Capítulo 8: Ele não é digno
Antes de procurar Ning Ran, Zhou Yun já havia investigado suas informações: origem comum, família dona de uma loja de antiguidades, e recentemente sua mãe foi presa por falsificação. Quanto ao passado dela com Qi Yuchuan, quando se conheceram, pouco se descobriu.
Ning Ran sorriu discretamente ao ouvir isso; que conversas poderiam ter?
— Senhorita Zhou, se tiver algo a dizer, fale direto. — Zhou Yun fixou o olhar no rosto dela, cabelos negros, pele alva, sobrancelhas delicadas e lábios vermelhos; mesmo sem maquiagem, vestindo apenas uma camisa branca simples e jeans preto, era bela de forma natural e despretensiosa.
Sendo mulher também, não pôde evitar sentir um misto de inveja e ciúmes diante da beleza singular de Ning Ran. Esta não era apenas bonita, mas possuía uma aura contraditória, ao mesmo tempo fria e suave, que despertava o desejo de conquista nos homens e, simultaneamente, sua vontade de protegê-la.
Até Qi Yan, conhecido por ser indiferente às mulheres, a tratava de modo especial.
— Senhorita Ning, vocês se conhecem há muito tempo? Não me entenda mal, como noiva de Yuchuan, só quero entender melhor o passado dele. Encontrei uma amiga antiga dele e não resisti a vir conversar com você. — Zhou Yun disse.
— Somos apenas velhos conhecidos, pouco nos falamos. — respondeu Ning Ran, com tom frio.
Zhou Yun, incomodada com a frieza, tentou controlar a irritação.
— Velhos conhecidos? Mas no outro dia, quando os vi conversando, não parecia que estavam distantes há tanto tempo.
Eles estavam prestes a se comprometer, e Zhou Yun não podia permitir que algo inesperado surgisse nesse momento crítico. Qualquer ameaça potencial, ela precisava esclarecer e eliminar.
Ning Ran quase riu:
— Senhorita Zhou, somos realmente velhos conhecidos, mas mal nos falamos. Ouvi dizer que vocês vão se comprometer, desejo sinceramente felicidades.
Ela segurava a xícara de café com dedos alvos e delicados, tomando um gole suave, com expressão calma e gentil.
— Se tem dúvidas, por que não perguntar diretamente a Qi Yuchuan? No amor, o que mais importa é a sinceridade e a ausência de segredos; caso contrário, problemas inevitavelmente surgem com o tempo.
As palavras gentis e sinceras de Ning Ran fizeram Zhou Yun hesitar, tirando o ar agressivo que tinha, mostrando-se um pouco desconfortável.
Pela reação de Ning Ran, parecia mesmo que não havia nada entre ela e Yuchuan.
Zhou Yun até achou que seu ciúme e desconfiança anteriores foram um julgamento injusto.
— Eu... — murmurou Zhou Yun, mordendo o lábio — talvez por estar prestes a se comprometer, estou ansiosa e sensível demais.
Por isso, sua mente vagou e ela suspeitou de algo entre Yuchuan e Ning Ran. Talvez o mau humor de Yuchuan no hospital tivesse a ver com Qi Yan.
Qi Yuchuan e seu irmão Qi Yan não tinham qualquer afeição; mesmo se encontrassem no hospital, Qi Yan nem sequer cumprimentava. Embora tivesse sido reconhecido como membro da família Qi, não eram filhos da mesma mãe, e Qi Yan o rejeitava. Pensar nisso fazia Zhou Yun sentir pena das dificuldades de Yuchuan na família Qi.
Nos dias seguintes, Ning Ran dedicou-se a resolver o processo da mãe, envolvendo várias relações, mas as pessoas com alguma influência evitavam contato, pois sabiam que o caso tinha ligação com a família Qi.
Até Chen Lao, que antes estava indeciso, não dizia se ajudaria ou não, parecia estar observando a postura da família Qi, especialmente de Qi Yan.
