Volume Um — Capítulo 3: As engrenagens do destino

Seduzi-lo a sucumbir Com laranja 2754 palavras 2026-07-31 03:28:51

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As questões de múltipla escolha estavam erradas em sequência, como um espeto de frutas cristalizadas, e a letra era de uma feiura particularmente singular.

Quando Xu Yan recebeu sua prova, viu que havia tirado 132 pontos. Fez um cálculo aproximado: embora, por estar com pressa, tivesse ajudado Xu Hao apenas copiando as respostas das questões de múltipla escolha e de completar lacunas, ainda assim ele conseguira passar.

Assim que o sinal tocou, Xu Yan mal pôde esperar para ir até os fundos reivindicar seu mérito.

— Como você não veio de manhã, copiei tudo seguindo a minha prova e entreguei no seu lugar.

Xu Hao ergueu as pálpebras e lançou-lhe um olhar. Ela ostentava uma expressão convencida, mas também parecia ansiosa para agradá-lo. Ao se lembrar de Xu Yan dizendo que era razoavelmente boa em matemática, um sorriso fugaz atravessou seus olhos frios.

Xu Yan abriu sorrindo a cadeira ao lado e estava prestes a se sentar quando viu a prova sobre a carteira de Xu Hao. O número 23, escrito em vermelho, era enorme e estava em negrito.

Não era possível!

Ela disparou de volta ao próprio lugar, pegou sua prova e comparou as duas. Imediatamente, sentindo-se culpada, explicou:

— Quando copiei as respostas, acabei enxergando errado. Não fiz de propósito.

A última aula da manhã era inglês, com a professora responsável pela turma. Pouco antes do fim, ela decidiu trocar alguns alunos de lugar.

— Qu Jing, troque de lugar com Xu Hao, que está atrás de você...

Qu Jing arrumou suas coisas, olhou para a carteira vazia ao lado e rapidamente carregou seus livros para os fundos.

Xu Yan virou a cabeça para olhar a pessoa que acabara de se sentar atrás de Wang Peipei e acenou para ela, sorrindo com uma doçura incomum.

Wang Peipei lançou-lhe um olhar de soslaio.

— Foi com você que compreendi profundamente o significado da expressão “cadela aduladora”.

Xu Yan apenas assumiu uma expressão que dizia: você não entende.

A professora desligou o equipamento sobre a mesa e chamou:

— Xu Yan, Xu Hao é um aluno novo e ainda não conhece bem o ambiente. Leve-o ao refeitório. Depois do almoço, acompanhe-o ao setor administrativo para buscar o uniforme e tirar a carteira de estudante!

Quando o sinal tocou, Xu Yan arrumou a carteira e tirou seu cartão de refeição. Gu Yuhang, sentado à sua frente, virou-se e lançou aos dois um olhar de extremo desprezo.

No primeiro dia de Xu Hao como aluno transferido, Xu Yan já se atirara para o fundo da sala a fim de conversar interminavelmente com ele.

Durante a aula de inglês da professora responsável, os dois também trocaram olhares descaradamente o tempo todo, como se temessem que alguém não soubesse que eram os melhores amigos do mundo.

Gu Yuhang era forte e saudável. Sentindo que agora não apenas aguentaria apanhar, mas também conseguiria revidar com facilidade, provocou Xu Hao, que acabara de se levantar, exibindo seus braços musculosos.

Trinta anos a leste do rio, trinta anos a oeste; ainda não se sabia quem chutaria a virilha de quem.

Ao ver que Xu Hao não reagia e o ignorava completamente, Gu Yuhang passou o braço pelo pescoço de Xu Yan e, usando a força do próprio braço, puxou-a para junto de si com uma expressão insolente.

— Agora nós somos os melhores amigos do mundo!

Ele se recusava a acreditar que, depois de dez anos sem se verem, aqueles dois ainda pudessem ser tão próximos e continuar agindo como dois idiotas juntos!

Xu Hao examinou os dois com seus olhos frios e indiferentes, como se tivesse entendido tudo. Disse a Xu Yan, com distância:

— Não precisa se incomodar.

Vendo que Xu Hao mantinha aquela expressão de quem desprezava todos os seres humanos e não dava importância a nada, Gu Yuhang torceu os lábios e resmungou, indignado:

— Esse temperamento ruim só piorou!

Xu Yan observou Xu Hao, que já estava quase na porta da sala. Afastou a mão de Gu Yuhang de seu pescoço, franziu as sobrancelhas finas e compridas e murmurou:

— Você está doente?

Em seguida, agarrou o próprio cartão e correu atrás dele.

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No caminho para o refeitório, Xu Yan ficou o tempo todo ao redor de Xu Hao, como uma cachorrinha grudenta.

Xu Hao não permitiu que ela tocasse nem sequer na ponta de sua roupa. Ele gostava daquele nome por algum motivo inexplicável, mas que ela não imaginasse que sentiria qualquer coisa por uma pessoa!

Xu Yan falou sem parar, como se despejasse feijões de um tubo de bambu, contando seus gostos, hábitos e sua situação familiar. No fim, a única coisa que conseguiu descobrir foi o paladar dele.

Engolindo em seco, passou pelo refeitório número dois, especializado em culinária de Sichuan e aparentemente construído sobre uma montanha de pimentas, e levou Xu Hao ao refeitório número quatro, frequentado pelos vegetarianos.

Enquanto comia, escolhendo e rejeitando os pratos da bandeja que não lhe agradavam, Xu Yan observava Xu Hao sentado à sua frente. Diziam que as pessoas canhotas eram mais inteligentes; ela se perguntava como seriam as notas dele.

