Capítulo Vinte: A Escolha do Sagrado Feminino e a Gravidez da Mulher Estéril
Tribo da Montanha dos Ratos.
Hoje é o dia de maior celebração na tribo, o aniversário de maioridade da única Santa Fêmea. Todos os machos orcs solteiros se reuniram diante do altar do sacerdote, na esperança de serem escolhidos pela Santa Fêmea.
— Agradecemos por você permanecer conosco na Tribo da Montanha dos Ratos. Com sua presença, nossa tribo certamente se tornará cada vez mais forte! — declarou o chefe da tribo com entusiasmo.
Zhou Ruanruan, satisfeita com a atitude calorosa do líder, assentiu levemente. Ela aguardava este dia há muito tempo.
O sacerdote, com o rosto impassível, segurava seu cajado enquanto realizava o ritual. Quando a última marca vermelha foi traçada na testa de Zhou Ruanruan, o ritual chegou ao fim.
— Agora podem escolher os companheiros orcs — anunciou o sacerdote.
Mal suas palavras soaram, o chefe ordenou que todos os machos orcs se aproximassem para que ela pudesse escolher.
— Obsidiana, venha aqui, meu primeiro companheiro — chamou Zhou Ruanruan.
Um jovem homem robusto e negro saiu à frente. Ele era o filho do chefe e o único orc da tribo a alcançar o quinto nível, tornando-se o primeiro companheiro da Santa Fêmea com justiça, o que não causou surpresa a ninguém.
— Também estão aqui Ratinho Um e Ratinho Dois — continuou ela.
Esses dois também eram orcs de nível quatro. Ao serem chamados, se aproximaram felizes.
— Chefe, todos os machos solteiros da tribo estão aqui? — Zhou Ruanruan perguntou franzindo a testa, pois não viu uma pessoa importante.
O chefe hesitou por um momento e de repente se lembrou de algo. Voltou-se para Lin Ye:
— Velho Lin, onde está seu filho?
— Chefe, meu filho... ele já tem alguém, está comprometido — respondeu Lin Ye com resignação.
— É aquela infértil, Jiang Cha? — indagou o chefe.
— Exatamente — confirmou Lin Ye.
— Ridículo! Mesmo que ela não tenha partido, você deixaria seu filho se unir a uma infértil? — retrucou o chefe.
— ...
— Além disso, já se passaram mais de quinze dias. Você acha que uma jovem fêmea poderia sobreviver tanto tempo fora da tribo? Provavelmente já está morta — continuou o chefe, não querendo apertar Lin Bei, mas sabendo do interesse de Zhou Ruanruan por ele, não poderia deixá-lo passar vergonha.
— Vá chamar seu filho imediatamente!
Percebendo a firme decisão do chefe, Lin Ye suspirou e saiu para procurar Lin Bei.
Enquanto isso, Lin Bei pouco se importava com a Santa Fêmea. Ele já havia deixado a Tribo da Montanha dos Ratos e buscava informações sobre Jiang Cha em terras distantes.
Com sua experiência de caça e sua força de nível três, já conseguia caçar sozinho e enfrentar as feras selvagens da região com sucesso.
Ele recuava diante dos fortes e atacava os fracos. Em apenas quinze dias, graças à caça incessante, alcançou o nível quatro.
Toda a tribo sabia que ele era o orc que mais alimento caçava sozinho.
E também o mais apaixonado entre os machos orcs!
...
Em apenas quinze dias, a barriga de Jiang Cha cresceu visivelmente. Agora todos sabiam que ela estava grávida.
Sua condição de infértil ficou completamente desmentida.
Ao saber da gravidez, Kewi ficou triste, mas feliz por ela não ser mais considerada infértil.
Para preservar a saúde dela, decidiu não mais atendê-la, temendo que ela se cansasse.
Mas Jiang Cha, entediada, ia todos os dias à casa do Pequeno Encaracolado para vê-lo tratar outros orcs.
— Ei, não trate assim, o ferimento vai demorar mais para cicatrizar.
— Essas duas ervas não podem ser misturadas. Apesar de ajudarem na cura, podem causar diarreia.