E justamente nesse momento, Ning Ran recebeu a notícia de que o julgamento foi antecipado.
O caso da loja acusada de falsificação, que deveria ser julgado meses depois, foi adiantado abruptamente, claramente uma pressão de Qi Yuchuan para dificultar sua situação.
Provavelmente, o encontro deles no hospital o irritou de verdade.
Ning Ran apertou o celular desligado, franzindo a testa preocupada, sentindo ansiedade crescente.
Arrependeu-se de ter agido impulsivamente; a febre realmente a confundiu, pois a impaciência atrapalhou seus planos.
Pensando no noivado que Qi Yuchuan realizaria em poucos dias, um sorriso frio surgiu nos cantos de seus lábios.
Pegou o telefone e ligou para sua assistente Yun Ling.
Os dias passaram rapidamente até o dia do noivado do segundo filho da família Qi.
— Ning, comprei as coisas, veja o que acha. — Yun Ling abriu uma caixa na mesa e tirou um vaso de porcelana azul e branca com padrão de ondas e penhascos marítimos, colocando-o diante de Ning Ran.
Ela olhou de relance e assentiu:
— Está bom. Obrigada por cuidar disso para mim.
— Imagina, imagina. — Yun Ling acenou, despedindo-se logo em seguida.
A loja de antiguidades ainda não havia aberto, e Yun Ling estava de férias com salário garantido, então Ning Ran sentia-se culpada; dar tarefas a ela a deixava mais tranquila.
Quando foi guardar o vaso, uma mão esguia e óssea segurou seu pulso.
— Senhorita Ning, parece que acha que os problemas com sua mãe não são suficientes, e ainda se atreve a colecionar antiguidades falsas neste momento. — Qi Yan levantou o vaso, olhando-o com um meio sorriso irônico.
O padrão azul do vaso realçava seus dedos longos e brancos, conferindo-lhe ainda mais elegância.
Ning Ran ficou um pouco surpresa.
Sorriu:
— Diretor Qi, sua visão é aguçada, percebeu imediatamente que o vaso é uma falsificação.
— Então você pretende desafiar as regras e vender essa porcaria? — perguntou Qi Yan.
Ning Ran negou com a mão e respondeu seriamente:
— O senhor certamente sabe se o caso da minha mãe é verdade ou não, e eu jamais venderia algo falso para lucrar.
Seus olhos limpos brilharam com um toque de ironia fria:
— Esse vaso é um presente meu para o noivado de Qi Yuchuan. Apenas uma falsificação serve para ele; se eu lhe desse uma verdadeira antiguidade, ele não mereceria.
Qi Yan riu alto, encantado com a provocação; até seu olhar normalmente sombrio se iluminou de diversão.
Ning Ran se levantou, sorrindo alegremente para ele:
— Diretor Qi, vai ao noivado esta noite? Posso ir com você?
Qi Yan arqueou a sobrancelha:
— Você já preparou o presente, não pensou em como entrar no evento?
— Mas ir com o senhor é mais fácil e conveniente. Por favor, diretor Qi.
Seus olhos caíram sobre o vaso, e um brilho de interesse surgiu.
— Pode ser.
Estava de bom humor e não se importava em conceder esse pequeno favor.
Às sete da noite, Qi Yan chegou pontualmente para buscar Ning Ran.
— Diretor Qi. — O som do salto dela ecoava no chão; sua figura esguia caminhava em direção à janela do carro sob o céu cor de fogo do entardecer.
— Desculpe a demora. — Qi Yan ergueu os olhos casualmente, mas parou ao vê-la; seus olhos refletiam o brilho vermelho do crepúsculo.
Qi Yan a olhava em silêncio; o rosto belo parcialmente na sombra transmitia uma expressão indecifrável, um misto de raiva e prazer que deixou Ning Ran nervosa sem motivo.
— Diretor Qi?