Capítulo Onze: A Árvore Frutífera, o Fruto do Espírito de Fogo
Na manhã seguinte, a chuva já havia cessado, e as gotas continuavam a cair lentamente sob o beiral do pátio. No monte atrás da casa, diversas plantas espirituais já cresciam, atraindo discretamente alguns pássaros espirituais. Alguns deles pousavam nos ramos robustos das árvores frutíferas, chilreando alegremente enquanto saltavam de galho em galho.
Sang Yu despertou ao som desses cantos, enquanto Ling Wu, sem que ela percebesse, já estava acordado e provavelmente havia saído para brincar em algum lugar.
Após trocar de roupa, Sang Yu procurou em sua pulseira de armazenamento uma faixa de cabelo cor-de-rosa para prender seus longos cabelos negros e sedosos. Ela não sabia como fazer penteados elaborados, mas amava seus fios escuros e preferia mantê-los presos com uma simples faixa todos os dias.
A antiga dona desse corpo era conhecida como a mulher mais bela do mundo dos cultivadores imortais, naturalmente dedicada à beleza. A maioria das roupas e acessórios na pulseira de armazenamento eram belos e numerosos, algo que Sang Yu apreciava, pois podia trocar de roupa frequentemente e sentir-se elegante.
Ao sair de casa, avistou Yan Qingjin sentado à mesa de pedra, vestindo um traje branco, com longos cabelos presos por uma simples agulha, sua aparência era como a de um imortal exilado, de uma beleza singular e uma aura fria e distante que emanava dele.
Yan Qingjin olhou para Sang Yu assim que ela apareceu. A jovem trajava um vestido branco de seda, com rendas cor de rosa suave na barra. Sua pele alva e cabelos negros, o rosto delicado com sobrancelhas desenhadas como pinturas, lábios suaves em tom rosado, e olhos límpidos como um cervo na floresta encantaram o olhar de Yan Qingjin.
— Sang Yu — chamou ele com voz cristalina, tão suave quanto jade, para ele, apenas dizer seu nome era uma saudação.
Sang Yu respondeu com suavidade e clareza:
— Bom dia, amigo Yan!
Ele parecia sempre chegar cedo demais.
Yan Qingjin se aproximou e, a poucos passos dela, estendeu-lhe uma planta espiritual que havia colhido no dia anterior.
— Para mim? — perguntou Sang Yu, com os olhos cheios de dúvida.
Yan Qingjin assentiu.
— Não consigo mantê-la viva, então te dou.
A planta ainda exibia flores frescas, e suas raízes estavam envoltas em terra úmida e fértil, nada parecia indicar que estivesse morrendo.
— Mas essa planta não parece estar murchando... — disse Sang Yu, hesitando em aceitar, afinal, não eram tão próximos para ela aceitar algo tão facilmente.
Yan Qingjin apertou os lábios.
— O qi espiritual do meu lugar não é tão bom quanto o seu. Em poucos dias ela murchará. — De fato, o qi espiritual em sua caverna estava diminuindo, era melhor que ela cuidasse da planta.
Pensando nisso, Sang Yu concordou temporariamente e retirou um vaso de barro feito recentemente.
— Então deixa comigo, vou cuidar dela aqui. Quando quiser, pode vir buscá-la.
Yan Qingjin não se opôs, pois não tinha intenção de levar a planta de volta.
O vaso tinha uma boca mais larga que o comum, ideal para plantar, e após fazer alguns furos no fundo, Sang Yu colocou a planta com a terra e usou sua técnica de rejuvenescimento para revitalizá-la. Ela sorriu ao ver a planta ganhar ainda mais vigor do que antes.
O olhar de Yan Qingjin, tão escuro quanto tinta, expressava aprovação. Realmente, o poder espiritual de Sang Yu era muito mais forte; o qi na caverna dele não tinha o mesmo efeito.
Depois de deixar a planta em ordem, Sang Yu se preparou para aplicar a técnica de rejuvenescimento nas outras plantas que cultivava no terreno. Como havia chovido, o solo ainda estava úmido, dispensando rega.
