Capítulo 2: Jin Changfeng

Após ir para o campo, usando o sistema de check-in para carregar as irmãs Jardim Nove 2357 palavras 2026-07-31 03:16:00

Ela, curiosa, tocou com a consciência e então viu ali uma caixa quadrada, alta e robusta.

No topo da caixa estava escrito: Pães de cereais, cem unidades.

Wen Xi jamais imaginara que, com um simples toque descuidado, conseguiria algo tão valioso.

Tantos pães dariam para ela e a irmã se alimentarem bem por vários dias.

Mesmo salivando, Wen Xi não ousou pegar os pães, limitando-se a olhar ansiosamente. Afinal, estava no trem; e se alguém a visse pegando objetos do nada? E se tentassem disputar com ela esse sistema de recompensas? Ou a vissem como uma criatura estranha e resolvessem puni-la, afogando-a ou queimando-a viva?

Ela já vira na televisão, em sua vida passada, como terminavam as concubinas que causavam desgraças ao país e ao povo: todas tinham destinos trágicos!

O desejo de comer despertou no estômago de Wen Xi, que mal podia esperar para provar o sabor do pão. Levantou-se em silêncio e caminhou sorrateiramente até o banheiro do trem.

Apressada, abriu a caixa, pegou alguns pães e os escondeu sob as roupas, saindo logo em seguida do banheiro.

Comer escondida no banheiro, isso ela realmente não conseguiria.

De volta ao assento, Wen Xi enfiou a mão por dentro da roupa, arrancou um pequeno pedaço do pão e colocou na boca. Ficou surpresa ao perceber que o pão era real, e ainda mais ao descobrir que o sabor do pão de cereais era superior ao dos pães brancos que já provara.

Naquela época, os pães brancos não eram feitos apenas de farinha refinada, mas sim de uma mistura de farinhas. Mesmo tendo uma condição financeira razoável, sua família não podia se dar ao luxo de comer sempre alimentos refinados. Afinal, eram muitos filhos: duas meninas, três meninos; comer só comida fina, impossível.

À meia-noite, como o sistema permitia um novo registro, Wen Xi temia esquecer durante o dia, então correu para realizar o procedimento.

Logo em seguida, um pequeno pacote caiu. Ela correu para verificar em "meu depósito" e ali estava, em letras douradas: Balas de leite Coelhinho Branco, um pacote!

Por pouco Wen Xi não saltou de tanta alegria. Jamais pensou que aquele sistema de recompensas traria algo tão precioso quanto as balas de leite Coelhinho Branco. Imediatamente, com a mente, abriu o pacote e enfiou um punhado de balas no bolso do casaco de algodão.

Quando esteve doente com febre alta, todos a ajudaram muito. Agora ela não tinha nada de especial com que agradecer, mas ao menos poderia dar uma bala Coelhinho Branco para cada um.

Ao garantir esse tesouro, Wen Xi sentiu-se plenamente satisfeita, mas não resistiu ao sono que se abateu sobre ela; bocejou longamente e, encostando-se em Shen Jiaojiao, fechou os olhos.

Na manhã seguinte, Wen Xi acordou em meio a uma agitação: todos no trem já estavam de pé, lavando-se, conversando, tomando café da manhã; o vagão estava animado.

Wen Xi entregou um pão de cereais macio para Shen Jiaojiao e Jiang Yue, um para cada uma. Shen Jiaojiao, ao apalpar, arregalou os olhos, surpresa:

— Xiao Xi...

— Shhh! — Wen Xi fez sinal de silêncio e sussurrou: — Acabei de encontrar esses pães na bolsa, talvez meu irmão tenha colocado escondido. Somos só três, cada uma come o seu, caladinha, sem contar nada para ninguém, para não correr o risco de alguém querer tomar.

Com tanta gente no trem, mesmo que ela tirasse todos os pães, não daria para cada um. Além disso, sua bolsa de comida era pequena, todo mundo sabia quanto cabia ali. Mostrar tantos pães de uma vez seria se entregar de bandeja.

