Capítulo 20 — Zhou Zhengnan
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No calor sufocante de uma noite de verão, o trânsito fluía incessantemente.
Do lado de fora da janela, o brilho dos néons refletia-se no perfil de Xie Xiaobei, de traços tão definidos quanto se tivessem sido talhados a golpes de faca e machado.
Quando o carro chegou, seus olhos profundos se ergueram. Os dedos, com veias e ossos nitidamente marcados, pressionaram a porta.
As pernas longas, envoltas em calças sociais impecavelmente passadas, desceram do veículo, e ele avançou para dentro a passos largos.
— Senhor Bei.
— Senhor Bei.
Xie Xiaobei era muito próximo da família Cheng, especialmente de Cheng Feng, e todos os seguranças o conheciam.
— Vou levar Shen Nanyi.
— Isto... Senhor Bei, o senhor chegou tarde demais.
Xie Xiaobei conhecia bem os métodos de Cheng Feng para punir as pessoas. Ao ouvir aquilo, seus olhos negros se ergueram como um rio subterrâneo, sombrio havia milênios; sob a superfície calma, ondulações sinistras se espalhavam.
— O que fizeram com ela?
Quando o segurança encontrou aquele olhar, embora fosse uma noite de verão quente, a sensação gélida percorreu-lhe o corpo inteiro, do alto da cabeça à sola dos pés.
— Não, ainda não fizemos nada. Veio um senhor de sobrenome Zhou, e o Jovem Mestre Cheng mandou que entregássemos aquela mulher a ele.
Xie Xiaobei estreitou os olhos.
— Sobrenome Zhou?
— Sim, Zhou.
Os olhos estreitos de Xie Xiaobei se semicerraram, e ele imediatamente ligou para Cheng Feng.
Ao ouvir a pergunta, Cheng Feng, recostado no sofá e pressionando a cabeça contra o encosto, respondeu com desdém brincalhão:
— É verdade. Vocês dois não param de me ligar por causa dessa mulher. Ela é tão boa assim?
— Quem a levou?
Cheng Feng pressionou a nuca da mulher ajoelhada aos seus pés, forçando-a ainda mais para baixo. O prazer, que subia incessantemente em seu corpo, amenizava a dor latejante do ferimento. Um suspiro satisfeito escapou-lhe da garganta.
— Zhou... Zhengnan.
Zhou Zhengnan.
A mão de Xie Xiaobei apertou lentamente o telefone.
Desde o instante em que reencontrara Shen Nanyi no clube privado, uma dúvida permanecia em seu coração: onde estava Zhou Zhengnan, que sempre acompanhava Shen Nanyi, recolhia a bagunça deixada por seus inúmeros casos e eliminava os amantes clandestinos dos quais ela se cansava?
Naquele ano, Zhou Zhengnan podia ser considerado o noivo perfeito de Shen Nanyi.
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No dia seguinte à noite em que Shen Nanyi fora para a cama com Xie Xiaobei, ele foi capaz de procurá-lo sem alterar a expressão, com uma generosidade quase condescendente. Depois de se apresentar, entregou-lhe seus contatos.
— Sou o noivo de Nanyi. Se algum dia você enfrentar dificuldades financeiras, pode entrar diretamente em contato comigo.
Em contraste com Zhou Zhengnan, vestido com roupas casuais discretas e feitas sob medida, dirigindo um carro luxuoso, Xie Xiaobei — tão pobre que usava e lavava a mesma peça de roupa durante três ou quatro anos antes de aceitar jogá-la fora — parecia, naquele momento, exatamente como um amante pobre prestes a ser dispensado pela esposa legítima com algumas notas.
— Noivo?
Sob as árvores à sombra, o canto das cigarras não cessava.
Xie Xiaobei manteve-se ereto, com a postura rígida.
— Ela nunca mencionou isso.
A expressão de Zhou Zhengnan não mudou. Com um significado profundo, respondeu:
— Isso não passa de uma formalidade tacitamente aceita em nosso círculo. Eu a amo. Nossas famílias são íntimas, e estou disposto a permitir que ela desfrute desse pequeno hobby antes do casamento. Você não é o primeiro, nem será o último. Mas, felizmente, embora sua origem não seja nobre, você parece limpo e não lhe causará nenhuma doença. Quando ela se cansar de brincar, vocês poderão... separar-se em bons termos.
Xie Xiaobei não acreditou no que ele dizia.
Vendo sua expressão, Zhou Zhengnan sorriu.
