Primeiro Volume — Capítulo 18: Ciúmes 2
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Ao ouvir que Xu Yan parecia estar falando ao telefone e se aproximava naquela direção, Xu Yan puxou Xu Hao pelo braço, em pânico, e correu para o banheiro. Como uma mosca sem cabeça, encontrou uma cabine vazia e escondeu-se ali dentro.
Depois de infringir conscientemente as regras repetidas vezes, quase fora apanhada em flagrante mais uma vez. Naquele instante, o coração de Xu Yan trovejava. Ao ouvir os passos de Xu Yan entrando enquanto continuava ao telefone, percebeu, pelo som, que ele estava na cabine ao lado.
Xu Yan prendeu a respiração e, com os olhos arregalados de apreensão, levantou o olhar para a pessoa diante dela. Seus olhos encontraram os de Xu Hao. Na penumbra da cabine, aquele olhar que normalmente parecia não levar ninguém em consideração estava agora tão suave quanto uma nuvem.
Com todo o cuidado, Xu Yan ergueu os dedos ligeiramente curvados. Queria tocar aqueles olhos. Os cílios eram longos e espessos; será que eram falsos?
Cada vez mais perto, quase alcançando-os... Porém, no instante em que seus dedos tocaram a pálpebra de Xu Hao, ele estendeu a mão de repente e segurou-lhe o pulso.
Assustada com o movimento súbito, Xu Yan soltou o copo que segurava e recuou apressadamente, batendo contra a divisória e produzindo algum ruído.
Quando pensou que daquela vez certamente seria descoberta, Xu Hao estendeu a mão e aparou o copo que caía verticalmente. Com a outra mão, passou pelo seu quadril; o braço vigoroso puxou-a para a frente, fazendo-a colar-se ao corpo magro e firme de Xu Hao. Em seguida, ele a ergueu com um único braço.
A fotografia que passara rapidamente diante de seus olhos — ele a vira — despertara no homem, sempre tão desprovido de desejos, um ciúme amargo e uma sensação de injustiça.
Olhando para aquele rosto tão próximo, a mente de Xu Yan ficou completamente em branco, enquanto seu coração batia descontroladamente.
O pomo de adão de Xu Hao moveu-se de leve, e as pontas claras de suas orelhas adquiriram um tom avermelhado. Sem alterar a expressão, ele indicou a Xu Yan que olhasse para baixo.
Xu Yan baixou a cabeça. O espaço sob a porta da cabine não era muito largo, mas bastavam alguns passos para que, ao baixar os olhos, fosse possível ver os dois pares de pés no chão.
Assim, culpada, Xu Yan dobrou as pernas, que já não tocavam o chão, e passou os braços esguios pelos ombros fortes de Xu Hao, tentando distribuir melhor o peso do corpo.
Os passos do lado de fora, que pareciam prestes a ir embora, pararam apenas por um instante. Logo depois, a pessoa terminou de lavar as mãos e saiu.
Só então Xu Hao a soltou e a colocou suavemente no chão. As mãos de Xu Yan ainda estavam firmemente enlaçadas ao redor do pescoço dele. Ela o encarava sem sequer piscar, enquanto os dois permaneciam imóveis dentro da estreita cabine.
Xu Hao não ousava olhar diretamente para Xu Yan; seria fácil demais revelar o desejo que já começava a criar raízes e brotar dentro dele. Com voz baixa, disse:
— Já foi embora.
Só então Xu Yan soltou as mãos às pressas e baixou a cabeça, um pouco constrangida.
Com medo de ser pega em flagrante, saiu do banheiro curvada, como uma ladra. Apenas depois de confirmar que Xu Yan já havia se afastado é que respirou aliviada. De cabeça baixa e com o olhar inquieto, despediu-se de Xu Hao:
— Moço, vou indo. Ainda marquei de encontrar uns amigos.
Xu Yan acabara de se virar quando voltou a cabeça.
— Moço, não leve a sério o que meu pai disse hoje. Ele estava bêbado.
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— Então isto é um suborno?
Xu Hao ainda segurava o copo com os camarões descascados.
Xu Yan apertou os lábios e baixou os cílios.
— Não exatamente. Até mais.
Observando Xu Yan afastar-se na ponta dos pés, os cantos dos lábios de Xu Hao se moveram levemente, formando um sorriso com um toque de escárnio dirigido a si mesmo.
Ele nunca havia se sentido tão dividido. Queria aproximar-se de Xu Yan, mas também temia permitir que ela se aproximasse dele. Entretanto, quando finalmente estiveram perto, percebeu que não conseguia controlar a si mesmo. Bastara uma fotografia para que o desejo escondido no fundo de seu coração começasse a crescer de forma desenfreada.
—
Xu Yan havia combinado de visitar a exposição de lanternas com Ji Xiaofei, Wang Peipei e algumas outras garotas. As ruas estavam apinhadas de gente, tão cheias que mal se podia passar, e nem sequer era possível tirar fotografias. Depois de passearem sem rumo por algum tempo, decidiram procurar um lugar para sentar, comer alguma coisa e conversar.
Os estabelecimentos melhores já estavam lotados, com filas que pareciam não ter fim. Por fim, o grupo encontrou ao acaso uma barraca de rua menos movimentada e sentou-se para comer espetinhos.
