Capítulo 11: Não se Pode Perder Tempo

Fascinado à Primeira Vista Yun Zhi 2398 palavras 2026-07-31 03:20:37

Após uma longa conversa, Gu Hengzhi percebeu que Ning Ran era, na verdade, divertida e comunicativa, conseguindo falar sobre quase qualquer assunto com ele. Além disso, quando alguém se aproximava para puxar papo ou sondar a relação entre ela e Qi Yan, Ning Ran respondia de maneira impecável, habilidosa e sem dar margem a erros.

Gu Hengzhi observava Ning Ran, tão diplomática e versátil, e um brilho de interesse surgiu em seus olhos amendoados e sorridentes.

Ele pegou duas taças de champanhe da bandeja de um garçom que passava e ofereceu uma a Ning Ran.

— Como a senhorita Ning conheceu o Qi Yan? Ele geralmente está sempre ocupado com o trabalho, mas hoje, sem avisar, trouxe você para este baile, o que nos surpreendeu bastante.

Ning Ran aceitou o copo com um sorriso, tomou um pequeno gole, e o tom amarelo da bebida umedeceu seus lábios, tornando-os ainda mais suaves e rosados, como uma rosa coberta de orvalho, sutilmente sedutora.

— Conhecemos por acaso há algum tempo, mas só nos encontramos algumas vezes. O senhor Qi me ajudou algumas vezes — respondeu ela.

Os olhos de Gu Hengzhi brilharam levemente. Apenas algumas vezes? E mesmo assim Qi Yan a trouxe para um baile?

Ele riu em voz alta, provocando:

— Então é assim... Eu até pensei que Qi Yan tivesse arranjado uma namorada.

Ning Ran sorriu levemente, negando com a cabeça:

— Senhor Gu, sua imaginação é fértil demais, não é nada disso.

A noite avançava, e o baile, repleto de brindes e conversas, chegava ao fim.

Ning Ran recusou a proposta de Gu Hengzhi para que a acompanhasse até em casa; os dois apenas trocaram contatos.

Ao sair do salão, viu um carro preto luxuoso estacionado na rua, como se estivesse à sua espera.

Ning Ran arqueou as sobrancelhas e apressou o passo em sua direção.

A janela do carro desceu lentamente, e a luz amarelada dos postes iluminou o interior, revelando o queixo delineado e os lábios finos e levemente rosados de Qi Yan.

Seus olhos profundos, ocultos na sombra, olharam para Ning Ran com um misto de escárnio e indiferença.

— Vejo que a senhorita Ning está muito feliz. Imagino que tenha conseguido alguma coisa com Gu Hengzhi no baile e esteja se sentindo bastante orgulhosa — disse ele.

Durante todo o noivado, exceto pelo momento em que foi procurar Qi Yuchuan para resolver um problema, Ning Ran esteve quase o tempo todo com Gu Hengzhi.

Sempre que Qi Yan olhava para eles, via os dois conversando animadamente, sorridentes.

Pensar nisso deixou os olhos de Qi Yan ainda mais frios.

Ning Ran arregalou os olhos, surpresa, e logo negou com a cabeça, franzindo a testa e explicando apressadamente.

— Senhor Qi, você está enganado. Nunca pensei em seduzir o senhor Gu.

Seus lábios vermelhos se apertaram, e por um instante seus olhos se encheram de lágrimas, como se estivesse sendo injustiçada.

Qi Yan riu friamente, impiedosamente desmascarando-a.

— Pare de fingir na minha frente. Você acha que eu não percebo?

Quanto mais contato tinha com Ning Ran, mais Qi Yan sabia que ela escondia seus pensamentos, mas como ela jogava suas artimanhas abertamente diante dele, sem tentar enganá-lo, ele nem se importava em se ater a detalhes.

Mas vê-la com Gu Hengzhi, exibindo um lado diferente daquele que tinha com ele — aquele cuidado, a timidez e a suavidade — mostrando-se agora falante e animada, incomodava Qi Yan profundamente.

O tom sarcástico e desdenhoso de Qi Yan fez Ning Ran hesitar por um momento. Então, olhando diretamente para ele, encontrou seu olhar frio.

