Volume Um Capítulo 7 Então vamos nos encontrar
A noite já havia tomado a cidade, as luzes começaram a se acender, cintilando entre néons vibrantes e sombras das construções que se misturavam ao escurecer.
Um Maybach preto com as luzes de emergência piscando parou ao lado da rua. Zhao Quan desceu do carro e abriu a porta. "Xu Changhai já foi para Hainan esta manhã."
Xu Hao tinha uma expressão fria, com olhos afiados como lâminas, lançando um olhar sobre aquela residência iluminada e esplendorosa. Um lar destruído, uma família despedaçada, esposa separada — finalmente, tudo estava prestes a acontecer.
Ele estava ali para se despedir para sempre da mãe que o gerou e depois o abandonou. A partir daquele momento, vida e morte nunca mais se encontrariam.
E naquele lugar, ele não queria passar um segundo a mais.
“Ah Hao,” chamou Zhao Quan.
Xu Hao lançou-lhe um olhar de soslaio; seus olhos, marcados pelo contraste entre preto e branco, pareciam olhos infernais que ninguém ousava encarar diretamente.
“Não seja impulsivo,” Zhao Quan aconselhou, apesar da pressão quase sufocante.
Depois que Xu Yan soube pela mãe que Xu Hao voltaria para o jantar naquela noite, ficou esperando na porta. Às oito e meia, o elevador se abriu com um toque, e Xu Yan, com o rosto frio como gelo, fixou o olhar naquela figura que saia do elevador. Quando Xu Hao se aproximou, Xu Yan o agarrou violentamente pela gola da camisa, encostando-o contra a parede e perguntando com voz dura e severa: “O que você quer afinal?”
Xu Hao olhou profundamente para as mãos que o seguravam — mãos feitas para segurar uma caneta, mas naquele momento, quase com toda força que tinham, as veias saltavam.
Ele realmente detestava qualquer toque alheio. Um sorriso desdenhoso e frio surgiu em seus lábios, seus olhos ficaram ferozes e cruéis num instante. Revertendo a posição, agarrou o braço de Xu Yan e o pressionou contra a parede. Sua voz ecoou no ouvido de Xu Yan, tão fria e ameaçadora quanto uma serpente pronta para atacar: “Dizem que você será o orgulho da família Xu, mas parece que não passa de um nada!”
Xu Yan tentou resistir, rangendo os dentes, sabendo que não tinha chances contra ele. “É melhor você se comportar, ou eu não vou te poupar!”
Xu Hao riu de forma sinistra e declarou: “Quem não vai poupar quem, afinal?”
“Você nem terá chance de revidar,” disse Xu Hao soltando o braço de Xu Yan, deixando para trás um sorriso que gelava a espinha e entrou na casa.
Depois de tantos anos, finalmente ver Xu Hao novamente fez com que a mãe dele perdesse o controle da emoção. Seus olhos, embaçados pelas lágrimas e pelo tempo, não desgrudavam do filho. Ele era aquele bebê prematuro, nascido com menos de 27 semanas e pesando apenas 1030 gramas, que passou 100 dias na incubadora, sempre entre a vida e a morte, até finalmente voltar para ela.
Num piscar de olhos, cresceu mais alto que ela, enquanto ela quase perdeu toda a sua infância.
Com a mão trêmula, Xu Hao tentou tocá-lo, mas ele desviou. Suportando uma dor dilacerante, perguntou com dificuldade: “Nestes anos, seu pai e sua mãe foram bons com você? Te bateram ou xingaram?”
“Mamãe sentiu muita falta de você. Seu quarto sempre ficou reservado, limpo todos os dias… só esperando te encontrar logo.”
“Tudo foi culpa da mamãe, tudo foi minha culpa. Eu mereço morrer, como pude deixar você se perder...” Xu Yan, para evitar Xu Yan, trancou-se no quarto ao chegar em casa, sem saber que Xu Hao voltaria para o jantar. Viu a mãe preparar muitos pratos e organizar tudo com a empregada durante a tarde, achando que tinham convidados.
Ouvindo o barulho na sala, curiosa, saiu de pijama e cabelo solto.
No final do corredor, sem querer, viu alguém sentado no sofá da sala. Mesmo vendo apenas as costas, Xu Yan ficou imóvel.
Xu Yan olhou para Xu Yan e, impaciente, passou por ele correndo em direção ao homem no sofá, sorrindo como uma flor, inocente e radiante.
Eles eram meio-irmãos por parte de mãe. Essa verdade foi descoberta por Xu Yan pouco depois do desaparecimento de Xu Hao, quando ouviu uma discussão entre seu tio e seu pai.
