Capítulo 4: Restaurando a sua inocência

Fascinado à Primeira Vista Yun Zhi 2504 palavras 2026-07-31 03:20:33

Desde que sua mãe fora incriminada e presa, Ning Ran aguardou até hoje pela oportunidade de visitá-la.

Mãe e filha não se viam há meio mês. Separadas por um vidro, antes mesmo de trocarem uma palavra, Ning Ran não conseguiu conter o marejar de seus olhos. O nariz da Sra. Ning também ardeu, mas, diante da filha, ela manteve o sorriso terno e reconfortante de sempre.

— A-Ran, não se preocupe com a mamãe. Estou muito bem aqui.

Mesmo vestindo o uniforme da prisão, a Sra. Ning não perdia sua aura digna e elegante, embora estivesse visivelmente mais magra e abatida. As lágrimas de Ning Ran rolaram, e ela rapidamente virou o rosto para enxugá-las.

— Mãe, eu certamente provarei sua inocência e farei com que recupere sua liberdade em breve — disse ela, com a voz embargada.

Os olhos da Sra. Ning avermelharam-se por um instante. Ela estendeu a mão, encostando-a no vidro, como se quisesse atravessar aquela barreira para limpar os vestígios de lágrimas no rosto da filha.

— Mais do que isso, espero que você viva bem e não deixe que este assunto a afete. A-Ran, a mamãe não quer ser um peso para você, eu...

Vendo a mãe ficar cada vez mais emocionada, Ning Ran apressou-se em acalmá-la.

— Não se preocupe, mamãe, eu sei o que estou fazendo.

Como não sentir indignação e injustiça ao ser presa injustamente? A loja de antiguidades da família Ning passara por duas gerações e sempre tivera uma reputação impecável. Contudo, este incidente era extraordinário; a Sra. Ning sabia muito bem que as forças por trás disso estavam além do alcance de sua família. Não importava que ela estivesse presa; o que a aterrorizava era que a filha pudesse perder o juízo na tentativa de salvá-la.

O tom de Ning Ran era extraordinariamente calmo:

— Nós fomos incriminadas, e ainda nem houve o julgamento. Contanto que eu encontre um advogado confiável, ainda há a possibilidade de limpar seu nome.

Seus olhos fixaram-se nas pequenas cicatrizes nas mãos da mãe, que se destacavam dolorosamente contra a pele clara. Embora a Sra. Ning insistisse que estava bem, as cicatrizes e a expressão exausta diziam a Ning Ran que sua mãe sofrera, e ela sentia uma culpa profunda. Por isso, seu desejo de libertá-la era ainda mais urgente.

Ao encerrar a visita, Ning Ran saiu mergulhada em pensamentos. Parecendo compreender seu estado de espírito, o céu fechou-se subitamente e uma chuva torrencial começou a cair. Sem guarda-chuva, ela logo ficou encharcada. Ao erguer o olhar para o céu sombrio, as gotas de chuva deslizavam por seus olhos avermelhados como lágrimas.

Um Lexus escuro parou lentamente à sua frente. O vidro baixou, e o rosto belo de Qi Yan surgiu, um tanto difuso através da cortina de chuva. Ao encontrar seus olhos profundos e sombrios, Ning Ran ficou paralisada, como se não tivesse voltado a si.

— Senhorita Ning? — disse Qi Yan com suavidade, seu olhar desviando-se para o edifício austero do outro lado, um lampejo de compreensão cruzando seu rosto.

Ning Ran rapidamente recompôs sua postura abatida, virou levemente o rosto e desenhou um sorriso nos lábios.

— Sr. Qi, não esperava encontrá-lo aqui. Que coincidência.

Em pé sob a chuva, esforçando-se para manter um sorriso sereno, ela parecia uma margarida frágil, balançando sob o vento e a tempestade, possuindo uma beleza resiliente e, ao mesmo tempo, dilacerada. Os dedos bem delineados de Qi Yan roçaram uns nos outros, reprimindo o impulso súbito de colher e esmagar aquela flor.

Ele bateu levemente no vidro da janela.

— Suba.

Ning Ran hesitou, baixou a cabeça com um sorriso discreto em agradecimento e entrou no carro. Suas roupas estavam encharcadas, revelando vagamente a pele clara, e uma mecha de cabelo molhado colava-se ao seu pescoço, serpenteando até o colo, conferindo-lhe um ar ainda mais sedutor. Envolta em vapor de água dentro do habitáculo limpo, Ning Ran sentiu-se um tanto deslocada.

Qi Yan desviou o olhar e jogou-lhe uma toalha seca.

— Obrigada.

