Capítulo 5 — O sobrevivente morre de desespero
Ao ouvir a resposta dela, Yu Chenfeng curvou os olhos com grande satisfação. Su Wanzhen refletiu por um instante e achou que o professor Yu se parecia um pouco com uma raposa que havia adquirido essência.
Com a garantia de Yu Chenfeng, e como Su Wanzhen tampouco aparentava representar qualquer ameaça, os seguranças da universidade logo lhes deram passagem, limitando-se a passar o aparelho de inspeção por seus corpos, como de costume.
No entanto, quando o aparelho passou pelo bolso de Su Wanzhen, emitiu um apito agudo e insistente.
O segurança, intrigado, tornou a examiná-la, mas o aparelho voltou a disparar.
Su Wanzhen lembrou-se de que ainda carregava no bolso aquele objeto disforme. Tirou-o de lá e, como era de esperar, assim que o aparelho passou sobre o modelo de carro, começou a apitar freneticamente.
— Isto é...
— É um trabalho de pesquisa de um aluno.
Su Wanzhen ia explicar, mas Yu Chenfeng se adiantou. Com um sorriso dirigido ao segurança, disse num tom descontraído:
— Sabe como são as coisas que os alunos inventam. Quase sempre têm algum grau de periculosidade.
— O senhor tem razão. Na semana passada, o prédio dos laboratórios chegou a explodir.
O segurança não duvidou nem por um instante da explicação de Yu Chenfeng. Pelo contrário, assentiu com vigor, e seu olhar subitamente se tornou melancólico, como se estivesse lamentando a perda do prédio dos laboratórios. Sem pensar mais no assunto, deixou os dois passarem.
A academia que formava pessoas dotadas de poderes realmente ultrapassava em certos aspectos os limites da compreensão de Su Wanzhen. Assim que entrou na universidade, seus sentidos aguçados detectaram imediatamente inúmeras presenças distintas, todas vigorosas e agressivas.
A percepção que sempre lhe fora extremamente útil tornou-se um fardo naquela situação, absorvendo indiscriminadamente as informações ao redor e deixando Su Wanzhen momentaneamente desnorteada.
Foi apenas quando o sistema ativou o mecanismo de filtragem que ela conseguiu, a custo, voltar a respirar.
— Não disseram que a segurança era rigorosa?
Su Wanzhen tornou a guardar o objeto disforme no bolso e apertou a ponte do nariz, intrigada:
— Até objetos perigosos podem entrar?
— Se quer falar em perigo, os alunos desta universidade são muito mais perigosos do que essas coisas.
Yu Chenfeng sorriu e mudou de assunto:
— Diretora Su, veio investigar o caso de hoje? Foi no Edifício Deye. O local já está isolado, mas, como havia muita gente por perto naquele momento, a cena acabou sofrendo certo grau de alteração.
— Ainda preciso buscar o trabalho de um aluno, então não seguirei pelo mesmo caminho que a senhora.
Yu Chenfeng ergueu a mão e apontou para o edifício de aulas no centro da universidade. De arquitetura antiga e imponente, as três palavras “Edifício Deye” estavam cobertas de ouro e brilhavam sob a luz dos postes.
Será que ele realmente só havia voltado para buscar um trabalho e, por acaso, acabara encontrando-a, sem acompanhá-la até o local do crime?
Su Wanzhen não conseguia entender, mas ainda assim inclinou a cabeça em sua direção.
— Obrigada pela ajuda desta vez, professor Yu.
Yu Chenfeng surgira de maneira repentina e partira sem a menor hesitação. Só quando já não conseguia mais distinguir sua silhueta é que Su Wanzhen se lembrou de que ainda segurava o cartão de transporte dele.
Deixaria para a próxima vez.
Su Wanzhen se pôs a caminho do Edifício Deye.
O lugar onde ocorrera o homicídio já estava completamente cercado por fitas de isolamento. Su Wanzhen pediu ao sistema que suspendesse o bloqueio de filtragem, ajoelhou-se com uma perna no chão e fechou os olhos, sentindo os vestígios que haviam permanecido naquele local.
Sangue espalhado. No vento do último andar, o sussurro de uma garota...
Nenhum vestígio do objeto disforme.
Su Wanzhen franziu a testa e concentrou-se nos rastros deixados pela garota.
Havia um som. Estava muito perto, quase nítido...
— Eu não quero morrer!
As lágrimas da garota escorriam por seu rosto. Sua voz estava repleta de desespero e dor.
— Eu não quero morrer! Alguém, por favor, me salve...
O pedido de socorro atravessou os tímpanos de Su Wanzhen com agudeza e, então, cessou abruptamente.
