Capítulo 2: Não o reconheceu

A Noite Quente Está no Auge Uma Noite em Pleno Verão 2426 palavras 2026-07-31 03:29:27

Ela tentou enxergar melhor, mas de repente percebeu que aquele homem olhava em sua direção; rapidamente, Shen Nanyi abaixou a cabeça. Ainda assim, conseguia sentir com clareza o olhar do homem na sombra repousando sobre ela repetidas vezes. O coração de Shen Nanyi apertou.

Já era o momento em que os convidados, embriagados após várias rodadas de vinho, começavam a rasgar suas máscaras de falsa elegância. Temendo ser alvo de algum deles, Shen Nanyi enterrou a cabeça ainda mais. Mãos masculinas já se aventuravam sob as saias das jovens ao seu lado.

Ela ouviu a voz de An Lan: “O senhor Cheng disse que pareço aquela atriz famosa? Eu? Não sou tão bonita quanto ela… Se fosse, já estaria no mundo do entretenimento…” O senhor Cheng, bêbado, envolvia a cintura de An Lan. “Trabalhar nesse meio ou no entretenimento, qual a diferença? Você dorme com o patrão, dorme com os clientes; ela dorme com o diretor, com o produtor, com o investidor… Não duvido que você seja até mais limpa que ela…”

Enquanto falava, sua mão subia pelo corpo de An Lan, habilidosa, como quem já praticou muito em mulheres. No meio da brincadeira, exigiu que abrissem uma garrafa de Maotai. Shen Nanyi, a mais próxima, apressou-se a pegar a garrafa mais cara e abrir. Ao entregar o copo, o senhor Cheng, cambaleante, segurou a mão de Shen Nanyi, semicerrando os olhos.

“Olha só, escondendo aqui uma mercadoria tão boa.” Shen Nanyi tentou soltar o pulso, sem sucesso. “Senhor Cheng, temos regras, os funcionários não acompanham os clientes…” O senhor Cheng riu com desdém: “Acompanhando ou não, basta uma ligação.”

O homem na sombra, alto e imponente, fixou o olhar profundo e silencioso no rosto assustado de Shen Nanyi. O coração dela afundou. Aquele senhor Cheng era notoriamente influente; pelo que conversavam, tinha ligações com o alto escalão.

O senhor Cheng, impaciente por sua falta de resposta: “Diga logo um preço, quanto quer por uma noite?” Shen Nanyi, desesperada, com os olhos vermelhos, explicou: “Sou estudante, não faço esse tipo de serviço.”

Um tapa ressoou. Sem aviso, a mão do senhor Cheng acertou o rosto de Shen Nanyi. Ele a insultou: “Quer ser puta e manter pose? Que história é essa de não acompanhar cliente? Puta que não vende o corpo, vem aqui bancar a pura?!”

Ela caiu sobre a mesa, derrubando metade das bebidas. O tapa fez todos ficarem em silêncio, o clima lascivo cessou de imediato. Na sombra, o homem alto apertou o copo com força, os óculos de aro dourado refletindo seus olhos sombrios.

An Lan tentou falar várias vezes, mas foi impedida pelas amigas ao lado: “Se ela quer se ferrar, que seja sozinha; não nos envolva.” Shen Nanyi sentia os ouvidos zumbindo, o rosto delicado inchando rapidamente.

O senhor Cheng a olhou de cima, desprezando sua condição: “Vai tirar a roupa sozinha ou quer que eu faça?” Shen Nanyi sabia bem: o senhor Cheng queria usá-la não só por desejo, mas principalmente porque ela o fez perder a face. Se não o ajudasse a recuperar, talvez fosse destruída ali mesmo, sem que ninguém se importasse.

Ela se ergueu, desgrenhada, curvou-se diante dele: “Desculpe, senhor Cheng, foi falta de respeito minha. Só que… hoje não estou em condições, não quero atrapalhar seu prazer.” Os funcionários deste andar vestiam quase nada; ao se curvar, o vinho escorria pelo seu rosto e cabelo, caindo silenciosamente ao chão.

O senhor Cheng, ao vê-la suja, perdeu o interesse; pegou a garrafa e despejou o conteúdo sobre a cabeça dela. Shen Nanyi, de olhos ardendo pelo álcool, permaneceu imóvel, pálida.

“Suja, atrapalha a vista. Vai, some daqui.” Quando ele terminou, An Lan se apressou em censurá-la. Tremendo, Shen Nanyi caminhou para fora.

“Pare aí”, disse o senhor Cheng. Shen Nanyi apertou os dedos, sentindo vontade de pegar uma garrafa e atacar, mas não podia. A família Shen já estava falida; ela não era mais a jovem rica e intocável.

“Senhor Cheng… há mais alguma ordem?” Ele respondeu: “Tire a roupa e saia rastejando.”

Shen Nanyi cravou as unhas na palma da mão, a dor a fez recuperar o controle. An Lan se ajoelhou diante do senhor Cheng: “Senhor Cheng, por favor, deixe ela em paz… Ela não tem nenhum charme, eu sou a melhor aqui, deixe-me servir o senhor…”

O senhor Cheng puxou o cabelo de An Lan com brutalidade: “Gosta de servir homens, não é? Então hoje vai servir todos eles.” Empurrou-a para os outros homens, enquanto An Lan implorava por misericórdia.

Shen Nanyi percebeu que o homem na sombra permanecia imóvel, como um Buda indiferente, observando tudo de longe. Com a última esperança, ela se ajoelhou aos pés dele, os dedos delicados agarrando sua barra: “Por favor, nos ajude…”

Xie Xiaobei lançou sobre ela um olhar frio, penetrante, fitando aquele rosto outrora arrogante e sedutor.

“Pedir minha ajuda?” Ele falou com tom de escárnio, mas Shen Nanyi, afobada, entendeu como afirmação.

Ela escondeu o desprezo pelos outros, suplicando com ternura: “Por favor, me ajude, ainda estou estudando, faço esse trabalho só para pagar as contas, por favor, ajude…”

Xie Xiaobei segurou o queixo dela, inclinando-se para cruzar os olhares, “Você realmente soa lamentável.”

Aquela jovem de família nobre, como pôde se reduzir a esse estado, sem nenhum orgulho? Ele esperava ver surpresa e pânico quando ela reconhecesse seu rosto. Mas… nada. Shen Nanyi simplesmente não o reconheceu.

“Bei, você não prefere apenas virgens? Vai abrir uma exceção hoje?” O senhor Cheng brincou, meio rindo.

“Senhor…” Shen Nanyi implorou.

Xie Xiaobei tocou suavemente o rosto inchado dela, os lábios frios murmurando: “Feia.”

Shen Nanyi, bonita desde pequena, nunca ouvira tal insulto; sua confiança a fazia ver aquele homem como cego. Xie Xiaobei percebeu o desprezo relâmpago nos olhos dela; por mais que fingisse, a antiga dama ainda era orgulhosa.

Ele virou-se lentamente: “De vez em quando, é bom variar. Posso levar esta comigo?”

O senhor Cheng riu: “Entre irmãos, não há disputa. Se te interessa, é sorte dela. Se não é virgem, tanto faz, mais ou menos gente não faz diferença. Que tal nós dois juntos…”

“Eu sou”, Shen Nanyi entendeu a intenção dele, apressando-se a agarrar a manga de Xie Xiaobei.

Ele olhou para ela, meio sorrindo: “Você é o quê?”