Capítulo 7: De onde você tirou essa garrafa de vidro?

A Filha Abandonada Substitui a Noiva: Meu Antigo Amante me Chama de Cunhada Verão tingido.CS 2487 palavras 2026-07-31 03:14:55

O bosque escurecia e ouvia-se um farfalhar entre as árvores, cujos ramos oscilavam. Jiang Yuyao apertou a fita que pendia de sua cintura e chamou suavemente em direção à folhagem trêmula:
— A-Tang?

De trás da mata, a voz de Pei Xingxiu respondeu, clara e alta:
— Sou eu.

Jiang Yuyao soltou o ar, relaxando a mão que segurava a fita. Pei Xingxiu emergiu do bosque, com algumas folhas secas presas aos cabelos. Ele abriu um sorriso para ela, tão radiante quanto o sol do início do verão.

Jiang Yuyao ergueu os olhos para ele, contendo o impulso de retirar as folhas de seu cabelo, e perguntou:
— O que você foi fazer?

Pei Xingxiu aproximou-se trotando, carregando um frasco de vidro cristalino. Dentro, várias borboletas de cores vibrantes agitavam-se. Como se oferecesse um tesouro, ele estendeu o frasco diante dela:
— Vi que a senhorita gosta de borboletas, então as capturei especialmente para você.

Jiang Yuyao baixou o olhar, observando silenciosamente as borboletas no frasco. Elas voavam, batiam contra as paredes, desesperadas para sair. Naquele instante, Jiang Yuyao sentiu, de repente, que não era diferente daquelas borboletas.

Após um longo silêncio, ela ergueu a mão e retirou a tampa do frasco. As borboletas escaparam apressadas, suas asas magníficas brilhando sob a luz do crepúsculo. Uma delas, talvez perdida ou confundindo o enfeite de cabelo de Jiang Yuyao com uma flor verdadeira, pousou sobre seu penteado.

Pei Xingxiu, que tanto se esforçara para capturá-las, viu Jiang Yuyao libertar todas, mas não demonstrou qualquer irritação; ao contrário, observava-a com um sorriso sereno. Quando todas as borboletas partiram, ela recolocou a tampa, adornada com uma cabeça de besta, e perguntou com um tom indiferente:
— Você ficou fora tanto tempo apenas para pegá-las?

Os olhos escuros de Pei Xingxiu brilharam por um momento, antes que ele baixasse o olhar com uma expressão desapontada:
— Pensei que você fosse gostar.

Ver aquela expressão de mágoa naquele rosto impedia Jiang Yuyao de ser severa com ele. Ela desviou o olhar e disse friamente:
— Agora você é meu guarda-costas. Seu dever é me proteger. Não importa o que aconteça ou qual seja a desculpa, você não pode me abandonar e me deixar sozinha. Entendido?

— Entendido — respondeu Pei Xingxiu, levantando a mão com seriedade. — Prometo que nunca mais acontecerá.

A voz do jovem era clara e carregada de um tom divertido. Na verdade, Jiang Yuyao não estava realmente brava; ela apenas... sentira um pouco de medo.

Os dois desceram a colina juntos, o sol alaranjado do poente alongando suas sombras. Jiang Yuyao perguntou subitamente:
— De onde você tirou esse frasco de vidro?

Ele não possuía nada, nem mesmo as roupas que vestia eram dele; como poderia ter um frasco de vidro?

O jovem deu uma risadinha envergonhada:
— Vi que havia muitos objetos em um dos cômodos e achei que aquele era o mais adequado para guardar borboletas, então eu o peguei emprestado.

Não era de se admirar que o frasco lhe parecesse familiar; afinal, pertencia a ela.
— Aquele cômodo fica sempre trancado. Quem lhe deu a chave?
— Ninguém. Usei um grampo de cabelo, forcei um pouco e abriu.

Jiang Yuyao: ...

Ela finalmente compreendeu a origem da audácia dele. Ele abriu a porta de seu pequeno cofre com a maior naturalidade; se ele tivesse más intenções, provavelmente já teria levado tudo o que havia na mansão sem que ela soubesse. Parecia que, ao voltar, teria de mandar colocar mais trancas nas portas.

— A-Tang — disse Jiang Yuyao com seriedade. — Portas trancadas não devem ser abertas, e o que não é seu não deve ser tomado. Se continuar assim, acabará sendo levado pela guarda da cidade!
— Eu entendi, eu só queria lhe fazer uma surpresa...

