Capítulo 4: O Destino dos Desprezados Não Merece Preocupação

Socorro! Meu Amigo de Infância é o Protagonista Masculino de um Jogo de Romance O gato guloso que adora comer peixe 2440 palavras 2026-07-31 03:23:12

Quando Xiao Qingyu viu Leng Jingxue se afastar, seu semblante tornou-se ainda mais gélido, e suas palavras não deixaram margem para dúvidas:
— Meng Zhirou, não é? Lembro que já te disse antes, não tenho interesse em você. Por favor, não me incomode mais no futuro.
Com isso, virou-se e se afastou.
Meng Zhirou, aflita, correu atrás dele e tentou segurar seu braço, mas ele se esquivou antes mesmo de um segundo. Ela o fitou e, ansiosa, declarou:
— Eu gosto de você! Foi amor à primeira vista. Espero que me dê uma chance de te conquistar.
O olhar de Xiao Qingyu era indiferente:
— Já terminou?
Meng Zhirou percebeu que Xiao Qingyu estava diferente de sempre. Antes, ainda que fosse ríspido e direto, havia um calor em seu olhar. Agora, parecia alheio a tudo, como um corpo sem vida, sem calor.
Só de pensar nisso, Meng Zhirou estremeceu e engoliu em seco, lançando-se para abraçá-lo:
— É verdade! Me dê uma oportunidade.
Ela ainda desabotoou propositalmente o primeiro botão da camisa; bastava Xiao Qingyu baixar o olhar para ver a pele alva e a lingerie preta.
[“Sistema, preste atenção: nenhum homem resistiria a um corpo bonito.”]
— Uma garota deveria se valorizar. Se você quer se expor, não culpe os outros. — Xiao Qingyu sentiu náuseas, empurrou-a e saiu sem nem olhar para trás, deixando apenas uma palavra:
— Nojento.
Meng Zhirou ergueu o olhar para as costas dele, o rosto pálido, tomada pela vergonha.
Na sala, Leng Jingxue mantinha os olhos fixos na porta.
[“Por que Xiao Qingyu ainda não voltou? Será que ele gosta mesmo desse tipo, como Meng Zhirou? Ou será que ela o forçou? Bem, sendo o protagonista, provavelmente não terá grandes problemas.”]
Apesar desses pensamentos, Leng Jingxue estava apreensiva e desconcertada.
Quando Xiao Qingyu retornou, já havia lavado o rosto e o pescoço.
Leng Jingxue olhou para ele e percebeu que estava pálido, com o pescoço avermelhado. Aproximou-se rápido:
— Xiao Qingyu, está tudo bem? Ela te jogou água?
Sheng Yong, sentado atrás, perguntou curioso:
— Xiao, só lavou o rosto, não foi?
Leng Jingxue pegou um lenço e começou a limpar o rosto de Xiao Qingyu:
— Ela te machucou no pescoço também?
Vendo a expressão preocupada de Leng Jingxue, pronta até para brigar, ele segurou seu pulso, com um tom levemente magoado:
— Ela me deixou enjoado. A culpa é sua, que foi embora.
Depois de crescido, era raro Xiao Qingyu mostrar fraqueza para ela. Meng Zhirou não era uma garota inocente; talvez tivesse realmente passado dos limites. Leng Jingxue sentiu-se culpada e afagou a cabeça dele:
— Desculpa… Da próxima vez não vou te deixar sozinho nem por um instante.
— Hum, e ainda tem coragem de falar em próxima vez. — Xiao Qingyu apertou de leve a palma dela, com as orelhas rubras.
— O que Meng Zhirou fez para te deixar assim? — Leng Jingxue abriu uma garrafinha de iogurte para ele, ainda curiosa.
Sheng Yong já estava acostumado com aquela cena entre os dois. Ele se inclinou, intrigado:
— O quê? O que Meng Zhirou fez com o nosso Xiao?

