O mercado chegou.
No horizonte, o céu tingia-se de nuvens coloridas que se mesclavam a um azul profundo, transmitindo uma sensação de serenidade. O mercado, por sua vez, fervilhava de vida. A multidão se movia animadamente; os orcs gritavam, anunciando suas mercadorias, como se fosse um grande festival. Ao lado, apresentações com animais acrescentavam um toque extra de alegria à atmosfera. As barracas eram diversas: algumas com peles de animais estendidas no chão, outras montadas em estruturas de madeira, exibindo uma variedade impressionante de produtos — legumes frescos, frutas multicoloridas, artesanatos delicados. Cada mesa ostentava seu próprio charme, deixando os olhos maravilhados.
Xia Xiaomo observava a cena inédita e animada fora da tribo com entusiasmo. Comparado à rotina limitada e monótona da aldeia, aquele mercado vibrante trazia uma lufada de surpresa para sua vida.
— Finalmente te peguei, Xiaomo! Vai devagar, por que anda tão rápido? — disse a irmã, enquanto o suor brilhava em sua testa. Xiaomo, brincando, abanava a irmã com a mão, fazendo uma careta divertida.
— Desculpa, irmã, só estava curiosa, hehe.
— Você está grávida, precisa cuidar do corpo, não sei o que fazer com você — suspirou a irmã. Xiaomo apontou para a própria cabeça, sorrindo maliciosamente.
— Xiaoyue grávida? Desde que nascemos, nós, mais de dez filhotes, nunca houve um nascimento por aqui. Você está enganando quem? Você, minha tola irmãzinha, fala tanta bobagem e não tem medo de tropeçar na língua!
Xiaomo franziu as sobrancelhas ao olhar para a figura pequena diante dela, com olhos límpidos como o céu, longos cílios levemente curvados e um olhar úmido que transparecia nobreza e orgulho. Sua postura era ereta, o cabelo negro suavemente agitado pelo vento, seus cílios longos e curvados cobriam um olhar profundo como tinta, revelando uma confiança inabalável. Vestia um vestido de linho vermelho que ressaltava sua pele alva como a neve, conferindo-lhe uma aura de elegância e distinção. Parecia um gato eriçado, orgulhoso e teimoso, com uma expressão altiva. Sua atitude transmitia uma arrogância e autoconfiança indescritíveis, e sua língua era afiada como uma lâmina.
— Bai Shuangshuang, não exagere! Minha irmã não precisa das suas provocações, e os filhotes que carrego não são seus, então por que fica tão exaltada? Cuide da sua vida!
— Xiaomo, não dê atenção a ela. Bai Shuangshuang da tribo Baihu, você ainda se lembra dela? Desde pequena, a boca dela é insuportável — disse Xiaomo, observando aquela garota orgulhosa enquanto contava incessantemente para a irmã, até que algumas lembranças começaram a aflorar em sua mente.
— Ei, sua baba é nojenta, não quero mais, fica com ela.
— Ei, você já esqueceu de novo? Que tonta! Vamos, eu te levo para casa.
— Ei, você está completamente boba, a cabeça cheia d’água. Quando alguém rouba suas coisas, você não reclama?
Uma nova fornada de doces, pequena, ela dava para a pequena Xiaomo, ainda que estivessem no local de coleta. Ah, essa era uma garota de língua afiada e coração mole!
— O que vocês duas estão tramando? Sério, me ignoram, como se minhas perguntas fossem vento que passa — Bai Shuangshuang, furiosa, batia os pés.
— Vocês duas continuam tão irritantes quanto nas minhas lembranças.
— Fala o que quiser, eu vou procurar seu irmão — disse Xiaomo, e assim que falou, Bai Shuangshuang calou-se, o rosto avermelhado de raiva, as bochechas inchadas.
Hum, irmã venceu fácil. Xiaomo se sentiu tranquila para continuar sendo uma mera enfeite — afinal, discutir também cansa!
Xiaomo, preguiçosa, repousou o braço no da irmã, apoiando metade do peso do corpo nela. Mmm, que conforto!
— Bai Yu! — chamou ela.