Capítulo 11: Ferido
O momento em que a sopa fervente foi derramada foi tão inesperado que Su Wanzhen, sem pensar, segurou o pen drive com firmeza.
No entanto, o calor escaldante que ela esperava não a atingiu. A sopa foi bloqueada por um par de mãos longas e bem torneadas; nem uma única gota tocou a pele de Su Wanzhen.
Ela ficou levemente atônita.
Yu Chenfeng, de forma rara, desfez o sorriso que pairava em seus lábios e, com a outra mão, segurou o pulso da garçonete que servia a mesa, pressionando-o com firmeza para que ela pousasse a tigela de sopa.
— Peço desculpas, senhor. — A garçonete cerrou os dentes, tentando puxar o braço, mas percebeu que não conseguia se soltar. — Eu... eu não segurei direito e acabei derrubando. Vocês estão bem?
Su Wanzhen não deixou passar o lampejo de frustração que cruzou os olhos da garçonete.
Ela pegou um guardanapo e cobriu a mão de Yu Chenfeng, que havia sido atingida, limpando os respingos de sopa com o máximo de cuidado possível. Ao remover a sujeira da mão dele, Su Wanzhen percebeu, de repente, que eram mãos muito bonitas.
Os nós dos dedos eram longos, a pele era clara e, embora parecessem esguias, emanavam uma sensação de força. Su Wanzhen teve a súbita consciência de que já tinha visto mãos como aquelas antes.
Mãos tão belas estavam agora marcadas por várias bolhas causadas pela sopa quente. Como a pele de Yu Chenfeng era clara, a área atingida ficou intensamente vermelha, parecendo um ferimento bastante grave. Se ele não a tivesse protegido, aquelas queimaduras estariam nela.
— Dói muito?
Su Wanzhen não olhou para a garçonete; ela fixou o olhar nos olhos de Yu Chenfeng, com um tom de voz excepcionalmente suave.
Yu Chenfeng soltou o pulso da garçonete e baixou os olhos, o que, da perspectiva de Su Wanzhen, o fazia parecer um tanto vulnerável.
Su Wanzhen não disse nada, mas seu olhar tornou-se gélido.
A garçonete começou a se curvar repetidamente em pedido de desculpas: — Sinto muito por proporcionar uma experiência tão ruim. Vou chamar o gerente agora, e arcarei com todos os custos do tratamento médico...
O tumulto atraiu a atenção dos outros clientes. A garçonete parecia uma estudante trabalhando meio período e estava à beira das lágrimas. Se Su Wanzhen não tivesse sentido claramente a malícia emanando dela, teria acreditado que aquilo não passava de um acidente.
— Ei, a moça não teve culpa, por que dificultar a vida de uma estudante? — um cliente da mesa ao lado, comovido com o choro da garçonete, interveio. — Deixe para lá.
Su Wanzhen levantou-se da cadeira e lançou um olhar frio para quem acabara de falar.
Ela raramente se deixava levar por emoções, e seu olhar carregava uma autoridade difícil de confrontar. O cliente que havia se manifestado recuou o olhar, murmurando algo sem jeito.
— Desculpe. — Yu Chenfeng comprimiu os lábios. — Eu lhe causei problemas.
— Não há necessidade de se desculpar por um erro que não é seu. — Su Wanzhen voltou-se para a garçonete. — E você não precisa mais se explicar para mim. Explique-se quando chegarmos ao Departamento de Controle de Riscos.
A garçonete paralisou ao notar o veículo estacionado em frente ao restaurante, com o emblema do Departamento de Controle de Riscos claramente visível no teto.
— Destruição intencional de provas de um caso e agressão deliberada a uma pessoa envolvida na investigação. O Departamento de Controle de Riscos tem motivos suficientes para acreditar que você está ligada ao mentor por trás deste caso.
Ao ouvir as palavras de Su Wanzhen, as pupilas da garçonete se contraíram violentamente, tornando-se de um vermelho escuro. Sua expressão mudou para um semblante feroz, e ela se lançou desesperadamente em direção à mão de Su Wanzhen que segurava o pen drive.
No entanto, ela escolheu o alvo errado. Se tivesse tentado fazer Yu Chenfeng ou um dos espectadores de refém, talvez tivesse alguma chance, mas ela escolheu Su Wanzhen.
