Capítulo 12: Palavras Arrogantes
O salão de exposições do leilão estava decorado com requinte e elegância, amplo e iluminado. Nos expositores, dispostas de maneira organizada e limpa, encontravam-se diversas peças preciosas para o leilão, abrangendo caligrafias, jade, bronze, madeira de pera e inúmeros outros objetos colecionáveis.
Perto da entrada, diante de um dos expositores, Qi Yan avistou uma figura familiar vestida de verde claro. Ele franziu levemente as grossas sobrancelhas negras. Ning Ran trajava um vestido longo sem mangas, na cor menta, com os longos cabelos negros soltos sobre os ombros, e a saia esvoaçante revelava uma perna fina e branca. Ela se inclinava atentamente para observar as peças no expositor, parecendo uma brisa suave que passava em um verão intenso, delicada, graciosa e encantadora.
Algumas pessoas ao redor, distraídas das peças, voltaram os olhos admirados para Ning Ran. Ao perceber que seu filho parara e fixava o olhar em algo à frente, o pai de Qi perguntou com curiosidade:
— O que houve?
— Nada — respondeu Qi Yan com semblante frio e distante.
Ning Ran ouviu a voz e, como se percebesse algo, virou-se. Surpresa, seu rosto primeiro expressou um instante de espanto, seguido de um sorriso inesperado. Ela se voltou para Qi Yan e se aproximou, com a voz clara e melodiosa:
— Senhor Qi? Que coincidência! Também veio participar do leilão?
Os olhos frios e penetrantes de Qi Yan pareciam enxergar através de tudo, e um sorriso gelado curvou ligeiramente seus lábios.
— Senhorita Ning, qual o motivo de ter entrado sorrateiramente no evento desta vez?
O rosto de Ning Ran congelou por um momento, pois, embora tivesse se preparado para aquela resposta, não esperava que Qi Yan a confrontasse tão diretamente, sem dar a ela qualquer consideração. Sob o olhar avaliador do pai de Qi, Ning Ran sentiu-se ainda mais constrangida. Respirou fundo, tentando manter a calma. Afinal, havia conseguido entrar no evento e precisava aproveitar a oportunidade.
Fingindo tranquilidade, apertou firme a bolsa que carregava e disse:
— Vim hoje para falar com o senhor Qi.
O pai de Qi, ao notar o olhar dela em sua direção, finalmente compreendeu que aquela jovem estava ali para falar com ele. No entanto, isso só aumentou sua perplexidade.
— Senhorita, o que deseja comigo? — perguntou.
Ning Ran tirou de dentro da bolsa seus diversos certificados e currículos, e olhou sinceramente para o pai de Qi.
— Sei que o senhor precisa contratar um leiloeiro. Minha família trabalha há gerações no ramo de antiguidades, e eu mesma sou restauradora de artefatos, conhecendo bem o mercado de antiguidades. Por isso, gostaria que me desse uma chance.
Diante do olhar surpreso do homem, Ning Ran sorriu com um pouco de vergonha e continuou:
— Peço desculpas por incomodá-lo neste momento, mas essa é a única forma que encontrei de falar com o senhor.
O pai de Qi lançou um olhar rápido aos documentos nas mãos dela, sem pegá-los, e exibiu um sorriso distante.
— Senhorita Ning, se deseja ser leiloeira, poderia simplesmente enviar seu currículo pela internet e aguardar o processo seletivo.
Dito isso, ele se afastou, recusando-a educadamente. Se Ning Ran já pudesse enviar o currículo online, ela certamente o teria feito; não precisaria estar ali pessoalmente.
Qi Yan semicerrava os olhos com um brilho enigmático na voz.
— Senhorita Ning é bem informada, até sabe que meu pai participaria do leilão.
Ning Ran guardou os documentos na bolsa, controlando a decepção, e sorriu levemente.
— Afinal, minha família está no ramo de antiguidades há muitos anos; naturalmente, tenho meus contatos para obter informações.
