Capítulo 4: Também quer que suas mãos sejam amarradas?

A Noite Quente Está no Auge Uma Noite em Pleno Verão 2328 palavras 2026-07-31 03:29:28

Quando a realidade se sobrepôs às cenas das lembranças, o coração de Nanyi Shen disparou violentamente.

Ela se aproximou, segurou a barra da camisa dele, querendo ver claramente seu rosto, mas, de repente, sentiu o corpo leve e foi pressionada no sofá pelo homem alto.

O perfume amadeirado misturado ao leve cheiro de tabaco tomou conta de todos os sentidos de Nanyi Shen.

Xie Xiaobei, com um gesto casual, retirou a gravata e amarrou-a sobre os olhos dela, aqueles olhos que pareciam eternamente guardar uma nascente de águas primaveris, capazes de enfeitiçar qualquer homem.

A visão desapareceu.

Nanyi Shen sentiu um pânico crescente. Segurou a mão de Xie Xiaobei, tentando tirar a gravata, pois ainda não tinha visto claramente quem ele era.

Mas Xie Xiaobei afastou a mão dela e, com os lábios finos, deixou escapar uma frieza cortante:

— Quer que eu amarre também as suas mãos?

Nanyi Shen inclinou o ouvido, tentando distinguir a voz dele, e arriscou perguntar:

— Xiaobei... é você, irmão Xiaobei?... Ah!

Assim que pronunciou o nome, Xie Xiaobei deslizou os dedos até a cicatriz da cirurgia.

A dor foi intensa; Nanyi Shen cravou as unhas no antebraço dele.

O olhar de Xie Xiaobei se tornou ainda mais sombrio. Ele apertou o pescoço dela, encostando os lábios finos ao seu ouvido:

— Quando te salvei, lembra o que eu disse?

Ele prometera despi-la e vendê-la por cinco yuan a vez.

O coração de Nanyi Shen se encheu de pânico, jamais imaginou que um simples toque bastaria para ele distinguir se ela era “original” ou não!

— Eu... foi numa atividade física, acabei me machucando sem querer, nunca estive com homem nenhum.

Ela tentou se esquivar, mas foi recebida por uma risada gélida de Xie Xiaobei.

Atividade física? Nunca esteve com homem?

Cinco anos se passaram e ela continuava mentirosa.

— Guardas!

Com a ordem dele, Nanyi Shen ouviu vários passos firmes se aproximando.

O ventilador acima ainda girava com dificuldade, incapaz de dissipar o calor sufocante que invadia o ambiente.

— Senhor Bei!

Nanyi Shen percebeu pelo menos cinco vozes masculinas.

A voz de Xie Xiaobei era gélida:

— Essa mulher agora é de vocês.

Os seguranças se entreolharam, admirando o corpo sedutor de Nanyi Shen; mesmo com os olhos cobertos, seu rosto era de uma beleza estonteante.

— Senhor Xie Bei!

Os passos se aproximavam.

Nanyi Shen, apavorada, agarrou-se ao casaco de Xie Xiaobei:

— Não, por favor, não faça isso.

Xie Xiaobei perguntou:

— Com quem já dormiu?

Nanyi Shen se desesperou, recordando aqueles dias de desvario e devassidão cinco anos atrás, mordendo os lábios com força.

— Ninguém. Juro que não!

Já que não tinha certeza da identidade dele, ela não admitiria de jeito nenhum.

Os olhos de Xie Xiaobei se tornaram ainda mais frios. Ele a empurrou com força.

Nanyi Shen caiu no chão e logo teve o tornozelo agarrado por um dos seguranças.

O toque quente e úmido das mãos a fez gritar de medo; ela tentou arrancar a gravata dos olhos, mas teve os pulsos firmemente segurados, sendo cercada pelos homens altos.

Xie Xiaobei observava friamente o terror dela, mas sua mão à lateral se fechava em silêncio, com veias saltando:

— Com quem dormiu? Fala!

Uma das mãos deslizou até a cintura de Nanyi Shen, tentando tirar seu vestido.

Ela chorava e lutava, gritando o nome de Xie Xiaobei.

A mandíbula dele se contraiu; ele derrubou uma estante com um chute e rugiu, a voz vinda do fundo da garganta:

— Fora daqui!

