Cerimônia de Maioridade
O hoje da aldeia estava extraordinariamente animado, o burburinho incessante preenchia o ar. Nesta densa floresta, a luz do sol atravessava as árvores distantes, lançando raios dourados. Uma brisa suave trazia o aroma fresco da terra úmida e do capim, fazendo sentir-se como se estivesse nos braços da Mãe Natureza. Os homens e mulheres da tribo, ocupados, acrescentavam um ar de convivência harmoniosa.
No meio dessa agitação, chegou o momento da cerimônia de passagem para a idade adulta. Tochas foram acesas ao redor da praça, enquanto no centro da plataforma uma grande pérola emanava uma luz dourada que iluminava todos os cantos.
Xiaoxiaomo, sua irmã e outras três jovens da tribo, acompanhadas por aplausos, seguiram sob a luz do luar em direção aos degraus de madeira no centro da praça. Observando os membros da tribo ao redor, sentiam a importância que o povo dava a essa cerimônia.
— Hoje nossas jovens alcançam a maturidade. Que o sacerdote da tribo lhes conceda bênçãos — disse o chefe A Fu ao terminar seu discurso. Aproximou-se então uma mulher vestida com uma pele vermelha de animal. Seus gestos emanavam uma beleza digna, graciosa e respeitável, uma elegância que parecia brotar do mais profundo do seu ser.
Sob a suave luz do luar, ela começou a dançar. Seus passos leves e fluidos lembravam ondas de nuvens ondulantes, e só se ouvia sua respiração tranquila. A cena diante dos olhos era solenemente majestosa. Conforme sua dança poderosa prosseguia, uma aura vermelha emanava de seu corpo, e ao final do movimento, essa luz se transformou em borboletas que cintilaram como estrelas e deslizaram suavemente, formando coroas de flores vermelhas sobre as cabeças de Xiaoxiaomo e das outras jovens.
— Que as jovens brotem como borboletas, rompendo o casulo e alçando voo — pronunciou o sacerdote, desaparecendo em seguida.
— Povo da tribo, vamos celebrar com alegria!
Nos arredores, risos e vozes se misturavam numa festa vibrante, preenchendo cada canto com uma atmosfera contagiante de felicidade, como se o mundo inteiro fosse tocado por essa celebração.
Diante daquela simplicidade singela, sem pratos requintados, apenas carnes assadas, frutos e vinho, a alegria reinava por toda parte. Era um mundo tranquilo e leve. Observando o contador regressivo em vermelho vibrante, talvez valesse a pena uma visita a esse lugar.
Entre brindes e risadas, Xiaoxiaomo, sob as bênçãos do povo da tribo, acabou se embriagando naturalmente. Ouvindo vozes diversas, com as bochechas coradas, ela voltou para casa, refletindo sobre a liberdade que o mundo das feras proporcionava, onde a harmonia e a música permeavam tudo. Lembrou-se do mar de flores douradas e pensou que talvez partir para aquele lugar fosse uma escolha interessante.
Sem perceber, chegou ao coração do campo de flores e deitou-se. A lua daquela noite estava especialmente bela. Xiaoxiaomo abriu a tela do sistema, quase esquecendo que estava ali. Já que tinha vindo, seria um desperdício não aproveitar. Ela ativou todos os pacotes de boas-vindas para iniciantes.
— Ah, flor de acácia... já que é para comer, que seja logo, afinal está terminando — disse Xiaoxiaomo, franzindo o nariz ao ver o vermelho vibrante, enquanto tudo ao redor se tornava cada vez mais turvo.
A lua brilhava alta, derramando sua luz prateada, iluminando a escuridão da noite.
— Meu deus — o coração de Xiaoxiaomo acelerou ao ver o belo homem que surgiu diante dela. Seria uma alucinação causada pela bebida? Mas havia algo familiar naquele rosto.
— Hm...
— Entrar no meu território durante meu cio? Você se meteu nessa, Xiaomo.
— O que disse? — Xiaoxiaomo, confusa, não ouviu claramente o que o homem, tão perto, disse, distraída demais admirando sua beleza. Sentiu então um aroma familiar de flores que a envolvia, embriagando-a.
No instante em que seus lábios se tocaram, Xiaoxiaomo se lembrou de quem ele era.
— O curandeiro?
— Chame-me de Ming.
— Hm... dói...