Capítulo Dez: Expulso da Tribo
O corpo foi forçado a ser arrastado pelo chão, e logo um ardor intenso surgiu em seus quadris. Jiang Cha não esperava que Lin Ye fosse tão descarado, sem temor algum pelas regras do clã. No fim das contas, isso se devia ao fato de ela ser uma órfã, sem ninguém para ampará-la. Além disso, era uma mulher infértil, incapaz de trazer qualquer benefício ao clã, e relutante em entrar na caverna Pi; provavelmente até o chefe do clã desejava se livrar dela o mais longe possível.
Ela se esforçou para se levantar, tentando se libertar das amarras, mas diante de um orc macho com poder de combate de nível quatro, sua resistência era tão fraca quanto a de uma formiga.
— Seja obediente, você vai sair do clã por vontade própria ou quer que eu te nocauteie e te jogue fora? — Lin Ye falou com um tom ameaçador.
O barulho da remoção foi grande, mas Lin Ye logo se acalmou, lançando um olhar frio e cortante sobre ela, como se quisesse dilacerá-la. Jiang Cha, tremendo, levantou-se do chão sem entender de onde vinha tanto ódio, mordendo o lábio inferior e dizendo: — A pureza dos orcs é tão importante assim? Já disse que amanhã não verei mais Lin Bei, então por que o tio Lin quer me pôr em perigo?
Ela tinha planejado se encontrar secretamente com alguém no dia seguinte, mas vendo a postura de Lin Ye, temia que sua vida não resistisse até que a gravidez fosse descoberta.
O período de gestação dos orcs da tribo dos ratos dura apenas um mês, e em cerca de dez dias a gravidez já é visível, além de ser possível detectar sinais claros da gestação. Porém, ela acabara de engravidar naquele dia; mesmo que dissesse que já estava grávida, nenhum orc acreditaria.
Lin Ye rangeu os dentes com raiva e disse: — Uma fêmea tão libertina como você, a pureza não importa. Meu filho não é como você; ele é um orc que consegue suportar o cio sozinho, escolhido por Liuli para ser seu marido orc. Mas agora, tudo foi arruinado por você, essa cadela barata. Se eu não tivesse te matado na hora, já teria sido uma gentileza para com seus pais.
Jiang Cha ficou sem palavras.
Então era por isso que Lin Bei fora escolhido pela filha do chefe do clã; não é de admirar que o pai dele desprezasse uma órfã como ela. Agora, seu status de mulher infértil só dava mais razão para que ele a menosprezasse.
Ela pensou que havia encontrado o orc mais fácil e conveniente para se relacionar, mas isso só trouxe mais problemas.
Jiang Cha suspirou, apoiando a mão na cintura, resignada, e começou a caminhar para fora.
Seus pais haviam morrido lutando contra a invasão dos orcs para proteger o clã, e Lin Bei estava entre eles.
— Menina Jiang, não me culpe pela dureza do meu coração. Meu filho já despertou há três anos, mas seu poder permanece no nível um; ele é considerado um inútil pelo clã. Finalmente conseguiu uma boa parceira, mas você destruiu isso. Se você não sair hoje, a vida do meu filho estará arruinada por sua causa — Lin Ye falou, olhando para o passo trôpego dela, seus olhos mostravam um lampejo de piedade, mas sua determinação era maior.
— E se eu não fosse infértil, tio Lin me aceitaria? — ela perguntou.
— Impossível, o sumo sacerdote não se engana — respondeu ele.
— E se... eu quiser dizer...
— Não há “e se”. Mesmo que não fosse, eu escolheria Liuli.
— Espero que o senhor não se arrependa da decisão que tomou hoje.
— Hmph, eu só me arrependo de não ter te expulsado mais cedo! — Lin Ye resmungou.
Assim que terminou de falar, parecendo impaciente com a lentidão dela, ele se virou e a carregou nos ombros, correndo rapidamente em direção à fronteira do clã.
