Volume Um Capítulo 5 As Engrenagens do Destino 3

Seduzi-lo a sucumbir Com laranja 2896 palavras 2026-07-31 03:28:53

Na infância, também era assim. Quando brincavam na quadra do bairro, um gordinho da sexta série costumava implicar com eles; ao ver que eram pequenos, insistia em tomar-lhes a bola, empurrava Xu Hao e ainda zombava, dizendo que ele tinha problemas mentais.

Xu Hao, sendo prudente, já estava pronto para entregar a bola, mas Xu Yan, ao ver seu irmãozinho sendo intimidado, sentiu o sangue subir à cabeça. Ela avançou com tudo e, após uma série de socos ineficazes, cravou os dentes na coxa do garoto e não soltou por nada. O gordinho, aos berros de dor, levantou o punho para bater em Xu Yan, mas acabou levando uma tijolada de Xu Hao, que o deixou ensanguentado.

Quando os adultos das redondezas chegaram, encontraram Xu Yan caída no chão, chorando aos berros com o rosto todo sujo de sangue nasal, enquanto o gordinho estava tão aterrorizado que nem conseguia mais chorar.

Depois disso, sempre que Xu Yan via aquele gordinho, ela começava a chorar. Os transeuntes, sem saber da história, sempre pensavam que a menina franzina estava sendo vítima de bullying e repreendiam o garoto, fazendo com que, dali em diante, ele passasse a evitá-la a todo custo.

Gu Yuhang não ousava imaginar o que teria acontecido se aqueles dois pequenos desastres tivessem crescido juntos; ele não sabia quantas vezes eles teriam causado o fim de alguém.

Na última aula da tarde, enquanto todos arrumavam suas coisas, o professor tutor ainda falava sem parar no estrado: "Huo Qi, já basta ter faltado às aulas, mas o que é esse seu cabelo? Colocou uma pastagem inteira na cabeça? Está tentando avisar a todos que a pradaria de Hulunbuir agora pertence à sua família?"

Assim que o sinal tocou, Huo Qi foi arrastado para a sala dos professores. Xu Yan, com sua mochila nas costas, seguiu Xu Hao para fora da sala.

— Colega Xu, sinto muito pelo que aconteceu hoje. Para me desculpar, posso te pagar um lanche? Que tal ir à minha casa? A comida lá é muito boa, venha provar.

— Vamos à minha casa, vamos, por favor. — Xu Yan, saltitando com a mochila, bloqueou o caminho de Xu Hao. — Se achar que é tarde ou inconveniente, pode até dormir lá...

Vendo Xu Yan pular como um coelho à sua frente, Xu Hao sentiu vontade de pegá-la e jogá-la para o lado. — Não somos próximos, pare de me seguir!

Mas como Xu Yan ouviria? Ela zumbia ao redor dele como uma abelha em torno de uma flor: — Como você sabe que não somos próximos? Nós até comemos no mesmo prato...

— Xu Yan!

Uma voz fria ecoou por entre a multidão barulhenta. Xu Yan olhou para trás e viu Xu Yan, com o semblante fechado, caminhando a passos largos em sua direção. Ele agarrou a mão dela, pronto para levá-la embora: — Venha comigo.

— Irmão, espere um pouco... — Quando Xu Yan se virou, Xu Hao já não estava mais lá.

Ele estava ao lado dela há um segundo; como alguém daquele tamanho poderia ter desaparecido tão rápido?

Xu Yan, ansiosa, soltou-se da mão de Xu Yan e correu até o portão da escola, mas só conseguiu ver, ao longe, um homem de meia-idade pegando respeitosamente a sacola com o uniforme das mãos de Xu Hao e protegendo-o enquanto ele entrava em um carro.

— Irmãozinho... — A voz de Xu Yan foi engolida pelo barulho. Ela quis correr atrás, mas foi novamente agarrada por Xu Yan. — Irmão, o que você está fazendo? O irmãozinho foi embora...

Incapaz de se livrar do aperto de Xu Yan, ela viu o carro desaparecer no fluxo do trânsito. Quase sem conseguir se conter, perguntou com a voz embargada: — Por que não me deixou ir atrás dele? Eu quase o tinha convencido.

Xu Yan não disse nada, mas sua expressão estava assustadoramente sombria.

— Hao... — Zhao Quan, após entrar no carro, virou-se levemente para dizer algo, mas viu que Xu Hao estava envolto em uma aura de pressão insuportavelmente baixa. Pouco antes, ele comentara com A-Wen que o humor de Xu Hao parecia bom nos últimos dois dias, mas, num piscar de olhos, o rapaz parecia ter tido o rosto desfigurado pela raiva.

Os dedos de Xu Hao, frios como gelo, cerraram-se aos poucos. Quando ouviu aquele nome pela primeira vez, a pulsação em seu peito ainda causava arritmia, assim como aquelas covinhas que o perseguiam como um feitiço.

Ele repelia o toque de todos, uma rejeição tão forte que ele mesmo se achava doente. No entanto, desde o primeiro encontro, quando Xu Yan insistia em se aproximar e o tocava sem querer, ele não se sentia incomodado.

Hoje, ao tropeçar na escada e cair sobre ele, ele instintivamente usou a mão que acabara de receber uma injeção, mesmo sentindo uma dor paralisante, para protegê-la.

