Volume I Capítulo 2 Reencontro de Velhos Amigos 2

Seduzi-lo a sucumbir Com laranja 3027 palavras 2026-07-31 03:28:51

A campainha sinalizando o fim da aula soou, e Xú Yan estava prestes a se sentar quando foi chamada pela professora de química para ir ao escritório. Após receber uma bronca daquelas, voltou à sala e foi direto para a última fila; arrumou suas provas e falou com seriedade a Xú Hao: “Colega, eu juro que não quis te intimidar, não leve isso a sério.” Xú Hao, pela primeira vez, levantou os olhos e olhou para ela, respondendo com um simples e indiferente “hm”. Xú Yan sorriu, planejando surpreendê-lo naquela noite ao voltar para casa.

“Vou voltar ao meu lugar, se precisar de algo, pode me chamar a qualquer momento.” Mal terminou de falar, lançou um olhar puro e relutante para Xú Hao, mas se surpreendeu ao ver que ele a encarava com olhos frios e distantes. Quando ela sorriu ainda mais para ele, a frieza em seu olhar se intensificou, e a aura que afastava qualquer um ficou ainda mais evidente.

As provas de matemática começaram a circular, e Xú Yan, solícita, pegou a de Xú Hao. “Como é novo aqui, talvez não esteja familiarizado com nosso ritmo de aula. Se tiver dúvidas, pode me perguntar, sou boa em matemática.” Ao se sentar, olhando para trás a cada passo, ouviu Gú Yuhang, da fila da frente, comentar com sarcasmo: “Olha só, ele voltou e já quebrou o seu gelo? Faz dez anos que não se veem, deviam estar chorando nos braços um do outro. Você foi para o fundo da sala e nem disse quem era para ele?”

A última aula era de reunião de turma, e lá fora a chuva caía torrencialmente. O professor repetia, monótono, os tópicos de sempre. Quando a campainha tocou, Xú Yan mal podia esperar: pegou a mochila já arrumada e correu para o lado de Xú Hao. “Colega, esqueceu o guarda-chuva, né? Eu tenho um, posso te acompanhar, talvez até sejamos do mesmo caminho.”

Nesse momento, a representante da química chamou na porta: “Xú Yan, pediram que você vá ao escritório.” Xú Yan, ao ouvir, puxou a manga de Xú Hao, indicando que ele saísse pela porta dos fundos. Xú Hao olhou para a mão que o segurava e disse friamente: “Tire a mão.” Mal soltou, viu a representante de química se aproximar com a mochila. “Pediram que você fosse ao escritório. Só estou passando o recado.”

Na entrada da escola, já havia uma multidão de alunos esperando pelo transporte. A centenária camélia ao lado, ainda em botão, perdera muitas flores por causa da chuva repentina. Xú Hao estava junto ao galho da camélia; o botão acima de sua cabeça realçava ainda mais sua beleza incomum. Não era um rosto conhecido, vestia um agasalho esportivo diferente do uniforme dos demais, destacando-se como um cisne entre patos.

No meio da multidão, uma garota cercada por outras perguntou com arrogância: “Quem é ele?” Com o fluxo de carros, um Phantom preto se aproximou, e dele desceu um homem de meia-idade elegante, de terno e segurando um guarda-chuva preto. Ele cobriu Xú Hao com o guarda-chuva e o levou rapidamente para o carro.

“Olha só aquele ar de nobreza, deve ser o príncipe de alguma empresa listada, conhecendo a vida real,” alguém comentou, zombando.

Ao volante estava A Wen, musculoso, com o pisca-alerta ligado, guiando o carro pela multidão. Zhao Quan, no banco do passageiro, entregou um lenço umedecido e perguntou em voz baixa: “Gostou do novo ambiente?” Xú Hao não respondeu, olhando para o canto da camisa onde Xú Yan o segurara. O leve fosso na bochecha dela lhe parecia familiar; mais estranho ainda era o quanto gostava daquele nome desconhecido.

Zhao Quan esperou, mas como não houve resposta, mudou de assunto: “À noite, Brett vem aplicar a injeção. O que quer jantar?” Virando-se ligeiramente, observou o jovem sentado no banco de trás, aparentemente dócil e obediente, mas na verdade alguém que não temia a morte, sem paixões ou emoções, que nem a medicação conseguia controlar, capaz de ferir até a si mesmo sem hesitar.