Jiang Cha sentiu novamente a dor da fragilidade. Queria usar a adaga do espaço para acabar com aquele velho, mas ele era o pai de Lin Bei, o único familiar que mostrava alguma bondade para com ela, além de ser um orc macho de nível quatro. Se não o matasse com um golpe, quem morreria seria ela mesma.
Ela fechou os olhos, escondendo a raiva assassina.
Não importava, agora ela tinha um espaço pessoal e a adaga; mesmo que fosse jogada fora do clã, teria meios de se proteger e não seria uma presa fácil.
Jiang Cha se consolou mentalmente.
A viagem turbulenta logo cessou.
Com um baque, ela foi jogada na grama.
— Estamos perto da tribo dos coelhos, e há poucos animais selvagens aqui — Lin Ye falou, erguido ao seu lado, tirando de seu peito um pacote e jogando-o para ela, como se fosse uma esmola. — Isso é carne seca, vai durar dois dias. Não volte, ou não me importarei de te fazer encontrar seus pais mais cedo.
Jiang Cha, faminta, segurou a carne com cuidado e não recusou o alimento.
Quando levantou a cabeça, a figura diante dela já havia desaparecido.
Ela estava realmente sozinha agora.
Ao redor, havia apenas uma densa floresta e ervas verdes.
A luz branca da lua refletia sobre a superfície do lago próximo; a noite era realmente bela.
Jiang Cha contemplou a luz da lua por um tempo até que a dor em seu corpo a lembrasse de seu desconforto.
Ela abriu o mercado de pontos do sistema; apesar de ele não estar presente, o mercado ainda podia ser usado.
Procurou por poções e, para sua surpresa, havia muitas.
Um remédio caro chamou sua atenção.
[Pílula de Ressurreição: 100.000 pontos]
[Efeito: Revive cadáveres mortos há menos de três meses]
[Informação adicional: O hospedeiro também pode usar; pontos serão descontados automaticamente após a morte.]
Jiang Cha ficou animada; isso significava que, enquanto tivesse pontos, teria uma vida extra.
Mas sua empolgação esfriou ao ver o saldo de seus pontos.
Gastou 20 pontos para comprar um remédio básico para energia e sangue, capaz de curar ferimentos leves.
Assim que tomou, sentiu o corpo relaxar, as feridas nos quadris cicatrizarem e as dores desaparecerem.
Era realmente um remédio milagroso!
Recuperada, tirou a adaga do espaço e esculpiu um longo pedaço de madeira para usar como bastão para explorar o caminho.
Embora nunca tivesse saído do clã, Jiang Cha ouvira outras histórias sobre a floresta à noite, onde diversas feras surgiam inesperadamente: cobras venenosas, aranhas tóxicas e escorpiões venenosos, todos perigosos.
Se fosse mordida, e não chegasse ao sumo sacerdote em uma hora, morreria imediatamente.
Portanto, a floresta à noite era o lugar mais perigoso.
O único alento era que grandes feras raramente apareciam à noite.
Ela buscou imediatamente ervas repelentes contra venenos e insetos, aplicando em todo o corpo para se proteger.
Vistoriou a vegetação em um raio de duzentos metros e, além de uma centopeia vermelha do tamanho da palma da mão, não encontrou outras criaturas venenosas.
Aliviada, matou a centopeia e a guardou no espaço para usar como remédio.
Depois, colheu algumas verduras selvagens comestíveis, lavou-as à beira do lago e começou a comer, junto com a carne seca.
De repente, um som de água chamou sua atenção.
Uma sombra longa e negra flutuava rio acima, e Jiang Cha, assustada, levantou-se e recuou vários passos.
Um leve gemido abafado se ouviu na noite enquanto a sombra lutava para subir na margem.
Jiang Cha segurava o bastão, vigilante, olhando para a figura negra, sem se aproximar, e ordenou com voz firme:
— Não se aproxime ou eu vou te matar com isso!
A tribo dos coelhos não ficava longe dali, mas ela duvidava que coelhos saíssem para se banhar à noite.
O rio seguia para a região oeste, onde as guerras eram constantes.
Aquela criatura provavelmente era uma das feras selvagens e belicosas daquela região.
— Por favor, não me bata! — ouviu um pedido de súplica.