Mas, agora mesmo, ele ouvira Xu Yan chamar aquele homem de "irmão".

Xu Yan... Xu Yan. Ah!

Através da janela do carro, entre a multidão, ele observou os dois saindo da escola. As linhas suaves do rosto de Xu Hao se enrijeceram instantaneamente. Seus olhos fervilhavam de intenção assassina, seus dedos pálidos tremiam levemente. Ele abaixou o olhar, deixando transparecer um brilho cruel e gélido.

O sentimento que teve ao ouvir o nome pela primeira vez, aquela silhueta frágil... ele achou que houvesse algo diferente, mas, na verdade, eram apenas células cancerígenas adormecidas em seu corpo que haviam despertado.

Ele tinha entendido tudo errado.

O encontro não passava de um acerto de contas!

Ele bem sabia que era um animal de sangue frio, desprovido de paixões e desejos; como poderia ter se apaixonado?

Um vislumbre, um nome, e ele teria se apaixonado à primeira vista?

Que piada!

Xu Hao esfregou o polegar contra a articulação do indicador com força, e um sorriso carregado de um tom sanguinário surgiu em seus lábios.

A afeição que ele nutria por aquele nome, o filtro que ele mesmo criara, desfez-se em pó naquele instante.

Zhao Quan não conseguia decifrar o que ele pensava, apenas observava, em choque, como a aura sanguinária ao redor dele se intensificava em poucos segundos. — Hao...

Xu Hao desviou o olhar. Quando levantou a cabeça, a aura aterrorizante já havia desaparecido, e seu tom era monótono: — Não quero mais esperar.

— Tem certeza? — Zhao Quan não sabia por que ele mudara de ideia tão repentinamente. — Que tal esperarmos mais um pouco? Tenho medo de que seja um impulso.

Medo de que ele se arrependesse? Um sorriso quase imperceptível surgiu nos lábios de Xu Hao, com um desapego que vinha de sua própria essência, tornando-o sempre inacessível.

Nesta vida que mais parecia um lamaçal, o que restava para ele se arrepender?

Daqui a um ou dois anos, com este nome e identidade, não restaria qualquer registro dele nesta terra. Nem mesmo o rastro de sua existência ficaria.

Xu Hao encostou-se no banco e fechou os olhos lentamente. Ela agora tinha um marido que a amava e a tratava bem, além de um filho sensato e brilhante.

E ele? O que ele tinha? Ele só possuía esta vida fétida, repugnante, como um lamaçal.

Zhao Quan ainda queria tentar mudar a situação, mas A-Wen olhou pelo retrovisor e se antecipou: — Eu cuidarei pessoalmente de Xu Changhai.

Ao chegarem à entrada do condomínio, ambos ainda estavam discutindo. Até encontrarem Gu Yuhang no elevador, Xu Yan ainda segurava o braço de Xu Yan sem intenção de soltá-lo, enquanto ela, com os olhos vermelhos, mantinha-se teimosa e recusava-se a ceder.

Gu Yuhang olhou para os dois. Aquilo era raro; era a primeira vez que via tal cena. Eles eram os irmãos modelo do bairro, nunca tinham discutido ou se desentendido.

Xu Yan não evitou a presença de Gu Yuhang. Assim que entraram no elevador, disse com seriedade: — Da próxima vez que o vir, mantenha distância.

Xu Yan ainda se lembrava claramente do dia em que, por intermédio da delegacia, viu Xu Hao pela primeira vez. Embora estivessem a uma certa distância, ele viu claramente que não havia um pingo de bondade naqueles olhos, algo que, até hoje, o fazia arrepiar-se.

Xu Yan ergueu o rosto, com um ar de quem não daria o braço a torcer. — Por quê?

Gu Yuhang finalmente entendeu; ele sabia que, sempre que esses dois se encontravam, Xu Yan parecia perder o controle e se soltar de todas as amarras!

Xu Yan repreendeu em voz baixa: — Não tem porquê! Você fará exatamente o que eu disser.

Xu Yan nunca tinha sido tratada com tanta rispidez por ele; sentindo-se um pouco assustada, ela simplesmente virou o rosto para o lado, decidida a ignorá-lo.

Xu Yan ficou furioso com a atitude dela. Antes, ela sempre obedecia a tudo o que ele dizia, sem sequer questionar o motivo.

Mas agora, sabendo que Xu Hao não tinha boas intenções e vendo como Xu Yan era fascinada por ele, ele não conseguia evitar o medo constante que sentia!

Ao ver que o método rígido não funcionava, Xu Yan suavizou o tom: — Eu sei que vocês eram muito próximos na infância, mas, Xu Yan, lembre-se: ele não é mais o mesmo. Ouça o seu irmão, não se aproxime dele!

— O que mudou nele? — perguntou Xu Yan, com os olhos marejados.

Xu Yan engasgou, perdendo a paciência de vez, e disse com firmeza: — De qualquer modo, mantenha-se afastada dele como se fosse uma serpente, fique bem longe. Leve o que eu disse a sério, entendeu?

— Ah, entendi — respondeu Xu Yan, apenas para encerrar o assunto.

Ao ver a expressão dela, Xu Yan soube que ela não tinha dado ouvidos a nada, mas, naquele momento, não havia nada que ele pudesse fazer!