Su Wanzhen abriu os olhos de repente.
Aquilo não fora suicídio. Era impossível que alguém prestes a morrer continuasse pedindo socorro. Alguém a havia matado!
【Hospedeira, cuidado!】
Sem precisar do aviso do sistema, Su Wanzhen já havia saltado para trás. As lajotas onde estivera um instante antes se partiram com um estalo.
Sem lhe dar tempo para reagir, uma faca pequena foi lançada de um canto. Sob o luar, sua lâmina refletiu um brilho frio e cortante.
Su Wanzhen tirou do bolso a versão reduzida do objeto disforme e arremessou-a, desviando a faca que voava em sua direção.
A lâmina não conseguiu conter o próprio impulso. Quando fez a curva para voltar ao ataque, Su Wanzhen percebeu uma brecha e agarrou com a mão nua o ponto onde ficava o cabo.
A força usada para recuar não se comparava à de Su Wanzhen. Ao perceber que a emboscada fracassara, a manipuladora tentou fugir, mas o sistema já havia informado a posição dela.
【Direção das três horas, setenta e seis metros!】
O cotovelo de Su Wanzhen atingiu com força as costas da manipuladora, e a lâmina já tocava seu pescoço.
— Identidade e objetivo.
Depois de executar toda aquela sequência de movimentos, Su Wanzhen nem sequer ofegava. Interrogou-a friamente:
— Caso contrário, só me restará levá-la ao Departamento de Controle de Risco para um interrogatório.
— Vamos conversar com calma!
A manipuladora era uma garota, e não parecia ter muita idade.
— Eu só aceitei dinheiro para fazer um bico aqui durante um dia. Não sei de nada!
Su Wanzhen não respondeu. A lâmina avançou um pouco mais, ameaçadora, provocando uma pontada de dor.
— Ai...! Eu falo, eu conto tudo!
Su Wanzhen sentiu um calor na mão. A garota que fazia a pequena faca voar de um lado para o outro começou a chorar, e as lágrimas lhe escorreram pelo rosto.
— Bai Ye, caloura do curso de Controle de Dispositivos. Buááá... Eu não quero reprovar, não quero sofrer uma punição disciplinar! Meus créditos, meu índice acadêmico...
Bai Ye chorava aos berros, sem se importar nem um pouco com a faca encostada em seu pescoço.
— Pare de chorar e explique claramente por que está aqui.
Su Wanzhen suportara durante mais de uma década a pressão extrema da Federação. Para ela, lágrimas não eram nem de longe uma arma ameaçadora. Assim, continuou falando friamente.
O choro de Bai Ye engasgou. Ela aparentemente não esperava que uma garota que parecia ter idade semelhante à sua pudesse ser tão impiedosa. Sem alternativa, começou a explicar obedientemente:
— Ontem à noite, encontrei um trabalho temporário. A tarefa era ficar de tocaia no Edifício Deye, das dez da noite à uma da manhã, durante todas as noites desta semana, e assustar qualquer pessoa que se aproximasse. Pagavam quinhentos pontos de crédito por noite.
Ela não imaginara que encontraria alguém tão difícil de enfrentar.
Atacar maliciosamente uma colega... Não importavam os quinhentos pontos: seus créditos e seu índice acadêmico já estavam em risco. Na Universidade Wanqing, havia tolerância zero para esse tipo de coisa. Se conseguisse evitar a reprovação e a repetição do curso, já poderia se considerar sortuda.
Bai Ye sabia que não existiam presentes caídos do céu. Se não tivesse se deixado dominar pela ganância, jamais teria acabado naquela situação.
Ao pensar nisso, suas lágrimas correram ainda mais depressa.
Durante toda esta semana? Isso significava que, antes mesmo de o crime acontecer, alguém já começara a planejar como encobrir seus vestígios.
Su Wanzhen estreitou os olhos.
— Quem contratou você?
— Hoje em dia tudo é negociado anonimamente pela internet. Eu também não sei.
Bai Ye parecia extremamente injustiçada.
— Quando aceitei o trabalho, não sabia que aconteceria um homicídio. Mas, como já tinha recebido o dinheiro, só me restou cerrar os dentes e fazer o serviço.
Aquela história realmente escondia algo muito mais complicado.
Talvez por ter se concentrado demais ao rastrear os vestígios, Su Wanzhen ainda ouvisse, junto aos ouvidos, o pedido desesperado de socorro da garota. Fechou os olhos por um instante e perguntou:
— Você conhecia a vítima?
Bai Ye hesitou por algum tempo.
— Não conhecia.