Qi Yan soltou um “hum” desdenhoso. Observando as costas dos dois homens se afastando, não pôde deixar de suspirar, franzindo as sobrancelhas. Será que sua vinda teria sido em vão?
O leilão ainda não começara. As pessoas no local conversavam em pequenos grupos ou observavam as peças nas vitrines, onde um especialista narrava a origem e as histórias de cada objeto.
Quando o especialista apresentava um conjunto de pequenas taças policromáticas, uma voz suave e melodiosa soou como pérolas caindo em uma bandeja de jade.
— Senhor, talvez esteja enganado. Essas taças são genuínas, produzidas em uma verdadeira fábrica imperial, datando do período Qianlong da dinastia Qing.
Imediatamente, o ambiente ficou silencioso. Olhares curiosos e desconfiados se voltaram para Ning Ran.
No salão de leilão, além das antiguidades, havia uma área dedicada a artesanato moderno. Ning Ran estava diante da vitrine de cerâmicas contemporâneas, apontando para as pequenas taças e corrigindo o especialista.
Ele ficou surpreso ao perceber que quem falava era uma jovem, franzindo a testa. Afinal, todas as peças haviam sido previamente avaliadas por especialistas do leilão.
E agora uma garota dizia que aquelas taças eram autênticas, e não meros objetos artesanais modernos?
— Jovem, o que você sabe sobre avaliação de antiguidades? Sua visão é melhor que a dos nossos especialistas?
— Os jovens de hoje têm uma língua afiada demais — murmuraram algumas pessoas.
Ning Ran ignorou as provocações ao redor. Também não esperava que o leilão cometesse uma confusão dessas, leiloando uma verdadeira antiguidade da dinastia Qing como se fosse uma peça moderna.
A diferença no preço inicial de arremate entre as duas categorias era enorme.
O especialista não acreditou nas palavras dela, achando que era apenas uma tentativa de chamar atenção.
Seu sorriso se desfez um pouco, e sua voz, antes amena, tornou-se mais séria.
— Senhorita, todas as peças aqui foram avaliadas por profissionais. Se continuar a fazer afirmações infundadas, terei que chamar o responsável.
Ning Ran sorriu levemente, observando calmamente as taças azul e rosa.
— Pelas formas, pelo esmalte, pelas cores e pelo desenho, pela qualidade da pintura e pelos pés da peça, são claramente taças da fábrica imperial. O desenho apresenta complexos padrões florais entrelaçados, as cores são puras, vibrantes, brilhantes sem ofuscar, as linhas são nítidas e delicadas, e o esmalte reflete uma luz contida, própria da porcelana imperial, não uma luz superficial. Sob a iluminação, há um brilho suave e ondulante.
Sua voz era suave e pausada, e, conforme falava, todos inconscientemente observavam cada detalhe que ela mencionava.
— A prova definitiva de que são taças da fábrica imperial Qianlong está na marca da base: um selo em azul translúcido, com seis caracteres escritos em caligrafia tradicional da dinastia Qing. E o mais importante, os pés das taças têm entre trezentos e quatrocentos anos, com uma textura macia e suave como a pele de um bebê, resultado do envelhecimento natural, muito diferente das peças modernas envelhecidas artificialmente.
Ning Ran falou com tanta propriedade que, sem perceber, dissipou as dúvidas no coração dos presentes, talvez por sua convicção e detalhamento.
Ao terminar, sorriu para o especialista.
— Se ainda duvidar, pode chamar outro avaliador para examinar.
O especialista hesitou por um momento, mas acabou chamando o responsável do leilão. Pouco depois, um homem de meia-idade em terno chegou, e, após ouvir a explicação do especialista, mostrou uma expressão de ceticismo.
Ele voltou o olhar para Ning Ran e perguntou em tom firme:
— Como devo chamá-la, senhorita?
— Meu sobrenome é Ning, meu nome é Ning Ran.