Capítulo 20: Não se apaixone por ele
Esta pequena aldeia possui apenas cinco famílias, com construções feitas de pedra e tijolos, telhados de telha, e em frente a cada casa há um pequeno espaço cimentado onde diversos grãos estão sendo secados ao sol.
Quando Mo Yifeng costuma visitar, as pessoas da vila, sempre que estão em casa, saem para cumprimentá-lo e conversar.
— Senhor Wu, a senhora e os outros moradores da vila? Também não vi ninguém trabalhando nas plantações de milho, para onde foi todo mundo? — perguntou Mo Yifeng.
O senhor Wu explicou: — O governo enviou médicos para a zona rural, oferecendo consultas oftalmológicas gratuitas no departamento da equipe, e todo mundo foi lá.
Mo Yifeng sabia que essa equipe médica estatal oferecia atendimento gratuito para os moradores das regiões pobres. — Senhor, quer ir? Eu o levo.
O senhor Wu balançou a cabeça: — Não, minhas pernas não estão boas, e meus olhos ainda enxergam muito bem.
Parecendo querer provar sua visão, ele sorriu e disse: — Quando você desceu a ladeira íngreme, eu o vi e pensei que poderia ser você, mas como geralmente você vem sozinho, acabei achando que não era.
Yang An se virou para olhar o caminho sinuoso que cortava a plantação de milho e levava até a montanha rochosa íngreme; um senhor de mais de setenta anos capaz de enxergar tão longe realmente tinha uma visão excelente.
— Yifeng, jovem dama, entrem em casa para descansar — o senhor Wu os convidou calorosamente, conduzindo-os até sua casa.
Mo Yifeng recusou: — Senhor, ainda tenho coisas a fazer, fica para a próxima.
O senhor Wu segurou sua mão firmemente e falou baixinho: — Tenha um pouco de consideração, veja só a moça, com os lábios tão secos e descascando, tome um pouco d’água antes de ir.
Mo Yifeng olhou para Yang An, cujos lábios estavam esbranquiçados pela secura. — Então, por favor, senhor.
Na sala principal havia uma mesinha baixa e quadrada, com bancos também baixos na mesma altura.
— Sentem-se, sentem-se — disse o senhor Wu, enquanto eles se acomodavam e ele se apoiava no banco para entrar no cômodo interno.
Logo ele voltou, com o banco carregado de pedaços de açúcar, amendoim e soja, que caíram por todo lado enquanto ele caminhava. Apressou-se a parar e se curvou com dificuldade para recolher tudo.
Mo Yifeng e Yang An ajudaram a juntar os grãos, e ao fazê-lo, esbarraram as cabeças.
— Hmph! Que burrice! — Yang An, ainda irritada, revirou os olhos para ele, com a cabeça latejando de dor.
Mo Yifeng não entendeu o que havia de errado consigo, pois mesmo sendo repreendido, não ficou bravo, sentindo até um certo prazer; talvez tivesse ficado meio tonto.
Quando terminaram de recolher tudo, o senhor Wu os convidou a sentar novamente: — Vou ferver um pouco de água para vocês beberem.
Mo Yifeng o acompanhou: — Posso ajudar.
O senhor Wu o empurrou levemente e lançou-lhe um olhar: — Quando eu terminar, te chamo para ajudar; por enquanto, fique ao lado da moça.
Ele foi para a cozinha preparar a água.
Yang An falou baixo: — Mo Yifeng, que tal sairmos silenciosamente agora? Ele já tem dificuldades para se mover, não precisamos causar mais transtornos.
— Pouquíssimas pessoas vêm aqui; vamos ficar para fazer companhia ao senhor — Mo Yifeng discordou.
Ela concordou que fazia sentido. Yang An colocou a mochila no banco e pegou o celular para checar as mensagens no Douyin.
No WeChat, havia várias notificações vermelhas.
Ela abriu e franziu a testa.
A maioria das mensagens era de Zou Chengjie.
— Yang An, você já acordou?
— Yang An, estou em Xangai, mas meu coração está em Yunnan.
— Yang An, você bebeu muito ontem à noite, está com dor de cabeça hoje?
— Yang An, desde que te conheci, você está na minha mente e no meu coração.
— Yang An, por que não responde? Você é tão fria, está me deixando mal.
Irritada, Yang An bloqueou diretamente Zou Chengjie.
Mo Yifeng, sentado ao lado dela, viu tudo claramente, já que era mais alto e podia ver a tela.
