Capítulo seis. O protagonista original dirige-se à montanha dos fundos.
Após uma refeição farta, tanto a jovem quanto a raposa sentiam-se estufadas. Ling Wu, em particular, estava deitada de costas sobre a mesa de pedra, com a barriga redonda e os quatro membros esticados, exibindo uma aparência encantadora.
Sang Yu lembrou-se de que possuía uma espreguiçadeira em seu bracelete de armazenamento. Retirou-a, posicionou-a no centro do pátio e, após realizar um feitiço de limpeza nos utensílios e no fogão, deitou-se na poltrona.
Enquanto a pequena raposa roncava sobre a pedra, Sang Yu, banhada pelo sol morno, semicerrava os olhos e observava o pátio. Planejava construir uma treliça para uvas, cultivar algumas flores e plantar hortaliças no terreno baldio atrás da montanha. O problema imediato, contudo, era a escassez de lenha; ela não poderia simplesmente continuar desmontando a cerca para alimentar o fogo.
Refletindo sobre isso, concluiu que deveria plantar árvores. Se fossem frutíferas, teria frutas para comer, e talvez as plantas espirituais que cultivasse também possuíssem a capacidade de purificar energias impuras.
— Será por causa daquela pérola? — murmurou para si mesma.
A pérola transparente que a acompanhara desde o mundo moderno fundira-se em sua consciência. Sang Yu sentia que sua capacidade de cultivar plantas espirituais na montanha estava diretamente ligada àquele objeto. Talvez pelo calor do sol, acabou adormecendo enquanto divagava.
A pele da jovem era como a neve. A luz solar, ao incidir sobre seu rosto, envolvia-a em uma névoa suave. Com os olhos fechados e as pálpebras tremendo levemente, ela emanava um ar de fragilidade cativante. Seus longos cabelos negros, como uma cascata, espalhavam-se sobre seus ombros delgados, e seus lábios rosados eram convidativos. Vestida com uma leve túnica branca, parecia uma divindade celestial, etérea e prestes a ascender, despertando um desejo incontrolável de protegê-la.
Jun Rusheng, parado do lado de fora, observava-a dormir há algum tempo. Aproximou-se em silêncio e sentou-se na cadeira de pedra ao lado da mesa. Vestido de branco, com uma postura elegante e um rosto belo e frio, seus profundos olhos amendoados fixavam-se na expressão serena da jovem, com um semblante indecifrável.
Ao notar a raposa espiritual de sexta ordem dormindo de patas para cima, Jun Rusheng franziu a testa, intrigado com o motivo pelo qual o poderoso Venerável Xiaoyao teria presenteado sua única discípula com um animal tão preguiçoso.
Ele aguardou pacientemente que Sang Yu despertasse. A luz do sol sobre os dois e sobre a raposa criava uma cena surpreendentemente harmoniosa. O tempo passou até que o sol começasse a se pôr atrás das montanhas. As pálpebras de Sang Yu moveram-se, e ela sentiu a presença de alguém.
Jun Rusheng já estava de pé, diante dela. Sang Yu olhou-o com olhos límpidos como vidro, as pupilas brilhantes e os lábios ligeiramente avermelhados. O olhar de Jun Rusheng tornou-se profundo e sombrio; ele não esperava que a jovem tivesse olhos tão puros, capazes de tocar o coração. Lembrou-se, então, da cena em que ela, ajoelhada no salão principal, olhou para ele com aqueles mesmos olhos úmidos.
Ao reconhecê-lo, Sang Yu despertou instantaneamente. Franziu as sobrancelhas delicadas e, antes que pudesse falar, ele se adiantou:
— Irmã júnior Sang, o mestre da seita pediu-me para ver como você está. Tem se adaptado bem aqui na montanha? — Sua voz era suave e gentil.
De fato, o mestre da Seita Taiyuan enviara Jun Rusheng porque os parentes do Venerável Xiaoyao, ao saberem do exílio de Sang Yu, foram à seita exigir justiça, querendo levá-la de volta ao clã. Como ela ainda era uma discípula interna, o mestre quis consultar a vontade dela.
Sang Yu levantou-se, segurando a pequena raposa adormecida, e respondeu com frieza:
— Agradeço a preocupação do mestre; estou bem, discípulo.
Observando a frieza da jovem e a raposa babando em seu colo, Jun Rusheng manteve o tom gentil:
— A outra razão da minha visita é que os parentes do Venerável Xiaoyao desejam levá-la. Como você não pode sair da montanha, o mestre quer saber o que você pensa a respeito.
Os parentes do Venerável Xiaoyao? Sang Yu refletiu. A relação do mestre original com eles era distante, embora enviasse recursos periodicamente. Antes de partir para suprimir demônios na fronteira, o Venerável não deixou instruções, apenas disse que o destino deles dependia de si mesmos. Aquela visita devia ser motivada pelos elixires e tesouros deixados para ela. Sem laços profundos com aquelas pessoas, ela não sabia quais eram suas reais intenções.
Olhando para Jun Rusheng, ela disse:
— Por favor, diga ao mestre que, como fui punida por um erro, não pretendo retornar ao clã.
Nesse momento, Ling Wu acordou. Ao notar a presença de alguém, manteve-se calada, apenas esfregando seu rosto peludo na bochecha de Sang Yu, o que suavizou a expressão da jovem.
Vendo aquele gesto doce, os olhos de Jun Rusheng brilharam com um leve sorriso:
— Nesse caso, não a incomodarei mais.
Sang Yu acompanhou-o até a saída. Ao vê-lo partir, pensou que, como o protagonista masculino já estava no estágio final de Núcleo Dourado, era prudente não provocá-lo. Além disso, surpreendeu-se por ele não ter tentado prejudicá-la por causa da protagonista feminina. Ela pretendia pedir que ele levasse um recado ao mestre solicitando alguns suprimentos, mas desistiu de qualquer interação, decidindo esperar pela próxima oportunidade de entrega de sementes.
Sem pensar muito, Sang Yu levou Ling Wu ao terreno baldio atrás do pátio e descobriu, maravilhada, que as sementes plantadas de manhã já estavam brotando.
— Mestra! Brotou! A mestra é incrível! — exclamou a raposa, radiante.
Sang Yu também estava exultante. Juntos, realizaram o feitiço de rejuvenescimento e buscaram água no riacho para regar o solo. Ela lembrou-se de que havia sementes de frutas no saco de armazenamento e as plantou em mais seis acres de terra que desbravou, finalizando com o mesmo feitiço. Ao todo, já havia cultivado dez acres.
Enquanto lavavam as mãos no riacho, Sang Yu sorriu:
— Em breve teremos frutas.
Dada a natureza especial de sua energia espiritual, o sabor provavelmente seria excelente. Se tivesse madeira, poderia construir uma treliça para uvas, um pensamento que a deixava animada. Com seu otimismo natural, ela não se preocupava com o que ainda faltava e seguiu alegremente para realizar outras tarefas.
Aproveitando o sol forte, Sang Yu colheu algumas ervas de rejuvenescimento para secar e preparar infusões, enquanto Ling Wu, um pequeno guloso, ajudava a colher e acabava comendo parte da colheita.