— O que você percebeu, senhor Qi? — ela riu levemente, mas o sorriso não alcançava os olhos. — Foi seu amigo que veio falar comigo, a seu pedido, para me fazer companhia, preocupado que eu me sentisse desconfortável sozinha. E para o senhor, isso virou eu tentando seduzir o senhor Gu?

— Claro que sei que o senhor Qi não é tão bonzinho assim, com medo de que eu fosse provocada por Qi Yuchuan no baile, por isso mandou seu amigo me ajudar. Mas acho que foi só uma boa intenção dele — continuou Ning Ran.

Qi Yan observou sua série de justificativas, e o olhar gelado parecia se transformar em gelo.

Sem expressão, ele fechou a janela do carro e partiu, deixando para trás o vento frio da noite que levantava as folhas secas da rua.

Ning Ran ficou parada por um momento, atordoada. Só então percebeu que Qi Yan parecia estar zangado.

Será que ele ficou chateado porque ela disse que ele não era tão bondoso assim?

Será que ele é mesmo tão mesquinho?

Além disso, o que ela disse não era mentira.

Ning Ran fez uma careta em silêncio e chamou um táxi para voltar para casa.

Naquela noite, Gu Hengzhi a convidou para um novo encontro, mas Ning Ran esperou em casa por uma semana e ele nunca entrou em contato.

Como o julgamento foi antecipado, cada dia era precioso para Ning Ran, que não podia mais se atrasar.

Ela nem queria conhecer Gu Hengzhi, mas Qi Yan era como uma pedra fria e dura — desde o primeiro contato, nunca demonstrou vontade de ajudá-la.

Por isso, Ning Ran decidiu diversificar suas opções. Não poderia focar apenas em conquistar Qi Yan. Gu Hengzhi, além de ser amigo antigo de Qi Yan, tinha uma origem respeitável. Se conseguisse convencê-lo a ajudá-la, talvez fosse mais eficaz.

Mesmo que só conseguisse adiar o julgamento, já ficaria satisfeita.

Mas Gu Hengzhi parecia ter esquecido dela, sem dar qualquer sinal.

Ning Ran segurou o celular por um longo tempo, mas desistiu de ligar para ele para não parecer interesseira.

Além disso, havia um evento que a preocupava: um leilão que ocorreria no dia seguinte.

No baile de noivado, ela mencionou que era restauradora de artefatos, e descobriu com Gu Hengzhi que o pai de Qi Yan gostava de colecionar antiguidades.

Não é de admirar que Qi Yan tenha percebido de imediato que o vaso que ela deu a Qi Yuchuan era falso — provavelmente por influência do hobby do pai, que desde pequeno lidava com relíquias e desenvolveu um olhar apurado.

Sabendo disso, Ning Ran pensou em agir por esse caminho.

Nos últimos dias, conseguiu investigar e descobriu que o pai de Qi Yan participaria do leilão.

No dia seguinte, Ning Ran se preparou cedo e foi ao local do leilão.

Ela havia conseguido, com esforço, subornar alguns participantes e obteve um convite, entrando assim no evento.

Chegou antes e escolheu um lugar discreto, mantendo o olhar fixo na entrada.

Após cerca de meia hora, uma silhueta alta e familiar apareceu.

Qi Yan vestia um terno cinza escuro que realçava sua postura elegante e ainda mais bela e nobre do que de costume.

Ele não estava sozinho; ao seu lado havia um homem de meia-idade, com as têmporas levemente grisalhas e marcas do tempo nos cantos dos olhos, semblante sereno e traços que lembravam em cerca de cinquenta por cento os de Qi Yan, com uma aura culta e reservada.

Ning Ran reconheceu pelas fotos que aquele era o pai de Qi Yan.

Não esperava que Qi Yan o acompanhasse ao leilão.

Com ele ali, não sabia se seu plano conseguiria prosseguir.

Mas ela teria feito tanto esforço para entrar e não desistiria assim.

Ning Ran respirou fundo, decidida a tentar, independentemente do resultado.

Sorriu com serenidade e elegância e caminhou em direção aos dois.