12. Havia hienas tentando atacar furtivamente o tigre feroz.
Ao notar o olhar de Mo Hao direcionado para cá, as pessoas na entrada da viela imediatamente arregalaram os olhos e começaram a ameaçar. Essas pessoas tinham cabelos coloridos, usavam brincos nas orelhas, argolas no nariz e até piercing na língua, com punhais e facas presas na cintura. À primeira vista, parecia claro que não eram pessoas de boa índole.
“Será que neste mundo também existe terreno fértil para pequenos arruaceiros?” Mo Hao sabia bem o que eram esses grupos chamados de “bandidos das ruas”. Apesar de este mundo não ser o topo da cadeia alimentar para os humanos, ainda assim havia espaço para esse tipo de gente sobreviver. Logo ele percebeu que este lugar não era a Terra onde nasceu, nem aquele país pacífico e ordeiro. Aqui, humanos e bestas selvagens viviam em constante confronto, e de vez em quando ocorriam desastres naturais como a aparição súbita do “Reino Vazio”, que engolia pessoas sem aviso.
Num ambiente quase caótico assim, era natural que nos cantos onde a autoridade oficial não alcançava surgissem grupos cinzentos ou até mesmo sombrios. Em algumas regiões, esses grupos até mantinham uma certa ordem nas zonas cinzentas e negras locais.
As ameaças dos bandidos não intimidaram Mo Hao. “Amigos, podem me dizer por que querem bater nele?” Ele não queria se envolver em problemas desnecessários, mas justo naquele dia o sistema lhe dera uma missão complicada, e a pessoa que havia sido arrastada para a viela era alguém que ele conhecia. Era um colega da turma de elite, aquele que desistira da disputa para líder da turma ao ver Mo Hao lutando cada vez melhor.
Se não fosse pela desistência dele no começo, Mo Hao teria que lutar quatro ou cinco vezes para conquistar o cargo de líder da turma. Infelizmente, o bandido de cabelo vermelho não apreciou a gentileza de Mo Hao. Antes que pudesse terminar a ameaça, Mo Hao rapidamente levantou uma nuvem de areia, cegando o bandido que, então, recebeu um golpe forte no abdômen que o fez desmaiar instantaneamente.
A ação repentina pegou os dois guardas da entrada da viela desprevenidos. Quando o bandido de cabelo vermelho caiu inconsciente, o outro de cabelo amarelo só percebeu o que estava acontecendo quando Mo Hao segurou sua garganta com os dedos, prestes a esmagá-la. Um olhar mortal brilhou nos olhos de Mo Hao, que então puxou o cabelo do bandido e bateu sua cabeça contra a parede, fazendo-o desmaiar também.
Sem se preocupar com os dois bandidos inconscientes, Mo Hao avançou pela estreita viela, onde havia três inimigos no total. Dois deles espancavam seu colega, e o terceiro, de posição mais elevada, encostava na parede observando a briga.
Qual era o nome daquele colega? Parece que era Zheng Qiang, mas Mo Hao não se lembrava bem. Durante as apresentações, ele não prestara muita atenção nos nomes dos outros.
Ao perceber a aproximação de Mo Hao, o careca encostado na parede olhou para ele com um sorriso malicioso. “Garoto, quer se meter onde não deve?”
Mo Hao soltou o ar e partiu para cima. Sabia que, com sua aparência estudantil, poucas pessoas o levariam a sério, então decidiu usar algo universal para resolver a situação: força.
Com um impulso para frente, toda a sua energia se concentrou em um poderoso soco. O impacto ecoou, e o careca tentou bloquear com os braços cruzados, mas não conseguiu conter a força brutal e foi arremessado para trás.
A dor era intensa. Os braços do careca começaram a sangrar, pois sua pele havia sido rasgada pelos poros devido ao golpe feroz. Ele jamais esperava que o soco de Mo Hao fosse tão violento. E aquele não era o fim; Mo Hao ainda desferiu outro soco que cravou o careca contra a parede, comprimindo seu abdômen ao máximo e ferindo seus órgãos internos.
O careca cuspiu sangue e desmaiou, resultado da força contida de Mo Hao, que sentiu que, se houvesse usado toda sua força, o destino do adversário teria sido a morte por ruptura dos órgãos internos.
Somente depois disso os dois bandidos que espancavam Zheng Qiang reagiram, mas já era tarde demais: cada um levou um golpe certeiro na nuca e caiu inconsciente.
Após eliminar o grupo, Mo Hao se aproximou de Zheng Qiang, que estava coberto de hematomas e parecia muito maltratado.
“Está tudo bem?” Perguntou Mo Hao, ajudando-o a se levantar. Zheng Qiang era frágil, de corpo magro.
Enquanto o levantava, Mo Hao notou que, apesar das agressões, Zheng Qiang parecia experiente em apanhar, pois seu uniforme estava sujo de pó, mas as áreas vitais do corpo estavam intactas. Ele se encolhia para se proteger, o que limitava os ferimentos a apenas arranhões.
“Líder da turma?!” Zheng Qiang ficou surpreso ao ver Mo Hao. “O que você está fazendo aqui?”
“Vamos sair daqui primeiro.” Mo Hao olhou ao redor; os bandidos estavam desmaiados e não acordariam tão cedo, mas ficar no local do conflito não era seguro.
Zheng Qiang olhou para os lados, hesitou, mas depois mordeu o lábio e seguiu Mo Hao.
Após saírem da viela, encontraram uma loja de bebidas onde se sentaram. Mo Hao perguntou: “Quem eram aquelas pessoas?”
“Eles são do grupo Tielian.” Zheng Qiang abaixou a cabeça, não tocando na bebida gelada, preferindo usá-la para aliviar os hematomas. “Eles são muito violentos. Obrigado por me ajudar hoje.”
Mo Hao observou silenciosamente, sem insistir para saber por que o grupo Tielian o atacara. Se Zheng Qiang quisesse contar, já teria feito ao mencionar o nome do grupo. O silêncio indicava que ele simplesmente não queria falar.
Ele não insistiu e repetiu o que já dissera no ringue: “Se tiver problemas, pode me procurar.”
Dito isso, Mo Hao se levantou para sair da loja, mas ouviu a voz de Zheng Qiang atrás dele: “Líder da turma, tome cuidado com o grupo Tielian, eles são muito perigosos...”
Antes que terminasse a frase, Mo Hao já havia partido.
Em um mundo tão caótico, organizações cinzentas ou negras naturalmente tinham força, e não era nada incomum que espancassem estudantes que ainda frequentavam a escola.
Pouco tempo depois de sair, Mo Hao percebeu que algumas pessoas começaram a segui-lo. Sem fazer alarde, entrou no ônibus e fingiu não notar os indivíduos suspeitos que embarcaram pela porta traseira. Eram membros do grupo Tielian, que o seguiam de perto.
Mo Hao olhava pela janela, aparentemente alheio à presença deles se aproximando dentro do ônibus.