— Quando ela se formar na universidade, nós nos casaremos. Nosso entendimento é que, depois do casamento, não haverá mais relações desordenadas. Afinal, ambos teremos de preservar a dignidade um do outro.
Sob o olhar profundamente humilhado de Xie Xiaobei, Zhou Zhengnan tirou casualmente do carro um maço de dinheiro e enfiou-o no bolso dele.
— Ela gosta de limpeza. Da próxima vez que sair, não vá mais a lugares que cobram algumas dezenas por noite. Quando volta, ela sempre reclama comigo que são imundos.
A lembrança humilhante retornou.
O maxilar de Xie Xiaobei se contraiu. Ele ligou para a secretária Yang.
— Descubra... onde Shen Nanyi está.
— Atchim.
No quarto do hospital, Shen Nanyi, com uma compressa fria colada à testa, estava sendo examinada quando espirrou.
— É apenas um resfriado causado pelo calor. Felizmente, não houve insolação, e o efeito do medicamento no organismo também está sob controle. Depois que terminar a infusão, descanse bem e não haverá maiores problemas.
Depois que o médico saiu, Zhou Zhengnan, que permanecia ao lado da cama, olhou para ela com preocupação e dor.
— Como você conseguiu ficar nesse estado?
Shen Nanyi sorriu.
— Desta vez, foi graças a você. Você acabou de voltar do exterior e já está correndo de um lado para o outro por minha causa.
A expressão de Zhou Zhengnan era complexa.
— Antes, você nunca me dizia coisas tão formais.
— Antes... eu era apenas imatura.
Ao ver a jovem antes vivaz e radiante transformada naquela figura abatida e cautelosa, Zhou Zhengnan franziu profundamente a testa.
— Naquela época, eu deveria ter desistido da imigração e voltado, não importava o que acontecesse.
Naquele momento, porém, a família Shen já havia ruído, e seus pais o mantiveram no exterior, proibindo-o de se envolver novamente no atoleiro dos Shen.
Ele consolava a si mesmo pensando que, por pior que estivesse, a família ainda possuía alguma segurança para Shen Nanyi. Jamais imaginara, contudo, que o casal Shen — que enfrentara todas as dificuldades para abrir à força um caminho próspero — pudesse ser simultaneamente enganado pelos próprios amantes, terminando arruinado e com a família destruída.
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Shen Nanyi não queria falar muito sobre os assuntos da família.
Depois que a infusão terminou, ela se apoiou para visitar An Lan, que estava internada.
O estado de An Lan não era bom. A dor da laceração após a cirurgia a impedia de dormir. Pouco antes, o médico lhe aplicara um sedativo e, depois de trocar apenas algumas palavras com Shen Nanyi, ela adormecera.
Durante a conversa das duas, Zhou Zhengnan descobriu qual era o trabalho atual de Shen Nanyi.
Com o coração apertado, ele a tomou nos braços.
— Agora que voltei, não permitirei que você sofra novamente.
Shen Nanyi não sabia explicar o que sentia.
— Eu... na verdade, estou bem agora.
Embora não tivesse dinheiro, também já não tinha os pais opressores que a faziam sentir como se não conseguisse respirar.
Naturalmente, Zhou Zhengnan não acreditou.
Desde pequena, ela vivera cercada de conforto e privilégios. Agora, reduzida a trabalhar em um clube privado para sobreviver, como poderia dizer que estava... bem?
Zhou Zhengnan levou-a ao hotel cinco estrelas mais próximo.
— Vou encontrar uma maneira de comprar de volta a casa da sua família. Enquanto isso, você ficará comigo aqui.
— Eu e An Lan temos um alojamento para funcionários. Dividimos o mesmo quarto.
Ao ouvi-la mencionar o trabalho atual, Zhou Zhengnan sentiu dor de cabeça. Observando o rosto pálido dela, disse:
— Quanto ao seu trabalho, conversaremos depois que você descansar e se recuperar.
Apoiando Shen Nanyi, Zhou Zhengnan entrou com ela no saguão do hotel.
A escuridão das três da manhã refletia-se no Maybach estacionado a pouca distância. A janela estava parcialmente abaixada, revelando metade do perfil frio e sombrio de Xie Xiaobei.
Com certeza, era ele.
— Senhor Xie...
O gerente do saguão, que dava instruções à recepção, sentiu as pálpebras estremecerem ao avistar Xie Xiaobei e correu para se aproximar.
— Quantos quartos foram reservados pelas duas pessoas que acabaram de entrar?
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