As garotas bebiam refrigerante, mordiscavam os espetinhos e conversavam sobre assuntos de interesse comum. O ambiente era agradável e descontraído.
Dois rapazes da mesa ao lado, carregando latas de cerveja, forçaram-se a aproximar-se. Aproveitando-se do álcool, fingiam estar descontrolados e começaram a provocar contatos físicos.
Xu Yan afastou o rapaz que se inclinava em sua direção e levantou-se, repreendendo-o:
— O que você está fazendo?
Ji Xiaofei, Wang Peipei e as outras garotas também se levantaram, xingando:
— Parem de fingir que estão bêbados e malucos aqui! Não pensem que eu não sei de que escola vocês são!
— Vocês, da escola profissionalizante, não têm vergonha? Vão embora!
— Ora, ora, que mau humor no Ano-Novo! Não estamos apenas juntando as mesas para comer espetinhos? Com mais gente fica mais animado!
O rapaz de cabelos amarelos abriu um sorriso insolente e tentou segurar a mão de Xu Yan.
— Venha, sente-se. Hoje eu pago.
— O que você está fazendo? Solte-me!
Xu Yan afastou a mão do rapaz e imediatamente tirou o celular da bolsa, fingindo discar para a polícia.
— Já chamei a polícia.
Ao ver a situação, o dono da barraca correu do caixa para tentar apaziguar os ânimos. Percebendo que não conseguiriam levar vantagem, os dois rapazes assumiram uma expressão séria, viraram-se, pagaram a conta e foram embora.
—
Xu Hao estava com o rosto sombrio. Parado na entrada do beco, parecia um demônio da guerra recém-saído do inferno, carregando uma assustadora aura de sangue.
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Um dos rapazes o examinou com um sorriso malicioso. Além de parecer frágil e incapaz de resistir a um sopro, estava sozinho contra dois — não seria uma presa fácil?
Os dois trocaram um olhar e avançaram contra Xu Hao. Golpes baseados apenas na força bruta, desordenados e sem qualquer técnica, eram algo que ele não via havia quatro anos.
Sem fazer o menor esforço, Xu Hao derrubou um deles com um chute de sua perna longa e vigorosa. Em seguida, agarrou o rapaz de cabelos amarelos e aplicou-lhe um perfeito golpe por cima do ombro — rápido, forte e preciso. Do beco escuro e úmido, ergueu-se um grito lancinante.
O Range Rover preto estava parado à margem da rua, com as janelas fechadas. Encostados à porta do carro, A Wen e Zhao Quan fumavam. A Wen parecia prestes a ranger os dentes até quebrar os molares.
— Eu realmente não consigo engolir esta raiva. Mesmo que o deixe escapar...
Zhao Quan apagou o cigarro pela metade e lançou um olhar a A Wen. Abriu a porta do carro, tirou um casaco e caminhou depressa na direção de Xu Hao.
Depois de colocar o casaco sobre os ombros dele, pegou um lenço umedecido desinfetante e começou a limpar suas mãos, dizendo com cautela:
— Para coisas pequenas assim, você poderia simplesmente mandar Jack e os outros cuidarem disso. Não havia necessidade de sujar as próprias mãos.
Xu Hao não lhe deu atenção. Pegou o lenço e limpou cuidadosamente o pouco de sangue que havia em suas mãos. Sob a luz dos faróis, Zhao Quan percebeu que havia surgido uma quantidade considerável de manchas vermelhas nos pulsos e no pescoço pálidos de Xu Hao. Imediatamente alarmado, perguntou com expressão grave:
— É um efeito colateral dos remédios que você tem tomado ultimamente?
Xu Hao jogou o lenço usado na lixeira e respondeu com indiferença:
— Apenas uma alergia.
— Você comeu frutos do mar?
As sobrancelhas de Zhao Quan se franziram ainda mais. Depois de abrir a porta do carro para Xu Hao, instruiu os outros a cuidarem do restante da situação e entrou em contato rapidamente com o médico particular dele.
Assim que entrou no carro, Zhao Quan disse:
— Mandei prepararem bolinhos de arroz do Festival das Lanternas para você. Sei que não gosta de coisas doces e glutinosas; considere apenas uma forma de celebrar a ocasião.
— Gostou dos fogos que A Wen soltou para você da última vez?
A Wen também se virou sorrindo para Xu Hao:
— Desta vez pedi que preparassem mais fogos azuis. Mais tarde, eu mesmo os soltarei para você.
Xu Hao não respondeu. Fechou os olhos e apoiou-se no encosto do banco.
Embora Xu Yan normalmente usasse uniformes escolares folgados, ainda era possível perceber que era muito magra. Mas só ao carregá-la naquele instante ele se dera conta de que ela era ainda mais magra do que imaginava. Sua cintura tinha apenas a largura da palma da mão dele; era tão esguia que ele conseguia erguê-la facilmente com um único braço.
No banheiro, seu comportamento fora motivado por um leve ciúme provocado pela fotografia que passara diante de seus olhos. Quando eram crianças, Xu Yan também gostava de pendurar-se em seu pescoço daquela maneira, sem motivo algum. Naquela época, ele desejava desesperadamente usar gestos familiares para fazê-la se lembrar dele e romper o vínculo com Gu Yuhang.
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