê umas aulas particulares para ele.”

“Estou ocupado,” respondeu Lu Xun, rejeitando diretamente a proposta, pois não tinha simpatia pela tia interesseira. Ao ouvir isso, o rosto da mulher mudou instantaneamente: “Como assim ocupado? Você não tem folga no fim de semana?”

“Vou trabalhar em um bico,” foi a resposta fria de Lu Xun.

“Eu sabia...” A mulher cruzou os braços, perdendo o semblante ameno e caloroso do início: “Olha, tia não é má para você. Que tal isso: você dá aulas para seu primo à tarde nos fins de semana, e eu pago pelo seu trabalho, tudo bem?”

Falava como se estivesse fazendo um grande sacrifício. Lu Xun permaneceu ereto, ficou em silêncio por um momento, nem aceitou nem recusou, o que para a mulher significava um sim. Desdenhoso, ele se virou e saiu.

O fim de semana chegou rapidamente. Jiang Qiao, seguindo o endereço fornecido por 166, encontrou Lu Xun na área de descanso de uma loja de chá de leite, corrigindo provas para alguém. Lu Xun mantinha sua expressão fria habitual, enquanto Zhao Kai, sentado à sua frente, fazia os exercícios com uma expressão impaciente.

[Lu Xun está... dando aulas particulares?] Perguntou alguém, surpreso, pois se falava que ele era solitário e sem amigos.

[É o primo dele.] Respondeu 166.

Isso já era surpreendente, visto que no livro dizia que Lu Xun tinha uma relação ruim com a família da tia. Jiang Qiao não se prendeu a essa questão e, aproximando-se da loja, pediu um chá de frutas suave, sentando-se atrás de Zhao Kai e dando um tapinha em seu ombro: “Com licença, posso sentar aqui?”

Zhao Kai, que estava irritado com as provas, ergueu as sobrancelhas mostrando certa hostilidade, mas ao ver o rosto bonito de Jiang Qiao, reprimiu os palavrões, ficando atônito e gaguejando: “O-okay.”

“Pedi um chá de leite.” Jiang Qiao ergueu o queixo, entregando o comprovante a Zhao Kai com ar de mando: “Você vai esperar e me traz quando estiver pronto.”

Seus olhos permaneceram fixos em Lu Xun, cuja expressão era indiferente. Zhao Kai, mais consciente, entendeu que a moça não estava ali por ele, mas não teve coragem de recusar, lançou um olhar para o primo e foi esperar o chá.

Jiang Qiao puxou a cadeira para perto de Lu Xun e sentou-se, mexendo no caneta preta que ele segurava. Lu Xun hesitou por um instante, então largou a caneta, permitindo que ela a pegasse. Sorrindo com mais intensidade, Jiang Qiao se aproximou, aproximando a respiração da dele.

Lu Xun levantou-se abruptamente, arrastando a cadeira com um barulho estridente no chão, e saiu da loja, seguido por Jiang Qiao. Parando em uma esquina, ele olhou para o rosto impressionantemente belo dela, de cima para baixo, com voz sem emoção: “Já disse que não gosto de você.”

Jiang Qiao franziu as sobrancelhas, mas logo relaxou, desdenhosa: “E daí? Não me importo com quem você gosta.”

“Acho que nunca disse isso...” Lu Xun começou.

Jiang Qiao, com orgulho, declarou: “Lu Xun, eu gosto de você, e você tem que ficar comigo.”

Lu Xun fechou o rosto.

Ela ergueu a cabeça, exibindo toda a postura mimada de uma jovem herdeira: “Não seja ingrato, minha beleza, minha família, quantos me desejam? Eu recuso todos.”

O recado era claro: você saiu ganhando.

Lu Xun apertou firmemente o pulso dela, pressionando-a contra a parede, mantendo uma distância de um corpo entre eles: “Se alguém te quer, vá atrás dela. Sua aparência, sua família poderosa...” Seu olhar gelado era penetrante: “Não me importo.”

Ele soltou o pulso de Jiang Qiao e voltou para dentro da loja para arrumar suas coisas. Zhao Kai, segurando o chá cuidadosamente, olhou para trás quando ele voltou, mas não viu a pessoa que queria. Prestes a perguntar, foi surpreendido pela aura fria de Lu Xun.

O que estava acontecendo? Cadê a moça bonita? E o chá, o que fazer com ele?

Ainda confuso, Zhao Kai viu Lu Xun empurrar a bicicleta para sair e não aguentou: “Ela vai vir nas aulas particulares amanhã?”

Era óbvio a quem ele se referia.

Os olhos de Lu Xun estavam frios como o inverno rigoroso: “Deixei minhas anotações no seu livro. Não haverá mais aulas particulares.”

“O que?!” Zhao Kai ficou alarmado: “Você não tinha prometido para minha mãe, e ainda pediu pagamento pelas aulas!”

Lu Xun não sabia como a tia havia exagerado as coisas e não se importava: “Não prometi nada. Hoje vim só para te dar as anotações. Isso é tudo que posso fazer.”

A frase soava como se quisesse cortar todos os laços. Zhao Kai ficou furioso: “Um caderno velho apaga tudo que você comeu e dormiu na minha casa quando era criança? Não é à toa que minha mãe sempre diz que você é cruel e merece ficar sozinho!”

Lu Xun, prestes a sair, virou-se ao ouvir aquilo, encarando-o com um olhar calmo e distante: “Talvez seja um traço de família.” Pausou e perguntou: “Vocês gastaram bem o dinheiro que meus pais receberam de compensação?”

Parecia uma pergunta casual, mas Zhao Kai ficou chocado e imóvel.

Jiang Qiao, impaciente, balançava os dedos delicados na frente dele, fazendo-o voltar à realidade. Era a “moça do chá” que ele tanto pensava.

“E o Lu Xun?” Jiang Qiao perguntou com irritação.

Zhao Kai hesitou e, após uma rápida troca de expressões, respondeu: “Foi embora...”

Foi embora, outra vez! – pensou Jiang Qiao, reclamando mentalmente. Ela então suavizou o rosto e perguntou a Zhao Kai: “Você é primo do Lu Xun, deve conhecê-lo bem, certo?”

Zhao Kai hesitou entre negar e afirmar, então Jiang Qiao tentou sondar: “Sabe que tipo de garota ele gosta? Ou se ele já falou de alguém para você?”

Zhao Kai respondeu: “Não.”

Que sem graça.

Jiang Qiao, um pouco desapontada por não ter ouvido o nome de Song Qingying, perguntou: “Então... você sabe onde ele mora?”

“Sim.”

Obtendo o endereço de Lu Xun por Zhao Kai, Jiang Qiao teve uma nova ideia.