— Essa erva é venenosa! Como pôde colocá-la aí?
— ...
Jiang Cha observava a cena cheia de erros e só conseguia pensar: a vida dos orcs da tribo dos lobos é realmente dura!
Desde que ela engravidou, Li Bai a examinava diariamente, sempre saindo com uma expressão incrédula.
Murmurava frequentemente:
— Não é possível! Como uma fêmea infértil pode ficar grávida?
— O mundo é cheio de mistérios. Só posso dizer que sua habilidade médica é insuficiente — Jiang Cha respondeu, sem admitir que sua gravidez se devia à pílula da fertilidade que tomou.
Mal terminou de falar, Pequeno Encaracolado saiu cabisbaixo.
Ela tocou sua barriga arredondada, ainda meio atordoada, sem acreditar que logo seria mãe.
O lobo alfa, que jurou não desistir dela, não a visitava há dois dias. De fato, não são todos os homens que aceitam se tornar pais de surpresa.
Ignorando a ponta de tristeza, Jiang Cha foi até as ervas que havia deixado secando.
Recolhera aquelas plantas ao redor da tribo, além de algumas que Kewi trouxera de fora.
Pretendia secá-las para depois moer em pó, usando algumas para fazer antídotos de defesa e outras em pílulas medicinais, facilitando o armazenamento em seu espaço especial.
De repente, distraída, deixou as ervas caírem no chão.
Com cuidado, ela se abaixou para recolhê-las.
Para sua surpresa, alguém foi mais rápido e ajudou a pegar as ervas.
— Cha Cha, vá descansar ali, eu cuido disso — disse uma voz suave.
Cabelos prateados caíam sobre o peito, o rosto belo mostrava cansaço, mas falava com uma delicadeza cautelosa.
— Obrigada — respondeu Jiang Cha, sem se forçar.
Em apenas quinze dias, sua barriga parecia a de uma grávida de sete meses.
A gestação dos ratos era curta, apenas um mês, mas não poderia usar a lógica humana, pois certamente não havia apenas um bebê.
Na noite anterior sentira muitos pezinhos chutando, que logo se aquietaram, sem causar incômodo.
Sentou-se à porta, observando a raposa prateada organizar as folhas de chá com atenção.
— Apenas sete ou oito dias longe, mas sinto que o mundo desabou — disse Feng Mu baixinho, com os olhos vermelhos, olhando para ela.
— Você disse que não se uniria a Kewi, não foi? — continuou, a voz carregada de ressentimento.
Jiang Cha quis explicar, mas ao lembrar que ele havia mentido na primeira vez que se conheceram, desviou a resposta:
— Você também me disse que era um coelho, não?
Feng Mu mordeu os lábios vermelhos e, com os olhos brilhantes, deixou escapar lágrimas.
— Se eu dissesse que não sou um coelho, você me deixaria em paz?
Jiang Cha ficou sem palavras. De fato, quando chora, essa raposa prateada lembra mesmo um coelho.
Ela coçou o nariz, um pouco envergonhada:
— Bem, vamos deixar isso de lado. Não estou bravo com você. Por que chorar? Parece que eu te machuquei.
— Você não me machucou, sou eu que não consigo evitar a tristeza.
Depois de arrumar as ervas, Feng Mu ajudou-a a levar tudo para dentro.
— Pode me acompanhar para uma caminhada?
Ele se abaixou, estendeu a mão, e seus olhos vermelhos ficaram muito próximos dos dela. Jiang Cha podia ver pequenas gotas de lágrima penduradas nos longos cílios.
A beleza com lágrimas desperta compaixão, especialmente naquele instante em que parecia prestes a chorar, mas não o fazia.
Jiang Cha hesitou, sem coragem para recusar.
Parecia que, desde que voltara, esse rapaz estava completamente despedaçado.
— Tudo bem — concordou.
Com dificuldade, ela se apoiou na mão dele para levantar e o acompanhou até uma área remota da tribo.
Guardou algumas ervas medicinais de emergência em seu espaço, sem temer qualquer eventualidade com ele.