Capítulo 7: A Estrategista de Aparência Ingênua

Cidade da Montanha Meia-Lua, Este Homem é Tóxico Yang Yanjia 2608 palavras 2026-07-31 03:16:26

Depois de desligar o telefone de Zou Chengjie, Yang An vestiu-se e saiu para jantar.

A Pousada Flor Dourada era um edifício de três andares. Ela estava hospedada no segundo e, ao descer as escadas, ouviu a voz da proprietária vindo do andar de baixo:

— Mao Meiqin, pare de ser hipócrita. Vá embora agora mesmo e não apareça nunca mais.

— Prima, não fique brava. A tia não aprova o relacionamento de vocês, eu nem sabia que você e Liu Min ainda estavam juntos. Além disso, o que aconteceu entre mim e ele naquele dia foi um acidente, ele estava bêbado.

Uma voz feminina sussurrava explicações.

Muita informação aqui, pensou Yang An, parando seus passos.

— Chega. Se você não tem vergonha, eu tenho. Repito: cuide da sua vida e não apareça mais na minha frente.

A mulher chamada Mao Meiqin implorou:
— Você nem veio ao meu noivado. Isso significa que quer cortar relações? Prima, não pode me perdoar pela consideração de termos crescido juntas?

Como resposta, ouviu apenas um bufo de desprezo.

Mao Meiqin suspirou:
— Eu também não imaginava que acabaria roubando seu namorado. Prima, mais uma vez, sinto muito. Estou indo.

Tsc, tsc. Essa "cobra" tem um nível de manipulação bem alto, pensou Yang An. Ela ouviu o som dos saltos altos se afastando e, após esperar um pouco, desceu.

Ao passar pela recepção, viu a proprietária com os olhos vermelhos e uma expressão de desolação.

— Fechamos às dez da noite, lembre-se de voltar no horário — disse ela ao ver Yang An saindo.

Yang An assentiu:
— Tudo bem, mas caso eu me atrase um pouco?

— Anote meu número. Quando chegar, informe o número do quarto e seu nome completo. Verificarei os dados e pedirei ao segurança noturno que abra para você — explicou ela pacientemente, apontando para um adesivo na parede.

Yang An gravou o número no celular e saiu.

Os habitantes de Yunnan adoram churrasco. A variedade é imensa; pode-se dizer que tudo é grelhável, e ali não era diferente.

Yang An perguntou a dois moradores locais no caminho, e ambos recomendaram unanimemente o Churrasco Huangbashan, localizado no cruzamento do canto nordeste, não muito longe dali.

Após cerca de dez minutos de caminhada, ela encontrou o local. O estabelecimento era grande, com dois andares, e o movimento era intenso. Como não havia mesas disponíveis no interior, os garçons montavam mesas extras na calçada.

Yang An encontrou um lugar vago ao ar livre e sentou-se. Quando o garçom trouxe o cardápio, ela, que já estava com muita fome, pediu:
— Moça, tem algo pronto? Traga alguma coisa para começar.

— Você é de fora, né? Nossas especialidades são o pé de porco, o pé de carneiro e vários vegetais. Já estão cozidos em conserva, são ótimos para comer assim, mas ficam ainda melhores se passarem na brasa — explicou a garçonete.

— Tem acompanhamentos? — perguntou Yang An.

— Temos: arroz salteado, linguiça de arroz glutinoso, bolinho de arroz Ma Jiao Hui e bolinho de arroz com açúcar mascavo.

Os olhos de Yang An brilharam:
— Quero uma porção de arroz salteado, e monte um prato de conservas para uma pessoa, com misturas de carne e vegetais como preferir. E traga uma cerveja.

Em pouco tempo, os pratos chegaram. O pé de porco cozido tinha uma cor avermelhada brilhante, a carne estava macia e o sabor era um tempero de cinco especiarias com um toque de picância, sem qualquer cheiro forte, apenas o aroma da carne. As conservas de raiz de lótus e batata também estavam deliciosas, com um toque picante e ácido, enquanto o rabanete e a cebolinha em conserva ajudavam a limpar o paladar.

