Assim que saiu de casa, deparou-se com um confronto tão emocionante que, mesmo se morresse ali, já teria valido o preço do ingresso!
Mo Hao estava parado à beira da estrada, esfregando vigorosamente o rosto, tentando usar o toque e a dor para confirmar se aquilo era de fato real ou apenas uma ilusão.
Logo chegou a uma resposta inegável: ele havia atravessado para outro mundo.
Enquanto voltava para casa de ônibus, sentiu-se repentinamente envolto por uma vertigem intensa; o ônibus virou de lado. Felizmente, havia poucas pessoas no veículo e ninguém se feriu. Ele conseguiu rastejar para fora do ônibus.
E então presenciou uma cena que abalou completamente sua compreensão do mundo.
Algumas figuras lutavam ferozmente; cada uma saltava quatro ou cinco metros de altura, socos sendo desferidos causavam ondas visíveis no ar, e até mesmo mudavam de direção caminhando sobre o próprio ar, sem nenhum ponto de apoio.
O impacto dos golpes atravessava vários metros e era capaz de amassar completamente um carro, enquanto outros simplesmente pegavam carros pequenos e os arremessavam como resposta.
“Sociedade do Fim dos Tempos, vocês, canalhas sobreviventes, ainda ousam aparecer para causar ataques?!”
Entre eles, aquele que dominava a luta, vestindo um sobretudo branco, enfrentava vários ao mesmo tempo e ainda se esforçava para proteger os transeuntes inocentes das investidas.
Vendo isso, o outro grupo logo mudou de estratégia, tentando fazer com que o homem de branco gastasse o máximo de energia possível, forçando-o à exaustão.
“Li Chaowu, menos conversa fiada! Hoje, você vai morrer de maneira miserável!”
...
O impacto da batalha era tão intenso que, mesmo à distância, o vento cortante atingia Mo Hao como se fosse uma lâmina.
Foi então que percebeu que as outras pessoas que saíram do ônibus já tinham desaparecido de vista.
Eles sabiam como se preservar.
Mo Hao, ao se dar conta de que ainda estava em uma zona de perigo, preparou-se para fugir, quando, de repente, uma figura foi arremessada por uma força avassaladora, destruindo vários carros e rompendo a grade da calçada, até ficar cravada numa pedra do jardim, sangrando por todos os orifícios.
Aquele homem parecia ser um membro da Sociedade do Fim dos Tempos, responsável pelo ataque.
No instante em que Mo Hao o notou, o louco da Sociedade também o viu.
Os olhos injetados de sangue exalavam insanidade, causando arrepios.
Mo Hao captou imediatamente a intenção assassina daquele olhar: ele queria matá-lo!
Ali! Agora!
Era a loucura de uma besta ferida pronta para atacar qualquer alvo e, ao mesmo tempo, a malícia de querer abalar o equilíbrio mental de Li Chaowu matando um inocente.
A distância entre os dois era muito menor do que até Li Chaowu, que ainda estava ocupado com outros inimigos e não teria tempo de socorrer.
A intenção assassina e a loucura do adversário eram como uma lâmina apontada diretamente para a testa de Mo Hao.
“Maldição! Saio de casa e dou de cara com uma luta dessas, e ainda tenho que participar. Se for para morrer, ao menos valeu o ingresso!”
No momento seguinte, uma consciência estranha surgiu na mente de Mo Hao.
Um pensamento peculiar, uma sensação de poder aumentar sua própria letalidade, uma ideia extraordinária.
Sentiu que aquele pensamento poderia resolver o problema, que poderia torná-lo... forte!
Então decidiu aceitá-lo.
A loucura e a sede de sangue do inimigo estimularam Mo Hao ao ponto de, instintivamente, agarrar uma pedra caída e arremessá-la com precisão no olho direito do louco da Sociedade do Fim dos Tempos.
Seu instinto gritava que isso faria o inimigo... sofrer!
A pedra atingiu em cheio o olho direito, destruindo o globo ocular e tirando metade da visão do adversário.