— Vai ver as outras plantas? — perguntou Yan Qingjin, parecendo adivinhar sua intenção.
Sang Yu assentiu, e juntos foram para o fundo do pátio.
Ao passarem pelo riacho, notaram pequenas folhas verdes brotando, realçando a pureza da água. Ling Wu não estava por perto; Sang Yu olhou ao redor, mas não o encontrou.
Após atravessarem o riacho, avistaram a vasta área onde as plantas espirituais cresciam. No entanto, mesmo assim, não chegavam a ocupar nem um quarto do monte.
Sang Yu não se desanimou; ela não era de se pressionar, preferia deixar as coisas fluírem — se não conseguisse plantar tudo de uma vez, faria aos poucos, contanto que as plantas crescessem.
Primeiro, foi conferir as quatro ou cinco acres de pomares. Em uma delas, flores brancas haviam desabrochado. Sang Yu tentou pegar um galho para examinar, mas superestimou sua altura e não conseguiu alcançar.
Foi a primeira vez que ela percebeu a peculiaridade de seu poder espiritual: em apenas três ou quatro dias, as árvores haviam crescido tanto!
A figura alta de Yan Qingjin apareceu atrás dela. Ele estendeu sua mão branca e longa, segurando o galho e aproximando-o do rosto de Sang Yu.
Ela sentiu um aroma delicado, vindo dele, que a fez quase esquecer-se de respirar.
— Quer ver as outras? — perguntou ele com uma aura suave que tocava a orelha delicada de Sang Yu, fazendo-a corar.
Nunca estivera tão próxima de um homem antes, e seu rosto ficou ruborizado. Tentou se afastar, mas suas costas colidiram com o peito firme de Yan Qingjin.
Assustada, deu um salto para trás, lançou um olhar rápido ao galho que ele segurava e desviou o olhar para outro lugar, gaguejando:
— N-Não precisa. Já reconheci, é uma pereira!
O rosto imaculado e resplandecente de Sang Yu, com cílios longos e levemente curvados, tremia levemente, despertando um sentimento estranho no coração de Yan Qingjin.
Ao visitarem as outras áreas, Sang Yu escolheu apenas as árvores com galhos baixos para evitar outra situação embaraçosa, e Yan Qingjin permaneceu silencioso atrás dela.
Após examinarem as cinco acres de pomar, Sang Yu conseguiu identificar as árvores que plantara dias antes: pereira, lichieira, macieira, ameixeira e mangueira. O solo fértil do mundo dos imortais, combinado com seu poder espiritual, permitia que as plantas florescessem e frutificassem fora das estações habituais.
Ao observar a área da lichieira, Sang Yu se surpreendeu ao ver que também havia lichias ali. As flores eram amarelo-esbranquiçadas, e seu aroma doce espalhava-se pelo ar.
Toda a área do pomar estava repleta de fragrâncias florais, e logo as abelhas viriam para polinizar as flores.
Depois de cuidar das árvores com sua técnica de rejuvenescimento, Sang Yu virou-se para as dez acres de terra cultivada ao lado.
— Oh! O que é isso? — exclamou ao ver uma das plantas espirituais.
Ao se aproximar, percebeu que as flores eram muito parecidas com as pimentas que tanto desejava. As flores tinham cinco pétalas brancas, as folhas eram largas no centro e pontudas nas extremidades — era mesmo uma planta de pimenta.
Lembrando-se da anotação na sacola da planta, Sang Yu leu que o fruto, chamado de Fruto do Espírito de Fogo, continha poder espiritual flamejante, que ao ser consumido poderia proteger contra o frio, além de ter um sabor picante.
Era, afinal, uma pimenta! Sang Yu sentiu vontade de rir para o céu, era como se tudo o que desejasse surgisse diante dela.
— Yan Qingjin, quando esse Fruto do Espírito de Fogo amadurecer, vou preparar para você o prato mais delicioso! — disse ela, radiante, nem percebendo que havia pronunciado o nome completo dele.
Observando a jovem tão feliz, os olhos escuros de Yan Qingjin brilharam com um tom misterioso, e ele respondeu com serenidade:
— Está bem.