Capítulo 11: Vômito de Sangue

A Noite Quente Está no Auge Uma Noite em Pleno Verão 1837 palavras 2026-07-31 03:29:33

Xie Xiaobei, com o olhar profundo e sombrio, apertava a xícara de chá ao seu lado, sem responder.

Cheng Feng estalou os dedos com desconfiança, o que finalmente trouxe Xie Xiaobei de volta de seus pensamentos distantes.

— O que você disse? — perguntou Xie Xiaobei, com os olhos.

Cheng Feng levantou-se e espreguiçou-se:
— Perguntei o quanto aquela garçonete resistiu quando você a teve.

Xie Xiaobei respondeu com indiferença:
— Não resistiu.

Cheng Feng arqueou as sobrancelhas:
— Não resistiu?

Cheng Feng não sabia se era apenas uma ilusão, mas sentiu que havia algo... uma emoção indefinível na resposta de Xie Xiaobei.

Xie Xiaobei levantou-se e caminhou em direção à saída:
— Vou tratar de alguns assuntos.

Cheng Feng zombou:
— Por acaso vai salvar aquela garçonete?

Xie Xiaobei não olhou para trás:
— ... Assuntos de trabalho.

Cheng Feng sorriu; esse era o tipo de parceiro que valia a pena apoiar. A frieza e a insensibilidade de Xie Xiaobei eram as características que Cheng Feng mais admirava nele.

Ao cair da noite.

Sob o manto escuro da noite, a delegacia, iluminada, parecia ainda mais solene e severa.

Shen Nanyi estava encostada no encosto da cadeira, olhando de soslaio para o homem de meia-idade que, com a cabeça enfaixada, a encarava de cima. Antes mesmo de ver seu rosto, ela já havia notado sua barriga protuberante.

— A família Shen faliu e você ainda se acha a senhorita rica? Para trabalhar com prostituição, você não tem nem a ética profissional básica? O velho Shen não te ensinou nada?

Foi em meio ao seu escárnio desdenhoso que, através daquela figura obesa e vulgar, Shen Nanyi finalmente reconheceu o homem. Aquele era o mesmo sujeito que, nos tempos áureos da família Shen, se humilhava e se arrastava aos pés de seu pai, Shen Zishan, em busca de favores.

Hoje, ele tentava recuperar a autoestima que perdera no passado pisoteando-a e humilhando-a.

Compreendendo a situação, Shen Nanyi soltou um riso repentino. O canto de seus lábios se curvou, e o brilho em seus olhos carregava um magnetismo tão sedutor que o homem, ignorando o local, desejou provar daquele encanto.

— Puf.

Shen Nanyi cuspiu com força no rosto do homem, que parecia a cena de um desastre de carro.

— Sua vadia! — O homem, com os olhos injetados de sangue, fixou-se ferozmente no rosto belíssimo dela e apertou seu pescoço com força.

Shen Nanyi não resistiu, e os policiais, percebendo a anormalidade, rapidamente separaram os dois e levaram o homem careca para longe.

Antes de sair, o homem ameaçou Shen Nanyi, dizendo-lhe para esperar pela prisão.

— Quando você sair daqui a alguns anos, nem desnudada de graça ninguém vai querer te tocar!

Shen Nanyi não revidou; ela apenas o olhou com um desprezo profundo, uma aversão como se olhasse para algo imundo. Aquele homem, que outrora abanava o rabo para Shen Zishan em troca de migalhas, era quem mais sofria com aquele olhar. Parecia que ela lhe dizia que, mesmo que a família Shen fosse reduzida à lama, ela ainda assim não o consideraria digno de sua atenção.

O homem quase enlouqueceu, disparando insultos incessantes:
— Sua rameira! Vadia! Espere só para morrer na cadeia! Quero ver quem vai te proteger agora que a família Shen acabou!

O homem foi expulso pelos policiais, mas os sons de seus xingamentos ainda ecoavam.

Uma policial verificou o pescoço de Shen Nanyi e, ao confirmar que ela não tinha ferimentos graves, alertou-a profissionalmente:
— No seu caso, o melhor é entrar em contato com a família e procurar um advogado.

Shen Nanyi baixou o olhar:
— ... Meu pai está na prisão, minha mãe é uma paciente em estado vegetativo no hospital, não tenho mais família.

A policial hesitou e, ao ver a silhueta solitária e desolada da moça, sentiu certa compaixão:
— ... Outros parentes ou amigos, contanto que possam contratar um advogado para você, servirá da mesma forma.

Shen Nanyi pensou por muito tempo antes de ligar para An Lan.

An Lan atendeu imediatamente:
— Nanyi, você está bem? Não tenha medo, estou procurando um advogado para saber sobre o seu caso, vou tentar...

— An Lan, não se envolva nesse tipo de problema, concentre-se em ganhar seu dinheiro — disse Shen Nanyi com a voz fria. — Nossa relação não é tão profunda assim.

An Lan silenciou:
— ... Eu realmente te considero minha amiga.

Shen Nanyi rebateu:
— Pense na sua irmã que faz diálise, ela é sua última família.

Após dizer isso, Shen Nanyi encerrou a chamada.

Ela sabia que An Lan se esforçaria por ela, porque An Lan era bondosa. Mas An Lan já tinha suas próprias dificuldades; ninguém se submete a vender o próprio corpo por prazer, e se An Lan já fazia sacrifícios, não havia necessidade de desperdiçar tempo, dinheiro e energia com alguém que não tinha laços de sangue.

Shen Nanyi era uma criança que nem mesmo seus pais biológicos haviam amado, e ela não queria atrapalhar o afeto fraternal de An Lan.

A policial claramente não esperava que o único telefonema que a moça fizesse fosse para pedir que não desperdiçassem tempo com ela.

— Tão bonita, não tem namorado? — perguntou a policial, entregando-lhe gelo com um olhar complexo para que ela aplicasse no pescoço.

Namorado?

Os olhos serenos de Shen Nanyi escureceram.

Ela se lembrou de cinco anos atrás, quando enganou Xie Xiaobei para levá-lo a uma montanha deserta, drogou-o e o fez implorar para que ela usasse os pés com ele, enquanto ele ofegava furiosamente: "Você me considera seu namorado ou apenas um brinquedo humano para seu uso?"

Como ela havia respondido àquela época?

Enquanto Shen Nanyi, na delegacia, ainda estava perdida em pensamentos, uma sensação de gosto metálico surgiu em sua garganta, e ela vomitou uma quantidade de sangue.

A policial ficou aterrorizada e, enquanto a amparava, viu que na tela do celular da moça havia um número que ela não conseguia discar, sem nome registrado.

A policial não pensou duas vezes e ligou para aquele número:
— Alô? Aqui é a Delegacia de Lishan. Você conhece Shen Nanyi? Ela vomitou sangue e desmaiou.