Xiao Qingyu tomou um gole, o sabor de pêssego e aveia logo se espalhando pela boca.
Ele afastou o rosto de Sheng Yong, irritado:
— Nada.
Leng Jingxue o observou por um tempo; vendo que ele não diria nada, desistiu de perguntar, esperando conseguir algo da própria Meng Zhirou depois.
Mas Meng Zhirou não retornou nem mesmo até o fim das aulas.
Em casa, Leng Jingxue tomou banho primeiro, vestiu uma camiseta branca e foi até o quarto de Xiao Qingyu, batendo na porta. Sem resposta.
Abriu a porta e o encontrou de fones, diante do computador — por isso não ouvia nada.
Aproximou-se e bateu na mesa dele.
— Tia Qin tirou o dia de folga. O que vamos jantar?
Xiao Qingyu tirou os fones e se espreguiçou:
— Eu mesmo faço.
— Ah, melhor eu pedir comida então. — Leng Jingxue segurou o peito, brincando. — Afinal, vai que depois do trauma de hoje você resolve me levar com você pro além.
Xiao Qingyu ia responder, mas o olhar se deteve sobre o peito dela. Hesitou e desviou o olhar, constrangido.
Leng Jingxue, ainda insatisfeita, se aproximou:
— Está olhando o quê? Conta logo, o que Meng Zhirou fez para te deixar assim?
O toque macio na nuca fez o rosto e o pescoço de Xiao Qingyu ficarem escarlates. Ele se levantou às pressas, quase fugindo:
— Que bobagem.
Leng Jingxue percebeu, de repente, que tinha esquecido de colocar sutiã depois do banho. Normalmente tomava cuidado, já que havia a Tia Qin em casa, mas naquele dia, só estavam ela e Xiao Qingyu, e acabou esquecendo.
Ficou um pouco constrangida; por mais próximos que fossem, não devia ter encostado assim a cabeça de um garoto.
Ela foi trocar de roupa e desceu, mas Xiao Qingyu já não estava lá — provavelmente tinha saído para comprar a comida. Cansada, jogou-se no sofá e ligou a televisão.
Não sabia quanto tempo passou, mas Xiao Qingyu finalmente voltou, trazendo consigo o aroma irresistível da comida. Leng Jingxue desligou a TV e o viu dispor as marmitas na mesa.
Eram pratos do pequeno restaurante à sombra das árvores, todos os seus favoritos.
Leng Jingxue, surpresa e feliz, não perdeu a chance de reclamar:
— Por que demorou tanto pra comprar comida?
Xiao Qingyu não esperava por essa resposta:
— Vamos comer logo.
Após a refeição, os dois se deitaram no sofá, enquanto na TV passava um melodrama absurdo.
Leng Jingxue deitou-se e cutucou Xiao Qingyu ao lado:
— Meng Zhirou não fez de novo aquelas coisas com você, fez?

Xiao Qingyu estava deitado ao lado dela, com o braço sobre o encosto do sofá, a voz límpida e carregada de um cansaço leve:
— Uma garota deve se valorizar.
Leng Jingxue sentou-se, surpresa por ter acertado:
— Ela te abraçou, não foi? Daquele jeito, com o braço no pescoço. Por isso você ficou com o pescoço avermelhado.
A testa de Xiao Qingyu se contraiu e ele soltou um suspiro.
[“Sabia que quem atravessa para dentro de livros faz qualquer coisa para cumprir tarefas. Acho melhor acompanhá-lo da próxima vez.”]
— Não! — Leng Jingxue mudou o tom, séria. — Então você viu, ou sentiu. Mas por que olhou?
— Foi ela quem se aproximou.
Leng Jingxue semicerrrou os olhos:
— Não vem fingir. Não acredito que você nunca procurou por esse tipo de coisa escondido.
Xiao Qingyu respondeu, desdenhoso:
— Nunca vi. Ou será que você já viu?
— Claro que não! — Leng Jingxue lembrou-se do que acontecera antes, no quarto, e ficou cabisbaixa. — Será que você também ficou enojado comigo agora há pouco?
Xiao Qingyu virou o rosto, sem jeito:
— Claro que não, só fiquei constrangido.
— Vou prestar mais atenção da próxima vez. — Leng Jingxue assentiu.
Ela então cobriu a boca, rindo baixinho:
— Quem diria… você é mesmo tão… puro.
— Agradeça por ser eu quem está com você.
— Sim, sim, como não chamar isso de sorte?
Ao voltar para o quarto, pronta para dormir, Leng Jingxue não conseguia tirar Xiao Qingyu da cabeça.
Na escola de elite, a maioria das garotas era um pouco arrogante, autossuficiente, bonitas e ricas, seria impossível imaginar que se humilhassem para agradar alguém.
Ainda assim, muitas já haviam se declarado para ele, ainda que só com palavras. Provavelmente era a primeira vez que Xiao Qingyu se deparava com uma garota tão… direta.
Pensando bem, Xiao Qingyu era o protagonista daquele mundo, com muitos ao seu redor para protegê-lo. O que ela, uma figurante, tinha para se preocupar?