Capítulo Um: O Retorno sob a Luz da Lua
A lua brilhava alto no céu.
A luz fria e prateada descia dos céus até a terra, tornando aquela noite ainda mais silenciosa e solene.
Folhas de álamos balançavam suavemente.
Pá! Pá! Pá! Pá!
No ar, parecia haver espíritos batendo palmas, como em uma estranha celebração noturna.
Na mansão da família Ren, a mais poderosa de Vila Ren, um grito desesperado e agudo irrompeu repentinamente:
“...Ah!”
Não se sabia se era o sono profundo provocado pela escuridão da noite, ou se algum poder misterioso estava em ação.
Toda a família Ren permanecia em absoluto silêncio.
Todos pareciam mergulhados em sonhos, incapazes de ouvir aquele grito aterrador.
Tum! Tum! Tum!
Pesados sons de algo caindo no chão ecoaram, como se alguma coisa pulasse e aterrissasse com força.
“Pá... ding ding tum tum...”
Os tijolos azuis cuidadosamente colocados no telhado da mansão pareciam ser pisados por uma figura, despencando com um estrondo cristalino.
Logo após, uma silhueta caiu no meio da rua, com postura ereta:
“Tum! Tum! Tum!”
O som de sua queda era como o de um enorme peso atingindo pedras e terra, levantando uma nuvem de poeira ao redor.
Ao se olhar atentamente para aquela figura, percebia-se que ela estava completamente rígida, com os braços estendidos ao lado do corpo.
As unhas verdes reluziam à luz da lua, com quase três centímetros de comprimento, cintilando uma aura sinistra.
O corpo era inchado, como se tivesse sido inchado misteriosamente após passar muito tempo submerso.
O manto de oficial, desgastado e rasgado, cobria-lhe o corpo.
Mas, surpreendentemente, o chapéu de oficial, colocado de qualquer jeito em sua cabeça, permanecia firme, sem cair.
“Shhh... ha!”
Um suspiro áspero saiu de sua boca escancarada, exalando um hálito fétido, revelando dentes negros e dois caninos alongados.
Ao se observar o rosto, via-se que estava inchado e descolorido, mas, estranhamente, não apresentava sinais de decomposição, apesar dos pelos verdes espalhados por sua face.
Diante de tudo isso, vinha à mente uma criatura assustadora:
Um cadáver ambulante!
Depois de cuspir aquele hálito podre, o cadáver de rosto verde e dentes afiados olhou para as ruas em frente à mansão, como se reconhecesse o caminho.
Logo em seguida, de maneira absolutamente antinatural e inexplicável, começou a saltar adiante com as pernas rígidas, sem curvá-las:
Tum! Tum! Tum!
À luz da lua, parecia uma marionete com cordas invisíveis, saltando com os braços esticados, leve e rápido pelas ruas.
Era como se toda a vila estivesse sob seu domínio.
Tum! Tum! Tum! Tum Tum Tum!
Enquanto saltava, o cadáver aspirava o ar ao redor:
“Cheira... cheira...”
Cheirando à esquerda e à direita, parecia marcar território; seus movimentos, sob a luz fria da lua, tinham algo de inquietante.
Entretanto, naquele momento, um som cristalino de sinos de bronze começou a soar à distância, melodioso e envolvente, como se viesse de todas as direções:
“Tinlin tinlin... tinlin tinlin... tinlin tinlin...”
Ao ouvir esse som, o cadáver deu alguns passos para trás instintivamente, como se estivesse assustado.
Olhou para o fim da estrada, parecendo querer retornar pelo caminho que veio:
“Ha...”
Quando estava prestes a virar, um som de tosse grave ecoou ao longe:
“Cof cof... cof cof cof...”
A voz era velha, rouca, claramente de um ancião.
Surpreendentemente, ao som da tosse, os sinos continuaram a tocar, cada vez mais intensos.
“Tinlin tinlin tinlin! Tinlin tinlin tinlin!”
O som dos sinos acelerou, como se perseguisse o cadáver, seguido de um comando firme e envelhecido:
“...Pare!”
Então, algo extraordinário aconteceu.
O cadáver, que estava prestes a virar, ficou paralisado ao ouvir aquela palavra.
“Shhh... shhh... shhh...”
Rugidos abafados saíam de sua boca, indicando que estava lutando contra aquela ordem.
Seu tronco realmente começou a balançar em meio ao esforço.
“Tap... tap... tap...”
“Ploc... ploc... ploc...”
Passos ecoaram no final da estrada, acompanhados pelo som de um bastão batendo no chão.
Os sons alternavam, ritmados.
Ao longe, via-se um ancião magro, curvado, vestindo um manto azul claro, caminhando com ajuda de uma bengala de videira em direção ao cadáver.
Apesar da idade avançada, aparentando mais de setenta anos e necessitando do apoio do bastão, sua presença era de um verdadeiro mestre.
Mesmo diante do cadáver, mantinha-se sereno.
Os cabelos grisalhos estavam penteados cuidadosamente, presos por um grampo de madeira.
Seu olhar profundo era inesquecível, mesmo na escuridão da noite.
O cadáver, de costas para o velho, parecia ouvir seus passos e, quanto mais ele se aproximava, mais forte era sua luta:
“...Shhh... ha!”
No entanto, diante do cadáver cada vez mais instável, o velho não demonstrou temor algum.
Apenas apoiou-se firmemente na bengala, avançando lentamente, curvado:
“Ploc... ploc... ploc...”
O pequeno sino pendurado na bengala tilintava, como se respondesse ao esforço do cadáver.
Tinlin tinlin! Tinlin tinlin! Tinlin tinlin!
Quando o velho finalmente chegou diante do cadáver, este já conseguia girar o tronco.
Clac clac clac.
Ao ver o velho aproximar-se, tentou intimidá-lo, mas era fácil perceber seu medo:
“Shhh... shhh...”
Ao reconhecer o cadáver familiar, o velho magro olhou para ele como se reencontrasse um antigo amigo, cheio de emoção:
“Então é realmente Ren Weiyong... O tempo passa depressa, num piscar de olhos já se passaram vinte anos desde sua morte...”
Suspirando suavemente, o velho, chamado Song Feng, bateu a bengala e retirou o sino de bronze, pendurando-o no peito de Ren Weiyong.
“Embora nosso destino tenha se encerrado há vinte anos, desta vez voltei e preciso pedir algo a você.”
“Um cadáver com dons tão extraordinários como o seu, certamente possui uma energia corporal muito mais concentrada que os outros...”
Ao dizer isso, Song Feng mudou de expressão, adquirindo uma aura misteriosa.
Zas zas zas!
A bengala girou em suas mãos como uma lança, reluzindo com um brilho frio, e foi cravada com precisão na garganta do cadáver.
Pá!
Mesmo envelhecido, Song Feng mostrou uma agilidade e perigo excepcionais ao manejar a bengala.
“Rugido! Rugido! Rugido!”
Rugidos aterrorizados saíram do corpo de Ren Weiyong, preso pela garganta, mostrando todo seu pânico.
Tinlin tinlin! Tinlin tinlin! Tinlin tinlin!
Enquanto lutava desesperadamente, o sino pendurado em seu pescoço parecia tocado à força, soando cada vez mais rápido.