O jovem reencarnado do Império Celestial nunca encontrará ídolos alheios e sem importância.

Invasão de Fantasia Restrita em Andamento Caranguejo majestoso 5335 palavras 2026-07-31 03:21:35

O jovem pressionou suavemente o topo da caneta esferográfica em suas mãos; após uma batalha de mais de dez minutos, a ponta finalmente recebeu o sinal de retirada e recolheu-se ao corpo da caneta, deixando apenas os elegantes conjuntos de equações sobre a mesa como prova de sua luta.

Virou a folha do cartão de respostas, revelando o título:

“Colégio Internacional Lua Distante, Prova de Início do Semestre da Primavera, Disciplina: Matemática, Duração: 120 minutos”.

Abaixo do título impresso, em preto, estava escrito o nome do candidato:

“Yan Huan”

Era uma tarde embebida pela primavera; a luz do sol se derramava generosamente através da janela do segundo andar do prédio escolar, iluminando o perfil do belo jovem que acabara de terminar sua prova.

Por trás da franja preta ligeiramente ondulada, seus olhos negros miravam o exterior, refletindo a vasta área verde marcada por rastros avermelhados do sol poente — o campo de esportes delineando o trajeto do crepúsculo.

Na pista, jovens em trajes de atletismo corriam em círculos, parecendo incansáveis, como se fossem o lendário Kuafu perseguindo o sol sem jamais se cansar...

No passado, Yan Huan sempre imaginou Kuafu como um jovem forte e vigoroso, pois achava que perseguir o sol, sem temer a fadiga ou a razão, era algo profundamente juvenil.

É algo que só os jovens fazem, e também um privilégio que provoca inveja.

Felizmente, neste mundo paralelo, também havia lendas sobre Kuafu, o que lhe permitia usar tais imagens em suas redações.

Ao redor, os outros colegas permaneciam mergulhados em seus exercícios, enquanto Yan Huan, com leveza, depositava a caneta aquecida pelo toque sobre o tampo da mesa.

Apoiou o queixo com as mãos e trocou um olhar com o professor de matemática calvo, depois desviou, ambos fingindo indiferença.

De novo, esse garoto terminou tudo em vinte minutos...

Zhou Bin, seu crânio reluz novamente...

Pensamentos colidem no vazio, mas nenhum deles sabia o que se passava no íntimo do outro.

“Leiam bem as questões, revisem com atenção.”

Esse era o professor Zhou Bin, do semestre passado, um nome até bem-humorado, que sempre fazia Yan Huan lembrar de refrigerantes japoneses.

Aborrecido, Yan Huan escutava o frenesi das canetas ao redor, enquanto sua mente vagava sem destino.

“Será que minha travessia não está faltando um pouco de... cor fantástica?”

Perdido em devaneios, Yan Huan sentiu-se subitamente frustrado.

Nada de sistemas implantados, criaturas místicas agradecendo à noite, nem estrangeiros famintos proclamando “Você é meu mestre?” no armazém...

Nada disso!

Simplesmente pareceu ter morrido jovem, sucumbido no escritório durante uma hora extra, renascendo como bebê num lugar totalmente desconhecido, possivelmente um mundo paralelo, para começar uma nova vida.

Viveu disciplinadamente por mais de dez anos, até este ano, quando novamente atingiu os quinze anos de juventude!

Na verdade, Yan Huan ainda nutria uma pequena esperança; no aniversário de seis anos, desejou que sua vida pós-travessia tivesse mais encanto.

Bem, depois de morrer uma vez e voltar à vida, já é bastante — para quê querer mais?

Se o “Grande Prisioneiro” pudesse ressuscitar e renascer num mundo fantástico, provavelmente não se importaria com os memes e sátiras da internet...

Yan Huan, satisfeito, pensava assim. Mas, entediado, decidiu seguir o conselho do professor Zhou Bin e revisar a prova.

Pegou o exame e a caneta novamente, fingindo revisar, mas na verdade apenas matando o tempo restante.

Logo, aproximou-se o momento de entregar as provas.

“Faltam vinte e cinco minutos para o fim da prova. Revisem o nome, número de matrícula e o cartão de respostas.”

“Tic... tac... tic... tac...”

Era uma tarde comum, mas no silêncio do salão de provas, o som ritmado do ponteiro parecia alertar os estudantes sobre a urgência do tempo.

Após um segundo, Yan Huan percebeu algo estranho.

Espera — não deveria ser um relógio digital?

Olhou para o quadro acima do palco, onde o cronômetro contava os minutos, mas não emitia som algum.

Nesse instante de dúvida, uma voz feminina, doce como de um pássaro, invadiu seus ouvidos:

“Olá, alunos do salão número um, conseguem me ouvir?”