Ao ver que ela bloqueou Zou Chengjie, sentiu-se estranhamente satisfeito.
Hua Jinling também enviou duas mensagens.
— Yang An, não vou te deixar em paz.
— Yang An, fique longe de Mo Yifeng, não goste dele.
Essa pessoa era enigmática. Yang An olhou para Mo Yifeng; gostar dele era pouco provável.
Mo Yifeng também viu essas mensagens e, ao perceber o olhar dela sobre ele, desviou rapidamente os olhos.
Yang An notou que ele estava perto demais e então virou o celular para o modo vertical para continuar lendo.
Havia duas mensagens de Yang Qi.
— Yang An, mantenha distância de Mo Yifeng, não o ame.
— Yang An, ouça sua irmã, seja obediente.
Yang An não entendia o que estava acontecendo; uma após a outra, todas diziam para ela não gostar de Mo Yifeng.
— Yifeng, Yifeng — chamou o senhor Wu da cozinha.
Mo Yifeng respondeu e foi até lá.
Observando suas costas, Yang An sentiu muita dúvida. Se Hua Jinling não a conhecesse bem e achasse que ela poderia se interessar pelo rico e bonito Mo Yifeng, até faria sentido.
Mas sua irmã a conhecia bem; há um ano, recusou até um carro dado por uma grande celebridade, então por que insistiriam tanto?
O senhor Wu chamou Mo Yifeng para a cozinha.
— Yifeng, você gosta dessa moça que veio com você?
Mo Yifeng sorriu: — Senhor Wu, que conversa é essa? Somos apenas amigos.
O senhor Wu riu, e suas rugas ficaram ainda mais visíveis.
— Eu vi, você não parava de olhar para ela.
Mo Yifeng corou: — Senhor, fale mais baixo, acho que gosto um pouco dela.
O senhor Wu sorriu orgulhoso: — Eu disse que meus olhos são bons. Você tem bom gosto. Ela tem um corpo bonito, um rosto delicado e olhos brilhantes; dá para ver que é uma criança de boa índole.
Mo Yifeng suspirou: — Parece que ela não sente nada por mim.
O senhor Wu o animou: — Se ela veio aqui com você, mesmo sem sentir nada, pelo menos não te odeia. Homem que é homem tem que ter pele grossa e ser atencioso.
Mo Yifeng não quis discutir mais esse assunto, especialmente porque Zou Chengjie, que era insistente e atencioso, já havia sido bloqueado.
Depois de esperar um bom tempo, Yang An viu Mo Yifeng voltar com uma bandeja.
— Por que demorou tanto?
Mo Yifeng colocou a bandeja na mesa.
— O senhor Wu quis preparar chá com mel para você, mas esqueceu onde tinha deixado o mel, por isso demorou.
Yang An olhou para a bandeja: três tigelas de água e um frasco de mel.
O mel parecia ser mel puro, todo cristalizado.
O senhor Wu chegou com uma colher, abriu a tampa do mel e colocou uma colher em cada tigela diante de Mo Yifeng e Yang An.
Yang An bebeu lentamente a água com mel.
Sentados na casa do senhor Wu por um quarto de hora, os dois se levantaram para se despedir.
Após as mensagens de aviso de Hua Jinling e Yang Qi, Yang An decidiu manter uma distância segura de Mo Yifeng, sempre mantendo cinco metros entre eles.
Às três da tarde, voltaram para a árvore torta.
— Vamos descansar um pouco — Mo Yifeng já estava sentado sob a árvore.
Descendo era fácil, subir era difícil, e com o calor, Yang An estava suando muito, até os olhos estavam molhados e desconfortáveis.
Sentaram-se sobre uma pedra para descansar, e Yang An tirou o chapéu para se abanar.
Mas o calor fazia com que o vento fosse quente.
Mo Yifeng a observava com uma expressão distante e não se importava em falar.
Os dois ficaram em silêncio.
Uma rajada de vento passou, e Yang An percebeu que estava mais fresco.
A luz do sol já não era tão forte.
O vento aumentava e o céu começava a escurecer.
Yang An olhou para cima e viu que algumas nuvens negras haviam surgido do nada.
O vento ficou mais forte, e as folhas das árvores começaram a farfalhar.
As nuvens se juntaram formando uma camada escura que tornou o céu ainda mais sombrio.
Mo Yifeng olhou para o céu.
— Vai chover.