Capítulo dois: Um sopro emprestado
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— Não tenha pressa, não tenha pressa. Só vou tomar emprestado um sopro de energia cadavérica por um momento. Somos velhos amigos, não seja tão mesquinho...
Observando os desesperados esforços de Ren Weiyong, Song Feng soltou uma risada suave e, devagar, levou a mão direita ao peito, de onde extraiu um boneco de papel do tamanho de um polegar.
O boneco parecia ter sido recortado de papel branco — não havia uma única mancha de cor em toda a folha, mas de forma estranha era possível distinguir seu anverso e seu reverso.
Song Feng o segurou entre dois dedos e o posicionou na empunhadura do cajado de vime, próximo às suas próprias pontas dos dedos. Em seguida, expirou suavemente:
— Vai... vai lá~
Com aquele sopro, o rosto de Song Feng tornou-se instantaneamente pálido como cal.
E o que se seguiu foi surpreendente.
O pequeno boneco de papel, imbuído daquele sopro, pareceu ganhar vida própria — ergueu-se contra o vento com uma vitalidade desconcertante.
— Oh, oh, oh~
Logo em seguida, o bonequinho do tamanho de um polegar avançou cambaleando pelo cajado de vime que atravessava a garganta de Ren Weiyong.
Uuu~
Uma rajada de vento o levantou do chão, mas ele resistiu com tenacidade, agarrando o cajado com uma das mãos — tal como um guerreiro que, em meio à tempestade, luta bravamente para recuperar a própria vida.
Uma mão, depois as duas.
Quando ambas as mãos se firmaram no cajado, o boneco deu um salto no ar e voltou a pousar sobre a haste de bambu.
Desta vez, seus passos pareciam mais seguros e deliberados.
Song Feng observava o boneco fazer suas travessuras.
Depois olhou para o sino de bronze que tilintava freneticamente com cada convulsão de Ren Weiyong, prestes a se partir, e ordenou em voz baixa:
— Chega de brincadeiras. Vai trabalhar logo!
Ao ouvir o chamado de Song Feng, o bonequinho marchou com passos resolutos pelo cajado até alcançar a boca do cadáver ambulante.
Em seguida, apoiou as duas mãos nas bochechas esquerda e direita do morto-vivo e, boca a boca, começou a sugar-lhe o alento.
— Mmm... mmm... mmm...
Um gemido abafado ecoou sem cessar.
Vagamente, aquela massa de energia cadavérica esverdeada que pairara na garganta de Ren Weiyong foi sendo sugada para fora pelo bonequinho através da boca do morto.
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— Sss...
Após absorver aquele sopro, o boneco pareceu completamente saciado — a cabeça recortada em papel branco ficou visivelmente mais esverdeada num instante.
Com um gesto surpreendentemente humano, bateu no próprio peito:
— Cof, cof, cof...
No momento seguinte, aquela energia esverdeada desceu pelo pescoço do boneco e se instalou em seu ventre.
Por um instante, o bonequinho deitou-se exausto sobre o cajado, como se tivesse saído de uma batalha feroz.
Ren Weiyong já se debatia com violência, mas quando o sopro de energia cadavérica foi sugado de sua garganta, ele entrou em frenesi absoluto:
— Sss... Raaaah!!
Com seus espasmos, uma névoa avermelhada começou a emanar de seu abdômen, tornando sua aura cadavérica ainda mais densa e opressiva.
À medida que a energia do morto se intensificava, o sino de bronze — especialmente forjado para suprimir os cadáveres ambulantes — começou a oscilar como ondas gigantescas em meio a um vendaval.
Tilim, tilim, tilim! Tilim, tilim, tilim! Tilim, tilim, tilim!
O tinido ressoava sem parar, até que, num dado momento, como se tivesse atingido seu limite, emitiu um estalo agudo:
— Crack!
E então o sino que continha Ren Weiyong emudeceu, como se tivesse perdido a voz.
Ao olhar de perto, viu-se que o sino de bronze amarelo, gravado com runas e encantamentos, apresentava agora uma fissura que ia de cima a baixo.
— Raaaah!!!
