Capítulo 9: Atirar uma pedra e acertar o próprio pé

Após ir para o campo, usando o sistema de check-in para carregar as irmãs Jardim Nove 2407 palavras 2026-07-31 03:16:05

Em sua vida anterior, ela morreu no final da década de oitenta. Sobre o futuro, ela não sabia de nada, mas, antes de renascer, leu um livro inteiro e, através da perspectiva do autor, compreendeu tudo o que estava por vir.

A sociedade futura se desenvolveria de forma esplêndida: cada família moraria em prédios altos, todos teriam seu próprio carro, e as pessoas comeriam carne em todas as refeições e usariam roupas novas diariamente. Existiriam também celulares e computadores; não importava a distância, bastava ter esses aparelhos para ver a outra pessoa e conversar face a face, como se estivessem lado a lado. Ela precisava se esforçar para viver até aquele tempo e desfrutar daquela vida.

Ao sair da agência dos correios, Wen Xi guardou discretamente os selos no armazém do sistema e seguiu em direção à cooperativa de suprimentos. O movimento ali já era consideravelmente menor do que antes. Ela deu uma volta, observou os produtos em cada balcão e, em seguida, entrou na fila. Enquanto esperava, retirou alguns vales do armazém do sistema. Sua família sempre a tratou bem, mas seu segundo irmão era quem mais a mimava; todo mês, ao receber o salário, ele lhe entregava todos os vales e parte do dinheiro. Pode-se dizer que, desde que o irmão começou a trabalhar, nunca faltou dinheiro a Wen Xi.

Ao se mudar para o campo, Wen Xi trouxe quase tudo de casa, então não precisava de muita coisa. No entanto, no meio rural, as relações interpessoais eram fundamentais. Se não quisesse ficar isolada e sem apoio, precisava se enturmar com os moradores. Por isso, comprou vários quilos de balas de frutas baratas; com elas, poderia conquistar as crianças da aldeia e ganhar alguns pequenos ajudantes.

Além disso, Wen Xi comprou um pacote de açúcar mascavo, um pacote de biscoitos de pêssego, quatro cadeados, três pares de sapatos de lona para o trabalho pesado, três pares de luvas de proteção e três pares de botas. Como aquela era uma região centro-sul, havia muitas sanguessugas nos campos de arroz; ela já tinha sido picada na vida anterior, por isso precisava estar bem prevenida desta vez.

Com as compras feitas, Wen Xi não perdeu tempo na cooperativa e saiu carregando os pertences. Assim que surgiu na calçada, viu, na entrada de um beco do outro lado da rua, uma senhora de aparência amarelada, com a cabeça coberta por um lenço, segurando uma menina com força. Com a outra mão, ela cobria o rosto da criança, ou melhor, tentava abafar sua boca. A menina estava bem vestida, com sapatos de couro delicados; claramente não era filha daquela mulher pobre, mas sim de uma família abastada. Wen Xi entendeu imediatamente: tratava-se de uma sequestradora.

— Sistema, sistema! Encontrei uma sequestradora, o que eu faço? — Wen Xi estava desarmada e certamente não seria páreo para a criminosa. Ir à polícia agora levaria tempo demais, e segui-la sozinha poderia colocá-la em perigo.

Nesta vida, ela queria viver bem! Observando a mulher corcunda correr para dentro do beco, olhando para trás de vez em quando, Wen Xi seguiu-a cautelosamente, mantendo distância.

— Hospedeira, deixe comigo — respondeu o sistema, agindo em seguida.

Wen Xi nem viu o movimento; apenas presenciou a mulher cair subitamente no chão, imóvel, como se tivesse desmaiado. A menina caiu dos braços da sequestradora, rolou duas vezes, sentou-se confusa e começou a chorar de medo. Wen Xi apressou-se a ajudá-la a levantar e, após uma inspeção rápida, não notou ferimentos. Parecia que o sequestro acabara de acontecer e a criminosa não tivera tempo de fazer nada.

— Pequena, você conhece essa pessoa? — perguntou Wen Xi, apontando para a mulher no chão. Era melhor ter certeza antes de acusar alguém, embora sua intuição dissesse que não havia vínculo algum entre elas.

A menina parou de chorar, olhou para o rosto da mulher e balançou a cabeça em pânico: — Não a conheço, ela me pegou à força, ela é má...

Ao ver o pavor da criança, Wen Xi a abraçou, acariciando suas costas para acalmá-la: — Está tudo bem, está tudo bem. A irmã já deu uma lição nela. Vamos levá-la à delegacia para que ela vá para a cadeia e nunca mais machuque ninguém, tudo bem?

A menina soluçou e respondeu: — Tudo bem.

Nesse momento, um jovem policial apareceu na entrada do beco, ofegante, com o suor brilhando na testa sob o sol. Wen Xi, que se preocupava em como chegar à delegacia, aproveitou a patrulha e aproximou-se com a menina no colo, dizendo em voz baixa: — Policial, encontramos uma sequestradora aqui. Ela acabou de usar um entorpecente para desmaiar esta menina...

Wen Xi ergueu o olhar e foi instantaneamente cativada. O homem à sua frente era belo e másculo, com uma ponte nasal alta e olhos profundos que pareciam transbordar afeto. Seus traços eram esculpidos e definidos, a pele bronzeada parecia saudável e atraente, e as pernas longas transmitiam força e energia. Embora Wen Xi ainda fosse jovem e não tivesse planos de se envolver, apreciar um homem bonito não fazia mal a ninguém; afinal, todos prezam pela beleza.

Enquanto Wen Xi o observava, o homem também a analisava, incapaz de desviar o olhar. Quando percebeu a intensidade da própria reação, forçou-se a recuperar a razão. Era inacreditável; alguém conseguira prender sua atenção sem que ele percebesse.

— Papai, a Lili quase foi levada por uma pessoa má! — A menina correu e abraçou a perna do homem, chorando de medo. — Foi esta irmã que me salvou, se não fosse por ela, a Lili nunca mais veria o papai.

Wen Xi não esperava que ele fosse casado, o que explicava seu ar de maturidade. Ainda assim, era comum se casar cedo naquela época; homens de dezessete ou dezoito anos já estavam no matrimônio. Sendo ele um homem de boa aparência e bom emprego, era natural que houvesse muitas interessadas.

Yan Zheng costumava pedir que a sobrinha o chamasse de "papai" na frente de outras mulheres para evitar mal-entendidos, mas, naquele momento, aquela voz soou como um nó em sua garganta. Ele mesmo tinha cavado sua cova. Yan Zheng agachou-se, abraçou a menina e disse com ternura: — Lili, fique um pouco com a irmã, o tio vai prender a pessoa má, está bem? Se ela acordar e fugir, não conseguiremos mais pegá-la.

Lili enxugou as lágrimas e assentiu, soluçando: — Está bem.

Yan Zheng levou a menina até Wen Xi e agradeceu sinceramente: — Camarada, obrigado por salvar minha sobrinha. Você não salvou apenas ela, mas toda a nossa família.

Seus irmãos trabalhavam em um instituto de pesquisa e Lili era a única filha; a menina ficava sob os cuidados dos avós. Se ela tivesse sido levada, seus pais viveriam com culpa e remorso pelo resto da vida, talvez adoecendo profundamente. Ele nem ousava imaginar o pior cenário. Por isso, sentia uma gratidão imensa pela jovem à sua frente.