Sabendo que Xu Hao não era seu irmão biológico, ele fez de tudo para atrapalhar, desviando ligações, desligando chamadas que davam pistas, rasgando avisos de busca, até desejando que o irmão desaparecido sumisse para sempre.
“Maninho, por que você está aqui? Quando voltou? Por que não foi para a escola?” Xu Yan estava radiante, a felicidade transbordando em seu olhar.
“Maninho, você viu as mensagens que te deixei? Você não vai mais embora, né? Eu...” Excitada, falou várias coisas atropeladamente.
Xu Hao ignorou tudo, seus olhos frios como água não demonstravam emoção.
A mãe puxou Xu Yan para perto de Xu Hao. “Você ainda se lembra da Yanyan? Vocês dois eram muito próximos quando crianças, e ela também sente muito a sua falta.”
“É mesmo?” Xu Hao lançou um olhar divertido para Xu Yan. Em seus sonhos, jamais imaginou que um dia teria outra vida tão delicada como uma flor em suas mãos.
Só de olhar para aquele rosto jovem, bonito, sorridente e sem desconfiança, sentia o sangue fervendo e borbulhando intensamente em seu corpo.
“Mamãe vai te mostrar seu quarto. Hoje, sabendo que você voltaria, troquei os lençóis e cobertores. Se não gostar de algo…”
A empregada terminou o jantar e estava pronta para ir embora quando a mãe sorriu e a chamou: “Feng Jie, o Ano Novo está chegando. Fique mais com seu neto. Eu vou cozinhar os jantares de agora em diante, você não precisa mais se preocupar.”
À mesa, Xu Yan tentou sentar-se ao lado de Xu Hao, mas foi puxado pelo braço por Xu Yan e colocado ao seu lado.
“Você fala demais. Sente aí, como é que os outros vão jantar?”
Xu Hao estava calmo, mas havia uma ponta de sarcasmo em seu olhar. Matar alguém tão fraco quanto Xu Yan seria mais fácil que matar uma formiga. Porém, ver Xu Yan tão vigilante o excitava ainda mais, atiçando seu desejo sanguinário.
À mesa, a mãe não parava de servir comida para Xu Hao, querendo que ele comesse mais. “Veja se essa sopa está do seu gosto. Experimente esse cogumelo, gostoso? Esse bolinho de camarão, Yanyan adora…”
Xu Hao olhou para o bolinho colorido na tigela, seus olhos de repente cobertos por uma camada de gelo. Com um estalo, largou os hashis na mesa e levantou-se para sair. “Já comi o suficiente.”
“Não está do seu gosto? Ah Hao, quer que a mamãe prepare de novo?” A mãe largou os hashis e correu atrás dele, com um gesto humilde e temeroso de irritá-lo.
Xu Hao sorriu friamente, revelando sua verdadeira face. “Chega. Você acha que eu voltei para me juntar a essa família feliz, com casal amoroso e filho obediente?”
Esse tipo de cuidado parecia-lhe ridículo e irônico.
Ele não perdoaria ninguém que o feriu, ninguém poderia impedi-lo, nem mesmo os deuses.
“Será que fiz algo errado, mamãe?” ela perguntou com cuidado.
Xu Hao lançou um olhar gelado para cada canto da casa, seu olhar era como gelo, sem nenhum calor. As vozes alegres e familiares ecoavam em seus ouvidos, provocando seu cérebro, incitando-o a liberar o monstro aterrorizante que carregava dentro de si.
Quando seus lábios se preparavam para falar, Xu Yan apareceu na porta do quarto com o celular na mão, a voz baixa: “Tia, é o telefone da minha mãe.”
A mãe pegou o telefone, olhou para a tela com o número, limpou as lágrimas e atendeu. Depois de ouvir, olhou para Xu Yan, que ainda ignorava o que acontecia, desligou e, com expressão preocupada, implorou a Xu Hao: “Mamãe precisa sair para resolver algo importante. Fique aqui esperando eu voltar, por favor. Não vá embora. Promete para a mamãe, eu volto logo.”
“Não vá, espere a mamãe voltar, tá bom?” Ela se virou para sair, mas voltou para reforçar o pedido na porta do quarto.
“O que aconteceu?” Xu Yan puxou Xu Yan, que ainda estava na porta, e viu a expressão séria da mãe. “Vou com vocês.”
A mãe saiu primeiro para buscar o carro. Xu Yan disse a Xu Yan: “Não confio na minha mãe dirigindo sozinha. Fique em casa esperando a gente voltar.”
Enquanto trocava de sapatos apressadamente, mudou de ideia: “Você vai passar a noite na casa do Yu Hang.”
Depois que Xu Yan e a mãe saíram, Xu Yan fechou a porta, parou ali, perdido e sem rumo.