Yan Huan hesitou, instintivamente querendo olhar para a porta da sala, mas uma voz estridente, como o grito de uma criança, explodiu em sua mente, interrompendo-o:

“Não responda! Não responda! Não responda!”

O quê? Os Trisolaranos chegaram?

Por que nunca vieram no mundo anterior e agora aparecem?

Enquanto cobria os ouvidos, seus olhos captaram de relance um rosto curioso espreitando pela porta aberta da sala.

Sob a elegante franja preta, uma mão alva em forma de megafone junto à boca confirmava que a voz vinha dela.

Era uma jovem de beleza radiante, digna de nota máxima, com um magnetismo que tornava impossível desviar o olhar.

O que mais impressionava eram seus olhos reluzentes sob longas pestanas, cintilando como estrelas, e uma expressão angelical que cativava instantaneamente.

No peito da jaqueta cinza do uniforme, pendia um crachá com seu nome:

“Turma B do primeiro ano, Bai Yi.”

Ainda bem, não eram os Trisolaranos...

“Sua vida está prestes a terminar; a intervenção urgente na linha do mundo será iniciada!”

***

“O plano de correção já começou, mantenha seu comportamento atual e jamais demonstre ter notado o modificador, caso contrário as consequências serão graves.”

“Os detalhes explicarei depois.”

Linha do mundo? Modificador? Vida terminando?

A voz retornou, agora menos estridente, mas os estranhos termos não eram menos impactantes.

Yan Huan seguiu a orientação misteriosa, sem se mexer, apenas acompanhando cautelosamente a garota com o olhar periférico...

O motivo era simples: Yan Huan percebeu, assustado, que Bai Yi parecia parcialmente separada do mundo, semi-transparente.

De relance, a garota de beleza singular adentrou o salão de provas.

Em seguida, sem abaixar a mão, ela voltou a chamar, como um alpinista gritando no topo da montanha, liberando sua energia reprimida.

Yan Huan piscou; mas, exceto ele, ninguém parecia ouvir ou reagir.

“Realmente não podem me ver...”

A jovem riu, ajeitando uma mecha de cabelo atrás da orelha, revelando o lóbulo delicado.

Entrou no salão relaxada, até acenando diante do professor Zhou Bin e dos colegas da primeira fila, observando-os com diversão.

“Hum hum hum~”

Enquanto cantarolava uma canção desconhecida, caminhava pelo palco como uma líder em inspeção.

De repente, franziu a testa e olhou para Zhou Bin com expressão insatisfeita.

Yan Huan não sabia o que ela pretendia, apenas a viu procurar algo na mesa...

Uma caneta marcador.

Segurando-a, avançou maliciosamente para Zhou Bin.

Sob os olhos arregalados de Yan Huan, ela se pôs na ponta dos pés e desenhou um grande X no rosto de Zhou Bin, seguido de rabiscos caóticos...

Mas ninguém, nem Zhou Bin nem os alunos, percebeu a menor anomalia.

O professor olhava o salão, mas jamais via a jovem diante de si, nem sentia que seu rosto estava virando um muro de grafites.

Só Yan Huan testemunhava aquele absurdo.

“Ha! Isso é por você ligar pra minha mãe pra reclamar...”

A voz melodiosa da garota soava como uma pequena diabinha, exalando todo seu orgulho.

Fantasma?

Não...

Eu conheço essa pessoa.

Só agora Yan Huan se deu conta de quem era a garota familiar.

Era Bai Yi, do mesmo ano; não só a via na escola, mas ela era uma celebridade no Colégio Lua Distante.

Artista já contratada por uma famosa agência internacional, conquistara multidões na internet com seu charme juvenil, apelidada de “Esposa aguardada por um milhão de pessoas”.

Já estrelou três filmes, tem várias músicas de sucesso, incontáveis anúncios — até mesmo nos sites de compras Yan Huan via sua imagem.

Embora ainda não fosse uma superestrela, era extremamente famosa entre os alunos.

E agora, a ídola da internet estava grafitando o rosto de Zhou Bin com um marcador?

E eu sou o único que percebe?

Que tipo de trama é essa, digna de um “Porco Adolescente que Não Sonha com a Coelhinha”?

“Oooo...”

O vento aumentou lá fora, agitando as cortinas e a prova sobre a mesa.

A cortina azul e branca ondulante cobria metade do corpo de Bai Yi, mas nem seus cabelos nem a saia se moviam, como uma bela espectro isolada do mundo.

Fantástico, deslumbrante.

Mas no instante em que o vento soprou, Bai Yi pareceu sentir o olhar, girando repentinamente para encarar Yan Huan, cruzando com seu olhar cauteloso.