Afinal, ele tinha como irmão legítimo Xu Yan, seu primo mais velho, uma verdadeira joia. Como os dois haviam nascido do mesmo ventre, era natural que o irmão mais novo também não fosse nada mal, certo?

— Xu, como são suas notas? — perguntou Xu Yan, sorrindo.

— O que você gosta de fazer no tempo livre?

Vendo que Xu Hao mal comia, Xu Yan pegou um pedaço de ovo de sua própria bandeja e colocou-o na tigela dele. O arroz branco, brilhante e translúcido, acompanhado do ovo embebido em molho de tomate, parecia muito apetitoso.

— Este é agridoce e abre o apetite...

Xu Hao olhou para o pedaço de ovo que surgira em sua tigela. Seu olhar escureceu. Antes que Xu Yan terminasse de falar, pousou os hashis.

— Já terminei.

— ...

Ele estava rejeitando-a? Mas não diziam que, quando eram crianças, os dois eram tão próximos que bebiam da mesma mamadeira?

Xu Hao já empurrara a cadeira para trás e se levantara. Em seguida, levou a bandeja ao local de devolução.

Alguns minutos depois, Xu Yan terminou de comer e saiu do refeitório. Ao longe, viu Xu Hao encostado à beira do corredor, esperando por ela.

A luz do sol atravessava as frestas entre as folhas, projetando sombras salpicadas sobre seu corpo. Ele mantinha a cabeça levemente inclinada para trás, apoiada na parede, com as duas mãos nos bolsos. Sua postura era descontraída e casual, e a atmosfera juvenil tão própria dos rapazes espalhava-se ao redor dele.

No fim do outono e início do inverno daquele ano em que tinha dezessete anos, o sol brilhava com suavidade e a brisa não era quente nem fria. Os sentimentos de Xu Yan eram como sementes lançadas à terra na primavera: romperam as amarras, brotaram e começaram a crescer descontroladamente.

Xu Hao pareceu sentir o olhar ardente de Xu Yan. Quando virou ligeiramente a cabeça para fitá-la, encontrou-a observando-o com os olhos inquietos e uma timidez juvenil no rosto, expressão que se refletiu em seus olhos frios.

O vento moveu as nuvens e, no instante em que uma folha caiu ao chão, Xu Hao pareceu ouvir as engrenagens do destino voltarem a girar, acompanhadas pelo som enferrujado de uma máquina!

Xu Yan ouviu a voz feminina anunciar mecanicamente:

— Altura: 1,88 metro. Peso: 69 quilos. Um pouco magro!

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Altura real de 1,88 metro?

Xu Yan observou Xu Hao calçar os sapatos. Ela só chegava a 1,60 metro usando calçados. Então ele era trinta centímetros inteiros mais alto que ela? Que diferença absurda de altura!

Não era de admirar que, toda vez que conversava com ele, precisasse esticar o pescoço como uma girafa.

Depois de resolverem tudo, os dois desceram juntos. Com sua lógica peculiar, Xu Yan perguntou a Xu Hao:

— Na sua antiga escola, havia alguma garota de quem você gostasse? Que tipo de garota você gosta?

— Uma delicada, bonita e boa aluna? Ou uma alegre e adorável?

— Prefere uma garota alta e esbelta ou uma baixinha e graciosa?

— Gosta de mulheres maduras ou de garotas fofas?

Xu Yan segurou o corrimão e se esforçou para acompanhar os passos de Xu Hao. Ao perceber que ele não lhe dava atenção, trocou imediatamente de assunto:

— Xu, você tem alguma prima que não vê há muito tempo, mas de quem guarda uma lembrança especialmente marcante?

Xu Hao parou. Queria descobrir até onde aquela boca, que não parava como uma metralhadora, conseguia falar. No entanto, seu olhar acabou atraído pelas covinhas discretas que surgiam sob os cantos dos lábios de Xu Yan.

— Xu, onde você mora? Se ainda não conhece bem as ruas de Shudu, eu, como cidadã prestativa, posso levá-lo.

— Eu moro na segunda fase da Cidade das Estrelas, bem perto da escola. Posso convidá-lo para ir à minha casa depois da aula hoje?

Ao perceber que Xu Hao a encarava fixamente, Xu Yan passou a mão pelo rosto. Quando não encontrou nada, apertou os lábios e sorriu com uma expressão travessa.

— Você acha que eu lhe pareço familiar? Ou acha que me pareço com a garota de quem gostava na sua antiga escola?

Quando alguém do sexo oposto, que acabara de conhecer duas vezes, olhava para você daquele jeito, só podia haver dois motivos.

Como se Xu Yan tivesse acertado em cheio seus pensamentos, Xu Hao se preparou para fugir e acelerou o passo escada abaixo.

— Por que está andando tão depressa? Acertei?

Xu Yan o perseguiu sorrindo, mas, por falta de atenção, pisou em falso na borda de um degrau e caiu sentada na escada. O impacto foi tão forte que ela ficou um bom tempo sem conseguir reagir de tanta dor.

Xu Hao desceu calmamente o último degrau e perguntou, com frieza e mera cortesia:

— Consegue se levantar?

Sentada na escada, Xu Yan tinha uma expressão de total desespero. Aquilo ultrapassava o limite máximo que conseguia suportar. Se não fosse pelo orgulho sem valor, ela já teria começado a berrar!

Forçou um sorriso mais feio que o choro e, em seguida, enterrou o rosto nos braços.

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