Capítulo 7: Que sensação incrível
Wen Xi estava agachada no chão lavando os utensílios. A água gelada fazia suas mãos tremerem, e como não havia fósforos nem lenha para aquecer a água, ela não tinha escolha a não ser usar a água do poço.
Nesse momento, ouviu-se uma batida na porta. Wen Xi virou-se e viu um homem desconhecido empurrando um carrinho de mão carregado de lenha. Sem reconhecê-lo, levantou-se confusa, mas ao se aproximar, percebeu surpresa que se tratava de Jin Changfeng, agora vestindo roupas comuns do dia a dia.
— Camarada Jin, é você! — Wen Xi sorriu, um pouco sem jeito.
— Camarada Wen, quem você pensou que eu fosse? — Jin Changfeng olhou para ela com um brilho divertido nos olhos.
— Você tirou o uniforme militar e vestiu roupas civis; seu semblante mudou tanto que eu realmente não o reconheci!
Ao notar o embaraço dela, Jin Changfeng mudou de assunto:
— Camarada Wen, vi que vocês não tinham lenha, então trouxe um pouco, além de uma cesta de palha para acender o fogo. Assim, vocês poderão aquecer água à noite.
Wen Xi não esperava que toda aquela carga fosse para ela e sentiu-se imediatamente constrangida.
— Camarada Jin, muito obrigada! Nem sei como agradecer. Que tal eu lhe pagar? Quanto devo por toda essa lenha?
— Dois yuans — respondeu ele.
— O quê? — perguntou ela, desconfiada.
— Por este carrinho de lenha, dois yuans bastam. — Após explicar, ele levou a palha para a cozinha e começou a descarregar a lenha.
Wen Xi correu para ajudar, mas assim que tocou a madeira, sentiu uma pontada aguda no dedo e soltou um grito. Jin Changfeng aproximou-se rapidamente, pegou a mão dela e, ao ver uma pequena farpa cravada na ponta do dedo, sentiu um aperto de culpa. Como não tinha unhas compridas, tentou várias vezes remover a farpa, mas sem sucesso. Pediu que ela aguentasse firme e, usando as pontas dos dedos, conseguiu espremer a farpa para fora. Wen Xi sentiu lágrimas brotarem de dor.
Quando a farpa finalmente saiu, o coração de Jin Changfeng se acalmou. Ele pensou consigo mesmo que aquela garota da cidade era realmente delicada; chorar por causa de uma farpa. Ainda assim, não suportava vê-la sofrer, nem mesmo por algo tão pequeno.
Wen Xi recolheu a mão, envergonhada, e entrou na casa. O silêncio a surpreendeu. Ao espiar o quarto de Shen Jiaojiao, viu a garota dormindo sentada no chão, encostada na beira da cama. Wen Xi a ajudou a se deitar e a cobriu. Fez o mesmo com Jiang Yue, que também havia adormecido sobre a cama.
De volta ao seu quarto, Wen Xi pegou dois yuans de seu estoque secreto e entregou a Jin Changfeng. Ele aceitou sem hesitar; se recusasse, ela poderia evitar contato futuro, e ele queria manter as portas abertas.
Jin Changfeng tirou uma caixa de fósforos do bolso e entregou a ela:
— Como vocês acabaram de chegar, devem estar precisando disso. Fique com esta caixa.
— Camarada Jin, obrigada. — Wen Xi mal sabia como expressar sua gratidão por tanta ajuda de alguém que mal conhecia.
Ele não disse mais nada, empilhou a lenha no quintal e partiu com o carrinho. Embora quisesse ficar, não queria ser invasivo; preferia seguir um passo de cada vez para conquistar um lugar no coração dela.
Após fechar o portão, Wen Xi voltou ao poço, mas antes de terminar a tarefa, ouviu outra batida. Era o Capitão Qian, trazendo a ração das três: dez quilos de arroz, vinte quilos de batata-doce e vinte quilos de batatas para cada uma. Somando ao que Wen Xi já trouxera, elas teriam suprimentos suficientes por um bom tempo. Como ainda não tinham pontos de trabalho, ela optou por pagar pela comida, o que era mais barato e prático no vilarejo. Sem acordar as outras, pagou pelo que precisava e, mais tarde, compensaria exigindo mais ajuda de Shen Jiaojiao e Jiang Yue nas tarefas domésticas.
Com o portão trancado, ela encheu as panelas de ferro e acendeu o fogo. As panelas, que não estavam sujas, foram apenas escaldadas com água quente. Após preparar o suficiente para beber e se lavar, Wen Xi deixou um bilhete para as amigas ao lado de dois pães e foi descansar.
A cama estava gelada. Ela se deitou ainda vestida, esperando o calor do corpo aquecer o lugar antes de se trocar. Diferente de sua vida passada, onde o alojamento coletivo era uma tortura de falta de privacidade e medo de roubos, agora ela tinha um espaço só seu.
Ao olhar para o relógio de pulso — um presente de seu segundo irmão —, a saudade de sua família apertou seu peito, deixando-a com o coração dolorido. Ela sentia uma falta imensa deles.