Ning Ran secou o rosto, como se também limpasse algum sentimento, e seu sorriso trazia um misto de pesar e suavidade.

— Vim visitar minha mãe hoje e não esperava que começasse a chover. Se não tivesse encontrado o Sr. Qi, provavelmente estaria ensopada como um pintinho.

Qi Yan girou um cigarro não aceso entre os dedos e ergueu os olhos.

— E então?

Ning Ran não escondeu o motivo de sua presença ali, ou talvez tenha sido o fato de ele a ter visto isolada e desamparada sob a chuva que fez Qi Yan sentir que aquelas palavras eram apenas um prelúdio. Afinal, nos poucos contatos que tiveram desde que se conheceram, ele sempre soube das intenções de Ning Ran.

Ela piscou lentamente, deixando cair as gotas de chuva que estavam em seus cílios. Com um sorriso nos lábios, inclinou-se em direção a Qi Yan e disse em voz baixa:

— Agradeço ao Sr. Qi por me dar este abrigo temporário contra o vento e a chuva. Se for possível, o senhor poderia me dar uma carona?

O olhar de Qi Yan tornou-se intrigado; ele a observou por um momento e, subitamente, sorriu.

— Só isso?

Ning Ran aproximou-se mais, pousou a mão no ombro dele e exalou um suspiro perfumado.

— O Sr. Qi tem um olhar aguçado, como eu esperava; percebeu que tenho outras intenções.

Com os olhos brilhantes semicerrados, seus lábios macios roçaram o ouvido de Qi Yan em uma sedução desajeitada, porém audaciosa. As orelhas de Ning Ran, escondidas sob o cabelo molhado, estavam vermelhas e quentes. Gotas de água de suas pontas de cabelo caíam como lágrimas frias pelo seu rosto. Sob o olhar enigmático de Qi Yan, Ning Ran fez seu convite suave.

— Sr. Qi...

Lá fora, o vento e a chuva rugiam; dentro do carro, a atmosfera tornava-se gradualmente ambígua. O motorista, sem desviar o olhar, concentrou-se em seu trabalho e, com presteza, baixou a divisória.

Vendo que Qi Yan não a recusava, Ning Ran tornou-se mais ativa, colando-se a ele. O perfume úmido invadiu as narinas dele. Qi Yan admitiu que, naquele momento, as atitudes de Ning Ran despertaram sua curiosidade. Ele segurou sua cintura esguia e puxou-a para seus braços.

Qi Yan enrolou uma mecha de cabelo molhado dela entre os dedos.

— A senhorita Ning está tão impaciente assim? — perguntou ele, com um sorriso que não chegava aos olhos. — Não me diga que pretende usar esta ocasião como barganha para que eu ajude a salvar sua mãe.

Sentindo que ele a afastaria, Ning Ran não pensou duas vezes; abraçou-o e sentou-se em seu colo.

— Eu disse antes que não faria isso, e não quebrarei minha promessa.

Ning Ran baixou a cabeça, apoiando-se no ombro dele para esconder sua expressão.

— Mas admito que estou me sentindo um pouco para baixo agora, então queria fazer outra coisa. O Sr. Qi seria tão mesquinho a ponto de me negar este consolo?

Ao entrar no carro, Ning Ran realmente tivera o impulso de implorar pela ajuda de Qi Yan. Mas, após reprimir aquela fragilidade, ela se acalmou e descartou a ideia. Sabia que não adiantaria.

Qi Yan soltou uma risada debochada. Seus traços eram belos, porém afiados demais; bastava olhar para ele para saber que não era alguém capaz de demonstrar ternura facilmente.

— Veio procurar consolo em mim? Acho que escolheu a pessoa errada.

Suas palavras eram indiferentes, mas a força com que a segurava aumentou; estavam próximos o suficiente para que suas respirações se entrelaçassem. Com os cabelos longos espalhados sobre a pele, Ning Ran inclinou a cabeça, os cantos dos olhos avermelhados como se estivessem pintados de carmim.

O olhar de Qi Yan escureceu, e ele, subitamente, mordeu o pescoço dela.

Após o ato, a tempestade lá fora havia cessado. O carro parou na beira da estrada. Ning Ran, com o corpo mole e a respiração descompassada, afastou-se de Qi Yan e arrumou seu vestido amarrotado.

— Sr. Qi, até a próxima.

Ning Ran despediu-se com um sorriso suave e saiu do carro de forma decidida, sem mencionar, do início ao fim, uma única palavra sobre o caso de sua mãe.

Ao chegar em casa, o cansaço tomou conta de Ning Ran. Ela se jogou no sofá e permaneceu imóvel por um longo tempo.