Su Wanzhen não recuou; ela prendeu o braço da garçonete com um movimento rápido. No instante em que tocou a pele da moça, a sensação de carne humana desapareceu, transformando-se em algo que parecia tufos de algodão etéreo.
— Hospedeira! Cuidado!
O acontecimento pegou Su Wanzhen de surpresa, pois até aquele momento, ela não havia sentido qualquer flutuação de habilidade especial vinda da garçonete. Tendo passado um longo tempo na sede da Federação, Su Wanzhen, apesar da surpresa interior, agiu com precisão cirúrgica: segurou o pescoço da garçonete e a arremessou contra a mesa. Em seguida, desferiu um golpe seco na nuca dela, garantindo que não houvesse chance de fuga.
Yu Chenfeng piscou lentamente, como se ainda estivesse processando o que acabara de acontecer.
Os investigadores que saíram do carro correram até eles. O líder da equipe olhou para Su Wanzhen com preocupação: — A senhora está bem? Algum ferimento?
— Foi o professor Yu quem se machucou. — Su Wanzhen entregou a garçonete aos investigadores. — Levem-na sob custódia para o Departamento, verifiquem a identidade dela. Eu levarei o professor Yu ao hospital.
Yu Chenfeng curvou os lábios em um sorriso: — Não é nada, apenas uma queimadura. Com gelo, logo passará.
Su Wanzhen ponderou por um momento e concordou que o argumento dele fazia sentido. — Então, professor Yu, cuide disso. Eu voltarei ao Departamento para tratar do caso.
Yu Chenfeng pareceu engasgar com a frase, virando o rosto para tossir duas vezes.
— A diretora Su não vai voltar para processar o caso? Como uma das partes envolvidas, como posso não dar a minha contribuição?
Yu Chenfeng sorriu de forma leve, mas Su Wanzhen sentiu, vagamente, que havia um tom de ranger de dentes naquelas palavras.
— Então, professor Yu, venha conosco. O Departamento de Controle de Riscos possui gelo puro. — Su Wanzhen aceitou a decisão dele, abriu a porta do carro e acrescentou, sem esquecer a recomendação: — Cuidado com a mão.
Yu Chenfeng perdeu qualquer resquício de paciência e olhou para ela, impotente: — Você é realmente...
Su Wanzhen ouviu apenas metade da frase antes de ele se calar. Ela olhou para Yu Chenfeng com certa confusão, mas não obteve resposta.
Essa pessoa é realmente estranha.
— Hospedeira — o Sistema limpou a garganta —, acho que ele ficou ofendido.
Ofendido? Por que motivo ele estaria ofendido?
Su Wanzhen também entrou no carro e olhou para frente: — Humanos são seres realmente complicados.
— Eu também acho — concordou o Sistema, mas logo acrescentou com hesitação: — Mas ele, mesmo ferido, insistiu em ajudar a resolver o caso!
Ao ouvir as palavras "ferido", o olhar de Su Wanzhen pousou involuntariamente na mão vermelha de Yu Chenfeng.
O olhar de Yu Chenfeng encontrou o dela naquele momento. Percebendo a atenção de Su Wanzhen, ele instintivamente escondeu a mão em um ponto cego, evitando que ela continuasse a observá-la.
Não parecia um gesto para ganhar piedade; caso contrário, ele teria exibido o ferimento em vez de escondê-lo. Tendo se encontrado poucas vezes, ele arriscou a própria integridade física para protegê-la. Reações subconscientes não mentem; naquele momento, Yu Chenfeng estava genuinamente preocupado e por isso colocou a mão sobre a dela.
— Você não achava antes que ele era um suspeito?
Su Wanzhen não revelou seus pensamentos reais, apenas arqueou as sobrancelhas e desafiou o Sistema: — Mudou de lado tão rápido assim?
O Sistema foi facilmente desviado pela fala de Su Wanzhen: — Agora que você mencionou... Hospedeira, você acha que Yu Chenfeng é um suspeito?
— Eu? — o tom de Su Wanzhen era calmo. — Acho que há uma grande possibilidade de Yu Chenfeng ser o mentor por trás de tudo.