Xú Yan saiu do escritório desanimada; a sala já quase vazia. Caminhando até o metrô, pensava que, depois de tantos anos, naquela noite teriam o encontro em casa; deveria comprar um presente de boas-vindas? No centro comercial, olhou ao redor sem propósito até ver um grande cartaz no shopping: o relógio no pulso do modelo combinava perfeitamente com aquela mão de “ladrão de corações”.

Sob o olhar atento da vendedora, Xú Yan pegou o relógio e afirmou: “Tenho dinheiro.” Educadamente, a funcionária explicou que, por ser menor de idade, precisaria da autorização do responsável para comprar aquele luxo. Xú Yan, olhando para o relógio, ligou para seu pai, Xú Changhai, que estava bebendo numa festa. Ele pensou que o presente era para Xú Yan e resolveu a questão rapidamente por telefone.

Colocou o presente na mochila e, ao sair da loja, recebeu uma ligação de Xú Yan. Chegando ao hotel, encontrou o saguão cheio de policiais, seguranças e hóspedes. A voz desesperada de sua mãe sobressaía no tumulto: “Só quero vê-lo uma vez, só olhar de longe, me deixem subir, ele é meu filho…” Xú Yan atravessou a multidão e viu Xú Changqing colaborando com os policiais. A tia, normalmente elegante, estava sentada no chão, comportando-se como uma mulher histérica, enquanto Xú Yan tentava acalmá-la sem sucesso. Xú Yan correu para ajudar; sua mãe, com lágrimas nos olhos, começou a se ajoelhar repetidamente diante dela. “Por favor, peça ao Hao para deixar eu ver ele, só quero olhar de longe, não vou incomodar, ele sempre te escuta, imploro…”

Com a cabeça batendo no chão, Xú Yan caiu de joelhos, apoiando as mãos no chão, suplicando: “Tia, não faça isso…” “Ajude sua tia, você tem o melhor relacionamento com ele, ele te escuta…” A cena terminou quando sua mãe, exausta e agitada, desmaiou.

Brett, experiente, retirou a agulha e a colocou na bandeja, tirando as luvas e repetindo: “Se sentir qualquer desconforto, avise imediatamente.” A Wen entrou, olhou para Xú Hao, sentado à mesa, inalterado pela injeção, e sinalizou com o olhar para Zhao Quan que o andar estava tranquilo.

Zhao Quan arrumou as roupas de Xú Hao. “Quer trocar de hotel?”

“Não precisa.” Ele só queria expor sua presença, deixar que ela soubesse que voltou.

Na manhã de segunda-feira, Xú Yan chegou à sala ainda durante o estudo matinal; o ambiente era o mesmo de sempre, com alunos circulando. O representante de matemática estava à frente, insistindo: “Vocês vão entregar as provas ou não? E o novo, por que ainda não chegou?” Xú Yan olhou para a cadeira ainda vazia.

Um segundo antes de tocar a campainha, Gú Yuhang, com o cabelo desgrenhado, entrou bocejando e entregou ao representante a prova amassada. “Para de gritar, é só um representante, parece até a mãe do imperador!”

No intervalo da segunda aula, era o recreio longo. Após a transmissão de uma mensagem motivacional, a rádio tocou “Dia Claro”, de Jay Chou, lançado em 2003.

A melodia encantadora ecoava por todo o campus.

“Pequena flor amarela da história,
Desde o ano do nascimento já flutuava...”

Mesmo com a qualidade ruim do som, a música da rádio era sempre melhor do que ouvir no próprio celular.

Xú Yan estava deitada, fingindo dormir, mas ao ouvir o barulho, ergueu a cabeça e viu quem entrava na sala. Sorrindo suavemente, pensou em ir cumprimentar, mas o professor de matemática, pontual, entrou com as provas.

Colocou as provas sobre a mesa, apoiando-se nos cantos, e olhou para a turma: “Quem é Xú Hao? Fique de pé para eu ver!” Xú Hao levantou-se, e o professor, olhando para a prova, ajeitou os óculos, ainda incrédulo. Era aquele o aluno especial que os professores dos grupos de competição e dos laboratórios disputaram aos gritos na sala dos professores, mas que insistiu em ficar na turma comum?

“Você tem dificuldades em algumas disciplinas, está insatisfeito com o antigo professor de matemática?” O professor olhou para a prova. “Se tiver críticas, pode falar comigo imediatamente.”

Logo depois, mudou de expressão, chamou alunos ao quadro e repreendeu uns, gritou com outros, saliva voando por todo lado!

Xú Hao olhou para a prova sobre a mesa, com seu nome escrito: 23 pontos?