Jiang Yuyao sentia uma pontada na cabeça. Ela não conseguia associar o A-Tang à sua frente com o Shen Yutang de sua infância. O jovem Shen Yutang era alegre, porém educado; jamais tomaria algo sem permissão, muito menos arrombaria portas. Talvez eles não fossem a mesma pessoa.

— Usar o que é seu para presentear é uma surpresa; levar o que é dos outros sem perguntar não é alegria, é susto.

Jiang Yuyao sabia que as intenções de Pei Xingxiu eram boas, mas ele parecia não possuir noções de moralidade ou normas sociais. Todos os seus atos nasciam de seus instintos; ele não distinguia o que era certo ou errado. Inicialmente, ela pensou que estava apenas acolhendo alguém, mas agora parecia ter arranjado um grande problema. Para evitar incidentes futuros, ela precisaria ensiná-lo aos poucos. A sorte era que ele era muito obediente a ela.

O dia do banquete de flores chegou. Por causa das begônias nos fundos da mansão, Jiang Yuyao preparou-se cedo para ir à família Wang. Como de costume, levaria Qi Wu e Wen Xing para conduzir a carruagem e garantir sua segurança. Contudo, desde que Pei Xingxiu soube do banquete, insistiu que deveria acompanhá-la, alegando que, como seu guarda-costas, era seu dever estar presente. Ele foi esperto o suficiente para usar as próprias palavras de Jiang Yuyao contra ela, não lhe deixando outra alternativa senão aceitar.

Considerando sua identidade incerta e o fato de estar sendo caçado por militares, ela providenciou uma máscara de ferro negra para ocultar seu rosto. Durante aquele período, Pei Xingxiu recuperou totalmente a saúde e, com suas habilidades marciais superiores, conquistou o respeito de Qi Wu e dos outros, que passaram a tratá-lo como se fosse um irmão mais velho.

A carruagem corria pela estrada rural. À medida que o caminho se alargava, logo entraram na cidade. O som dos mercadores ecoava do lado de fora. Jiang Yuyao levantou o canto da cortina e olhou: paredes brancas e telhados de cerâmica passavam, pedestres apressavam-se, e estandartes coloridos tremulavam. Gradualmente, o burburinho dos vendedores diminuiu, e as construções ao redor tornaram-se mais imponentes e requintadas.

A carruagem parou diante de uma mansão com dois grandes leões de pedra na entrada. A família Wang, ciente da verdadeira identidade de Jiang Yuyao, esperava-a do lado de fora. Embora ela fosse uma filha rejeitada, expulsa de casa, aos olhos dos habitantes locais de Dongyang, ela ainda era alguém de nobreza inquestionável, a quem não ousariam ofender.

A senhora Wang aproximou-se sorridente, ajudando Jiang Yuyao a descer:
— Faz alguns dias que não a vejo, senhorita. Parece ainda mais magra; deveria se alimentar melhor.

Jiang Yuyao deu um sorriso leve, que não alcançou seus olhos, mantendo-se fria e distante:
— O verão deste ano está muito quente, perdi o apetite.

— Isso não pode acontecer — disse a senhora Wang, segurando sua mão com falsa cordialidade. — De qualquer forma, precisa se cuidar. Veja só, está tão frágil que parece que o vento a levará. Quando retornar para casa, sua mãe ficará com o coração partido ao vê-la assim.

Ao mencionar a mãe, uma sombra de melancolia atravessou o olhar de Jiang Yuyao. Sua mãe biológica havia morrido, e sua madrasta...

O olhar de Jiang Yuyao tornou-se ainda mais gélido. Embora não tivesse provas, ela tinha quase certeza de que aquele incidente fora obra de sua madrasta, a senhora Qin. Ela arruinara sua reputação apenas para que sua própria filha pudesse se casar com a família Lin!

A senhora Wang percebeu que havia tocado em um assunto delicado e mudou de rumo rapidamente, sussurrando:
— Ah, hoje também veio uma jovem da capital ao banquete. Ela disse que a conhece. Vocês têm a mesma idade, terão muito sobre o que conversar.

Ao ouvir isso, o sangue de Jiang Yuyao esfriou. Ela sentiu vontade de fugir. Temia que a recém-chegada soubesse daquele incidente e que, com o segredo revelado, todos a olhassem com desdém ou nojo. Mas ela logo conteve esse medo, apertando os dedos. Ela não havia feito nada de errado do início ao fim; por que deveria temer? Ela nunca cometera erro algum, nunca tivera relações ilícitas com ninguém!