Ao meio-dia, Wen Xi tirou as balas Coelhinho Branco do bolso e murmurou para os que estavam por perto:

— Da última vez que tive febre, vocês cuidaram de mim. Saí para o campo às pressas, não trouxe nada de especial, só metade de um pacote de balas Coelhinho Branco que restava em casa, então vou repartir: cada um pega uma, para adoçar a boca.

Em seguida, Wen Xi distribuiu as balas, um para cada um, recebendo agradecimentos de todos. Ela logo respondeu que não precisava agradecer, era ela quem devia agradecer.

Wen Xi também desembrulhou uma bala para si e colocou na boca. O sabor doce e cremoso se espalhou, uma sensação que há muitos anos não sentia.

— Xiao Xi, obrigada! — exclamou Shen Jiaojiao, radiante, colocando a bala na boca. O doce lhe enchia a boca e o coração de alegria.

Era mesmo uma sorte conhecer Wen Xi, caso contrário, provavelmente seria a primeira das moças da cidade a morrer de fome.

Depois de tantos favores recebidos, Shen Jiaojiao decidiu que dali em diante também ajudaria Wen Xi no trabalho. Desde pequena estava acostumada a ajudar em casa, era muito habilidosa. Indo para o campo, com sua ajuda, Wen Xi teria menos dificuldades.

Educar um ajudante por tanto tempo não era à toa; agora chegara a hora de retribuir.

A cada parada, desciam alguns jovens voluntários, outros subiam; o fluxo mudava, mas o número de pessoas no trem nunca diminuía.

Após cochilar um pouco, Wen Xi abriu os olhos e percebeu que, em vez de jovens voluntários, dois rapazes de uniforme militar sentavam-se à sua frente. Isso a surpreendeu um pouco — em sua vida passada, não se lembrava de nada parecido.

Ou será que, na vida passada, estava tão tomada pela raiva que sequer reparava nesses detalhes?

Wen Xi não resistiu e lançou mais alguns olhares para os dois militares. O que estava bem à sua frente tinha traços marcantes, nariz alto, olhar firme, feições extremamente simétricas.

O outro, ao lado, não era tão bonito, mas tinha a pele mais clara, traços mais suaves, transmitindo menos austeridade e sendo mais acessível que o primeiro, cuja expressão era fria e intimidante.

Depois de dois olhares, Wen Xi desviou o rosto, evitando chamar atenção ou ser confundida com alguém de má índole.

O homem de semblante frio, sentado em frente a ela, por sua vez, não conseguiu evitar de encará-la mais algumas vezes. Aquela jovem era mesmo muito bonita: rosto pequeno, pele alva e lisa, grandes olhos brilhantes que pareciam falar.

O nariz delicado parecia esculpido por um artista, e os lábios vermelhos, levemente comprimidos, lembravam cerejas maduras, reluzentes, despertando uma vontade irresistível de provar aquele sabor.

Era inegável: a jovem mexera com seu coração.

Pensou nos jovens de hoje, que se casavam todos por meio de encontros arranjados; se achavam conveniente, casavam-se e seguiam a vida juntos, sem grandes sentimentos, suportando até grandes defeitos do outro. Jin Changfeng não queria esse tipo de casamento.

Refletindo, Jin Changfeng se convenceu ainda mais de sua decisão.

Munido de coragem, Jin Changfeng finalmente falou:

— Olá, sou Jin Changfeng, desculpe a intromissão. Notei que vocês estão com grandes flores vermelhas no peito, são jovens voluntários indo para o campo?

Como o homem olhava para ela, Wen Xi assentiu:

— Sim, somos jovens voluntários indo para o campo.

Mesmo sem saber o nome dela, Jin Changfeng não se frustrou e continuou perguntando:

— Para onde vocês vão? Este trem chega amanhã de manhã à cidade de Heyuan. Vocês vão descer na cidade ou no condado?