Ao mesmo tempo, Mo Hao pegou uma barra de ferro caída perto de seus pés, provavelmente de algum carro, e, com todos os músculos tensionados, explodiu em velocidade e força, cravando-a com ambas as mãos na direção do inimigo.
O som do metal rasgando carne ecoou; o louco da Sociedade estava muito mais fraco do que aparentava, já à beira da morte, gravemente ferido pelo ataque direto de Li Chaowu.
Tão debilitado que até mesmo um estudante conseguia perfurá-lo com uma barra de ferro.
O olhar insano, agora de um só olho, recuperou um lampejo de lucidez pela dor, e, ao baixar os olhos, viu algo: um par de olhos.
O olhar que emanava sangue, loucura, ferocidade, e, ainda que fraco, uma sede de matar pura e cristalina.
Por um instante, o louco pensou estar diante de um espelho.
Não, estava errado.
Aquele jovem diante dele possuía uma fúria e loucura ainda mais intensas.
Como um filhote de tigre provando a carne pela primeira vez.
Logo, quando seus dentes crescerem, seu rugido ecoará pelas montanhas e assustará todas as feras.
“Ha ha ha ha! Maldição, justo aqui encontro um talento promissor, mas que pena... você me encontrou!”
Mesmo à beira da morte, àquela distância, ele ainda poderia arrastar consigo o jovem inexperiente antes de morrer.
Levantou a mão e desferiu um golpe mortal contra a cabeça de Mo Hao, uma mão capaz de rasgar a estrutura de aço de um caminhão sem esforço.
Se acertasse, o cérebro de Mo Hao se tornaria uma papa, pronta para ser servida.
No limiar entre a vida e a morte, o coração de Mo Hao pulsava como um tambor, adrenalina inundando seu corpo.
Não tentou fugir; não havia tempo, nem chance.
Arrancou a barra de ferro e, mirando o queixo do louco, golpeou com toda a força.
Olho por olho, dente por dente. Se o inimigo queria esmagar-lhe o crânio, ele iria triturar o cérebro do adversário.
Nenhuma hesitação, nenhuma fuga. Dois insanos, ambos sem saída, apostando tudo em uma balança mortal.
Não havia medo, pelo contrário, sentia-se... eletrificado!
A adrenalina explodiu; à beira da vida e da morte, a existência pressionada ao extremo em uma batalha desconhecida. Era isso que os excitava.
Excitação ao ponto do êxtase.
Você morre?
Ou eu vivo?
A barra de ferro perfurou primeiro o queixo do inimigo, mas não alcançou o cérebro. Nesse instante, a mão do louco já ocupava todo o campo de visão de Mo Hao.
“Garoto, você perdeu a aposta!”
Perdeu?
Na verdade, não.
Pois nesse momento, Li Chaowu já havia derrotado os outros inimigos e chegou a tempo de socorrer.
Com apenas um soco, ele quebrou o braço que ameaçava Mo Hao, tirando para sempre o uso da mão direita do louco.
Mo Hao, tomado por uma fúria e brutalidade desconhecidas, fez o corpo explodir novamente em força, cravando a barra de ferro no cérebro do adversário.
Menos de dez minutos nesse novo mundo e Mo Hao já havia tirado uma vida insana.
Com ferocidade, com violência, com loucura ainda maior.
Ao mesmo tempo, algo foi absorvido do corpo do louco da Sociedade do Fim dos Tempos, fluindo para dentro de Mo Hao.
No instante final, enquanto morria, o olhar da vítima cravou-se em Mo Hao, explodindo em um último ataque mental, tentando levar o jovem consigo para a morte.
O impacto psíquico foi tão rápido que nem Li Chaowu pôde interceptar, acertando Mo Hao em cheio.
A escuridão tomou conta como uma onda. Prestes a perder a consciência, Mo Hao viu surgir abruptamente diante de seus olhos três ícones, três símbolos que lhe eram bastante familiares.
Forno da Alma, Transferência de Energia, Força Dimensional.