Fusão
Uma brisa suave, como um murmúrio, soprava sobre a terra, trazendo consigo um aroma carregado de intenções ambíguas. O mundo mergulhava em uma névoa densa, um oceano de vapores que ondulava no horizonte.
Peônias na primavera, peônias arbustivas no verão, crisântemos no outono e ameixeiras no inverno; em meio ao florescer exuberante, apenas o feijão-vermelho, símbolo do desejo, permanecia. Nas encruzilhadas das estradas, o pensamento constante, segundo a segundo, aguardava o encontro apaixonado.
Eles se enlaçavam continuamente, como duas serpentes em uma dança frenética, libertando em cada movimento as emoções mais profundas de suas almas. Suas respirações se entrelaçavam, criando uma melodia singular que os guiava para um oceano infinito de sentimentos.
Com o despontar da aurora, o sol banhou a terra, e Xia Mo despertou lentamente. Incapaz de acreditar na realidade diante de si, a contagem regressiva ofuscante havia desaparecido. Ela se viu deitada sobre uma pele de animal de um vermelho vívido, com o corpo exausto e dolorido. Isto era...
— Você acordou. Aproveitou-se de minha vulnerabilidade, agora terá que assumir a responsabilidade.
— O quê? — Xia Mo abriu a boca, atônita, olhando para o curandeiro à sua frente sem saber como reagir.
— Estou em meu período de cio. Senti o cheiro do seu próprio cio vindo de trás da minha cabana e não consegui me conter. Você claramente desejava o meu corpo, e, felizmente, eu não detesto o seu cheiro; pelo contrário, agrada-me.
— O quê? Curandeiro, quando foi que eu desejei o seu corpo? — Xia Mo estava em choque absoluto.
— Eu vi você rondando a parte de trás da minha casa, escondida entre as flores. Não adianta negar. E eu já disse para me chamar de Ming.
— Eu... — Xia Mo levantou-se e, ao olhar para a cabana de madeira, silenciou. Embora a beleza dele fosse inegável, ela tentou se explicar: — Isso... você não está entendendo mal?
— Xiao Mo, depois do que aconteceu, você precisa assumir a responsabilidade. — Ming interrompeu antes que ela pudesse terminar. Xia Mo olhou para ele, que parecia tenso, e sentiu-se perdida. Ele a havia possuído e, de certa forma, salvado sua vida, ainda que sem saber. Não havia muito do que reclamar, apesar de ele ser um homem-fera de aparência fria e um tanto arrogante. Sua vida havia tomado um novo rumo por causa dele, e sua beleza era simplesmente cativante. Para Xia Mo, que nunca tivera um namorado em toda a sua existência, ele parecia ter se tornado uma parte essencial de sua vida.
— Podemos tentar nos conhecer melhor.
— Ei! — Xia Mo olhou para suas mãos e pés imobilizados, envoltos na pele de animal, sentindo-se confusa. — Para onde você está me levando, Ming?
— Para a minha casa, é claro. — Entre o som do vento e a luz do sol, Xia Mo foi carregada nos braços de Ming de volta ao seu lar.
— Ah, o que você está fazendo? Hum...
— Shhh, não fale nada. Apenas sinta.
A luz do sol filtrava-se pelas cortinas, alongando as silhuetas entrelaçadas sobre a cama. Seus dedos se entrelaçavam com firmeza, como se quisessem fundir suas almas na ponta de cada toque.
Ming observou a pessoa sob si cair em um sono profundo e encerrou o ato. Ele acariciou o rosto de Xia Mo, pensando que aquela era a pequena fêmea que ele tratara tantas vezes, a única que nunca o rejeitara. Desde que ele chegara à tribo, o destino os unira quando ela, tendo perdido a memória, caíra em seus braços. Aos poucos, ele começara a se importar com ela, com seu jeito ingênuo. Esse encontro inesperado servira como um catalisador; afinal, ela, em seu estado de cio, era tão deliciosa, inesquecível. Ao ver aquele rosto pálido e radiante, Ming sorriu, fascinado. Xiao Mo estava ainda mais bonita ultimamente, tão cheirosa, ele a amava tanto...
— Xiao Mo — Ming acariciou a pequena serpente prateada em seu peito, sentindo-se inquieto.
— Hum, não... pare, vá embora.
— Já está quase acabando, seja boazinha.
O luar suave banhou o solo, iluminando os dois seres abraçados.