O arroz salteado estava divino, com pedaços de carne curada, brotos de ervilha, conservas de vegetais e cebolinha, provavelmente temperado com o pimentão fermentado local. O sabor era rico, suave, fresco e levemente picante, exatamente como ela gostava. Yang An devorou tudo com gosto.

— Fiquem de olho. Daqui a pouco ela virá beber — uma voz feminina familiar sussurrou atrás dela.

Uma voz masculina rouca respondeu:
— Tem certeza?

A voz feminina transbordava um triunfo contido:
— Com o temperamento dela, sabendo do meu noivado, deve estar furiosa. Antes, quando ela ficava irritada, sempre bebia um pouco. Além disso, fiz outros preparativos; ela certamente virá comer aqui. Quando ela chegar, vocês agem conforme a situação.

*Ora, parece que alguém está armando*, pensou Yang An. Ela derrubou propositalmente o abridor de garrafas no chão e, ao abaixar-se para pegar, aproveitou para olhar para trás.

A dona da voz era uma mulher de traços delicados, aparentando uns vinte e cinco ou vinte e seis anos, vestida com um vestido bege justo de bolinhas e cabelos castanhos ondulados caindo até a cintura. Calçava saltos bege e parecia muito elegante. Seus olhos brilhavam com astúcia e um sorriso irônico brincava em seus lábios. Ao seu lado, estavam dois homens: um com o rosto cheio de cicatrizes de acne e outro com braços musculosos cobertos por tatuagens extravagantes.

Ela deveria ser Mao Meiqin. Yang An queria ouvir o que planejavam, mas eles baixaram tanto o tom de voz que não conseguiu captar mais nada.

***

Hua Jinling estava sentada diante do balcão, observando o movimento da rua, absorta em seus pensamentos. O telefone tocou; era sua mãe.

— Mãe.

— Jinling, venha jantar cedo hoje. Sua tia veio e quer falar com você.

A voz da mãe soava impotente.

— Não temos nada para conversar. Não irei à festa de noivado da filha dela, e você também não deve ir. Estou ocupada aqui, tchau — disse Hua Jinling, desligando.

Durante as celebrações de Ano Novo, Hua Jinling não compareceu às reuniões de família. Depois que a recepcionista se demitiu para se casar, ela não encontrou ninguém adequado e assumiu o plantão na pousada.

Sua tia, ao saber disso, sugeriu à mãe de Jinling que a prima, Mao Meiqin, assumisse o cargo. Jinling não queria, pois conhecia bem a prima: preguiçosa, ambiciosa e sem foco. Seria difícil de gerenciar.

No entanto, a mãe, por consideração à própria irmã, insistiu. Jinling acabou cedendo, mas deixou claro que, se Mao Meiqin não trabalhasse direito, seria demitida.

Surpreendentemente, Mao Meiqin mudou completamente: tornou-se dedicada, diligente e nunca reclamava. Os hóspedes elogiavam seu atendimento, o que trouxe um alívio a Jinling.

Meses depois, ao ver que Mao Meiqin continuava responsável, Jinling decidiu expandir seus negócios, indo investigar uma pousada em outra cidade. Durante sua ausência, a polícia recebeu uma denúncia de prostituição na pousada. Mao Meiqin foi flagrada em seu quarto com um homem.

Jinling ficou chocada. A camareira, hesitante, revelou a verdade: o homem no quarto era Liu Min, o namorado de Jinling.

A mãe de Jinling sempre fora contra o relacionamento, pois Liu Min era oito anos mais velho e divorciado, o que forçava Jinling a manter o romance em segredo. Agora, ele a traía com a prima.

Ao retornar, Jinling encontrou a pousada em caos. Mao Meiqin, envergonhada, não apareceu mais. Liu Min tentou pedir perdão várias vezes, mas foi expulso a vassouradas por Jinling. Sendo uma figura conhecida na região, Liu Min acabou desistindo por causa da humilhação pública.