Com um rugido furioso, liberto de qualquer restrição, Ren Weiyong soltou um grito aterrador em direção a Song Feng e então disparou em fuga para a floresta distante, tal como um rato diante de um gato.
Bum, bum, bum! Bum, bum, bum! Bum, bum, bum!
Sua velocidade era simplesmente assombrosa.
Song Feng observou a silhueta do cadáver ambulante se afastar e, devagar, apoiou o cajado de vime no chão.
O bonequinho, que absorvera um sopro de energia cadavérica e recebera o alento de Song Feng, trepou com vivacidade pelo cajado acima, subiu pelo braço do ancião e se escondeu dentro da dobra direita de sua veste.
Ao mergulhar para dentro, ainda espiou pela borda do tecido com uma curiosidade encantadora, como uma criança maravilhada com o mundo:
— ...Oh?
Song Feng sentiu o movimento em seu peito, deu uma leve palmadinha na cabeça do bonequinho com a ponta do dedo e o enfiou de volta para dentro.
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Em seguida, apoiando-se no cajado, caminhou passo a passo em direção ao velho templo do Deus da Montanha nas imediações da Vila Ren:
— Toc... toc... toc...
Porém, depois de apenas três ou cinco passos, não conseguiu evitar um ofego pesado. Parou para descansar um instante, depois continuou a caminhar.
Aquela figura encurvada parecia de fato a de um ancião septuagenário, com os movimentos tolhidos pelo peso dos anos.
Quando enfim chegou ao templo, ofegante e após longa caminhada, seus passos hesitaram.
Em seguida, empunhou o cajado com ambas as mãos e contemplou serenamente o velho templo do Deus da Montanha, já iluminado por lamparinas acesas:
— Que surpresa. O velho já caminhou tão longe, e ainda há quem queira segui-lo para encontrar a morte. Será que você realmente não teme morrer?
Ao dizer isso, Song Feng, sem o menor sinal de temor, avançou com passos lentos e deliberados até posicionar-se sob a estátua do Deus da Montanha.
Quando chegou diante da imagem sagrada, de trás do velho pano amarelo e desbotado emergiu um homem de meia-idade, vestido com tecido de juta, carregando uma cabaça negra nas costas, o corpo mirrado como galhos secos.
O homem esquálido examinou Song Feng de cima a baixo com olhos cautelosos. Ao perceber que o ancião não carregava coisa alguma consigo, soltou um suspiro involuntário de alívio:
— Mestre, faz tantos anos... Como o senhor chegou a este estado deplorável?
Ao reconhecer aquela silhueta familiar, Song Feng arqueou as sobrancelhas com leve surpresa. Então encostou o cajado na base da estátua do Deus da Montanha.
Da pilha de palha ao lado, retirou uma corda de palha já meio trançada e começou a trabalhar nela.
Enquanto trançava a palha, falou com voz pausada e distante:
— Fiquei velho, fiquei velho. Pensei que criar filhos fosse garantia de amparo na velhice, que reunir discípulos e aprendizes me permitisse passar os anos finais em paz.
— Quem diria que no fim seria apunhalado pelas costas pelo próprio discípulo. Agora não me resta nada — só trançar corda de palha para sobreviver...
Ao chegar a este ponto, fez uma breve pausa e lançou um olhar ao homem magro à sua esquerda:
— Jin Can... Não tinha ido para o Tibete? Como se lembrou deste velho agora? Não será que veio mesmo para cuidar de mim na velhice?
Ao ouvir as palavras de Song Feng, Jin Can esboçou um sorriso forçado, os cantos da boca rígidos, e respondeu com voz lisonjeira:
— Se o Mestre me honrar com sua confiança, cuidar do senhor na velhice seria uma honra para Jin Can. Só temo que meus parcos talentos não sejam suficientes para protegê-lo adequadamente...
Fez uma pequena pausa e, em tom levemente inquisitivo, continuou:
— Ouvi dizer que o Mestre viajou para o sul e sofreu várias tentativas de assassinato pelo caminho. Gostaria de saber se o senhor ainda é capaz de agir quando necessário...