Os seguranças se apressaram em sair.

Tremendo, Nanyi Shen se pendurou no pescoço de Xie Xiaobei.

Ela chorava copiosamente, lágrimas brotando como flores de ameixeira na chuva, e arrancou a gravata dos olhos.

Queria confirmar se ele era mesmo quem imaginava.

Xie Xiaobei percebeu facilmente sua intenção; no momento em que a gravata caiu, sua mão áspera cobriu novamente os olhos dela.

Nesse instante, Nanyi Shen soltou um lamento dolorido, a dor transbordando por todo o corpo, como se revivesse aquela noite escaldante de cinco anos atrás.

Sem enxergar nada, os sons do velho ventilador girando acima se tornaram ainda mais claros para Nanyi Shen.

No início, estavam apenas no sofá do depósito; depois, ela foi pressionada contra estantes, junto à janela, em cantos da parede...

Três dias.

E mais três noites.

Desde que entrou na mansão de Xiangshan, Nanyi Shen não deu mais notícias.

An Lan esperou dia após dia, sem conseguir contato com ela; mesmo perguntando ao gerente, não obteve resposta.

An Lan já estava há mais tempo nesse círculo do que Nanyi Shen e conhecia muito mais a parte obscura do meio.

Quando uma garota era chamada sozinha e depois não dava mais notícias, nem conseguia contato...

Ir parar no hospital era o menor dos males; muitas vezes, a vida corria risco.

Aterrorizada, An Lan esperou ansiosa por três dias e ligou para a polícia.

A noite era solitária, o depósito permanecia às escuras.

A mão que cobria os olhos de Nanyi Shen já havia sido retirada há muito, mas, sob a fraca iluminação, ela havia sido levada ao limite inúmeras vezes, como se tivesse morrido e renascido repetidas vezes.

— Eu... não aguento mais...

Vendo que ele se aproximava novamente, a voz dela misturava-se de humilhação e súplica.

Xie Xiaobei a ignorou:

— Não se esqueça da sua posição agora.

Nanyi Shen, desesperada e furiosa, percebeu que, se não reagisse logo, morreria ali.

Ela mal tentou fugir e Xie Xiaobei já a puxou de volta pelo tornozelo.

— Eu vou morrer... — gritou ela. — Você é um monstro, não é?

— Hmph. — Xie Xiaobei soltou um riso frio e se tornou ainda mais impiedoso. — Se morrer assim, ao menos ficará famosa no mundo!

Na escuridão profunda da noite, Nanyi Shen gritava por socorro junto à janela.

O rosto de Xie Xiaobei estava sombrio como nunca.

— Volta aqui!

An Lan chegou acompanhada dos policiais; ao ver aquela cena, sentiu a alma sair do corpo, puxando o braço do policial e suplicando por ajuda.

Diante da situação, os policiais não hesitaram e arrombaram a porta do depósito.

No momento em que a porta se abriu, Nanyi Shen foi enrolada por Xie Xiaobei em um cobertor, como um casulo, e assim que sua cabeça tocou o travesseiro, adormeceu profundamente.

Quando os policiais entraram, encontraram:

Um Xie Xiaobei com o semblante feroz, roupas em desalinho, e Nanyi Shen inconsciente, pele à mostra fora do cobertor cheia de hematomas, como se tivesse sido brutalmente violentada.

Os policiais imediatamente levaram Xie Xiaobei sob custódia.

Nanyi Shen foi levada às pressas ao hospital.

Ela dormiu um dia e uma noite seguidos.

Se o médico não tivesse garantido a An Lan, repetidas vezes, que ela só estava exausta e não apresentava lesões graves, An Lan já teria perdido a cabeça.

Quando Nanyi Shen acordou, já era o entardecer do dia seguinte; piscou, confusa, e deparou-se com os olhos inchados de An Lan, claramente marcados pelo choro.

A voz de Nanyi Shen estava rouca:

— Onde estou?

An Lan a abraçou:

— Você está no hospital. Está tudo bem, você foi salva. Fique tranquila, aquele desgraçado já foi preso, ele não pode mais te machucar.

Nanyi Shen ficou atônita:

— Preso?