“Ei?”

Perigo!

Após tanto tempo escondida, parecia que tudo se desfazia!

Yan Huan pensou rápido, mas manteve a expressão serena, olhando na direção dela, o que só deixou Bai Yi mais desconcertada.

Ela olhou para si mesma, para as cortinas que voltaram ao lugar, e por fim, voltou-se diretamente para o jovem à janela.

Ah...

Então é você, presidente do grêmio estudantil.

Bai Yi pressionou os lábios e, sem dizer palavra, caminhou até Yan Huan, acelerando seu coração, mas sem alterar o rosto, girando a caneta entre os dedos.

“Você consegue me ver?”

De perto, o aroma suave da jovem lembrava flores desabrochando ao amanhecer.

Ela inclinou-se, e o cabelo negro roçou a têmpora de Yan Huan, embora ele não sentisse nada.

***

Mas Yan Huan estava cada vez mais certo de que ela era real.

Imóvel, olhava à frente, através do peito dela, como se admirasse uma paisagem.

“......”

Sem resposta, Bai Yi silenciou, então sorriu com um ar diabinho, pegando outra caneta do estojo de Yan Huan.

O incrível aconteceu: a caneta em sua mão tornou-se semi-transparente, como se ela extraísse o espírito da caneta da mesa.

Na mesa, uma caneta; na mão, uma versão semi-transparente — como se duas linhas temporais se cruzassem.

“Seu rosto continua irritante, presidente.”

Ah, eu?

Mas nem nos conhecemos direito, nunca nos vimos fora da escola...

Bai Yi não deu mais explicações, sorrindo friamente, apontando a caneta para Yan Huan, como se fosse grafitar sua face como fez com Zhou Bin.

Os olhos de Yan Huan focaram, enquanto a voz misteriosa ressoava na mente:

“O plano de correção já começou, mantenha o comportamento, jamais demonstre notar o modificador, ou as consequências serão graves!”

Mas, mesmo assim, seu braço se movia um pouco, quase mirando o pulso dela sob a manga.

No momento crítico, a garota emitiu um som claro: “tic... tac... tic... tac...” — idêntico ao do relógio de antes.

Então, outros sons misteriosos vieram de seu corpo:

“Efeito atual: desinteresse.”

“O cronômetro de quinze minutos está acabando, atenção.”

Bai Yi parou abruptamente, ainda segurando a caneta, com expressão de resignação.

Ela olhou para o tempo, como se não quisesse ir embora:

“Tempo esgotado, tão rápido?”

Devolveu a caneta ao lugar, sobrepondo-a à da mesa, como se as linhas temporais se unissem.

Antes de partir, lançou um olhar minucioso ao rosto de Yan Huan, depois virou-se irritada, pronta para sair da sala:

“Temos muito tempo pela frente, Yan Huan... hum.”

“Tic... tac...”

“Tic... tac...”

O som do relógio retornou, como engrenagens ou gotas d'água pesadas.

Yan Huan, ao som ilusório, viu Bai Yi desaparecer rapidamente, até sumir completamente.

Alguns minutos se passaram, e tudo parecia normal.

Mas então, Zhou Bin tremeu no palco, sentindo uma coceira repentina no rosto.

“Ugh!”

Ele cobriu o rosto, emitindo um estalo.

O barulho fez os alunos levantarem os olhos, e todos ficaram perplexos.

“O que estão olhando? Já terminaram a segunda questão? Não querem nota? Vamos...”

“Não... não é isso...” Um aluno corajoso levantou a mão, tremendo, e apontou: “Professor Zhou, seu... seu rosto!”

“Meu rosto?”

Zhou Bin, surpreso, pegou o celular e ativou a câmera frontal.

Logo viu o topo da cabeça, marcado pelo marcador, com uma dupla de cartas JQK, e a inscrição:

“Professor bobo, professor bobo, professor bobo.”

As letras eram caóticas, como o rabisco de uma criança.

A sala ficou em silêncio; Zhou Bin, ruborizado, tremia sem parar.

“Quem foi?!!!”

Um segundo depois, seu grito lastimado ecoou por todo o prédio, provavelmente assustando outros salões.

Só Yan Huan permanecia atônito, sabendo exatamente o que se passara.

E, como Zhou Bin, a têmpora tocada pelo cabelo negro da garota, que antes não sentia nada, agora coçava levemente...

Como se a magia atrasada de minutos finalmente chegasse, narrando a beleza que Bai Yi deixou para trás.

E junto, chegava o desejo que Yan Huan fez aos seis anos...

Aquela pincelada de cor fantástica.