Capítulo 2: Os Humanos São Todos Hipócritas

Depois da Confissão do Vilão, Eu Ocupei Seu Trono Gu Linyu e a linguagem dos peixes 2433 palavras 2026-07-31 03:29:52

Su Wanzhen, é claro, não xingava as pessoas sem motivo. Yu Chenfeng se mantivera frio e distante até ouvir o cargo dela; ao descobri-lo, abriu um sorriso radiante. Se isso não era hipocrisia, o que seria?

Ela rapidamente recolheu a mão e desviou o olhar para a janela do carro.

Como havia sido sequestrada, não trazia nada consigo além dos documentos que sempre carregava. Sem ter o que fazer, restou-lhe conversar com o Sistema para passar o tempo.

[Hoje eliminamos mais uma criatura anômala inferior. Mais 10 pontos de ordem... Hospedeira, o que houve?]

Antes que Su Wanzhen pudesse responder ao Sistema, Yu Chenfeng, ao seu lado, pronunciou-se: — A Diretora Su pretende investigar o caso de homicídio em Wanqing?

Yu Chenfeng de fato possuía uma bela voz — profunda, melodiosa, com um ritmo pausado e uma articulação que transmitia uma sensação muito agradável.

Mesmo que Su Wanzhen detestasse lidar com pessoas hipócritas, era difícil sentir aversão por uma voz como aquela.

A presença de Yu Chenfeng no veículo de investigação no meio da noite provavelmente tinha relação com o caso de morte. No entanto, ele próprio não parecia ser suspeito; do contrário, os investigadores não o tratariam com tanta cortesia. Provavelmente, o interrogatório havia terminado e estavam prestes a levá-lo de volta quando esse incidente aconteceu.

— O Professor Yu pode me contar sobre isso.

Embora parecesse jovem na aparência, Su Wanzhen possuía uma serenidade incompatível com a sua idade. Ela não disse se assumiria ou não o caso, devolvendo a questão a Yu Chenfeng.

Yu Chenfeng soltou uma leve risada, abriu o notebook portátil ao seu lado e virou a tela na direção de Su Wanzhen.

Os acontecimentos estavam organizados detalhadamente em ordem cronológica na forma de um mapa mental textual.

Su Wanzhen ergueu as sobrancelhas e, prestes a falar, foi antecipada por Yu Chenfeng, que pareceu ler seus pensamentos e apressou-se em explicar: — A Diretora Su não precisa se preocupar com o vazamento de informações. Também sou, de certa forma, um consultor externo do Departamento de Controle de Riscos. Naturalmente, cumprirei as regras devidas.

A matéria que Yu Chenfeng lecionava devia ser da área de literatura; ele falava de maneira bastante polida e formal, mas não a ponto de ser desagradável.

Diante da garantia dele, Su Wanzhen pegou o notebook e, deslizando o dedo pelo touchpad, examinou os detalhes do caso.

Embora fosse tratado como um caso de morte, na verdade tratava-se de um suicídio. A vítima, incapaz de suportar a pressão dos exames de pós-graduação, saltara do topo do edifício acadêmico.

O salto ocorreu exatamente no momento da saída das aulas, fazendo com que muitos alunos testemunhassem a cena, o que gerou grande repercussão.

Como executora do Departamento de Controle de Riscos — ou melhor, agora diretora...

De acordo com os regulamentos da Federação, Su Wanzhen geralmente evitava assumir casos desse tipo. Sua principal missão era lidar com incidentes anômalos que envolvessem criaturas anômalas de alto risco.

Essa regra existia para evitar o desperdício de recursos. Se Su Wanzhen tivesse que cuidar pessoalmente de cada caso em sua jurisdição, provavelmente morreria de exaustão em menos de dois anos.

Yu Chenfeng acompanhava atentamente cada movimento dela. Ao perceber que Su Wanzhen havia terminado de ler o conteúdo da tela, tomou a iniciativa de pegar o notebook de volta.

Fosse intencional ou não, ao receber o aparelho, os dedos de Yu Chenfeng roçaram na mão de Su Wanzhen, deixando uma sensação levemente fria.

O alarme do Sistema disparou em sua mente: [Uau, uau, uau! Hospedeira, será que ele está interessado em você?]

[Você é um sistema de ordem, não um sistema de romance. Pare de focar em bobagens.]

Su Wanzhen rebateu friamente, classificando o breve contato físico como um mero acidente em sua mente.

Repreendido, o Sistema encolheu-se ressentido em sua mente. Momentos depois, como se lembrasse de algo, exclamou: [Hospedeira, a universidade para a qual a Federação mandou você se candidatar parece ser justamente a de Wanqing!]

Embora sua identidade tivesse sido forjada pela Federação, as notas de Su Wanzhen haviam sido conquistadas por ela mesma, prova por prova.

Embora a faculdade servisse apenas para dar maior credibilidade à sua identidade falsa, sem qualquer utilidade real para ela, Su Wanzhen ainda sentia um leve descontentamento com a imposição rígida da Federação.

Ao devolver o notebook para as mãos de Yu Chenfeng, seus dedos acidentalmente roçaram na tela sensível ao toque, abrindo uma galeria de fotos que não havia sido fechada em uma aba lateral.

Su Wanzhen não tinha o hábito de bisbilhotar a privacidade alheia e estava prestes a desviar o olhar quando vislumbrou o canto de uma imagem.

— Professor Yu, poderia me mostrar aquela imagem?

Yu Chenfeng, naturalmente, não recusou. Ele clicou para ampliar a imagem e a exibiu diante de Su Wanzhen: — É uma foto dela quando estava viva. Algum problema?

O "ela", obviamente, referia-se à falecida, mas o tom daquela frase soou incomum. Su Wanzhen ergueu os olhos para ele: — Ela era sua aluna, Professor Yu.

Não era uma pergunta, mas uma afirmação.

Yu Chenfeng demonstrou surpresa: — A Diretora Su é realmente perspicaz.

Sem saber como responder, Su Wanzhen apenas cerrou os lábios e deu zoom na foto.

Na imagem, a jovem exibia um sorriso radiante, com os olhos brilhando sob a luz do sol, transbordando vitalidade e juventude. No entanto, por causa de sua morte, tudo aquilo fora congelado naquele instante, lançando uma sombra sobre aquela vivacidade.

Os dedos de Su Wanzhen tamborilaram de leve ao lado da tela, enquanto ela franzia o cenho de forma sutil.

Não. Isso não foi um suicídio.

— Levem o Professor Yu de volta primeiro. Eu vou passar no departamento.

Aquele caso de suicídio lhe dava uma sensação estranha. Su Wanzhen não sabia explicar o porquê, mas sua intuição dizia que havia alguma criatura anômala agindo nos bastidores.

[Sistema, recupere os arquivos do caso de suicídio e verifique se há vestígios de criaturas anômalas.]

Quando se tratava de trabalho sério, o Sistema era sempre muito eficiente. Em poucos segundos, reuniu as informações detalhadas.

[O incidente ocorreu no Edifício Deye, na ala leste da Universidade Wanqing. A hora do óbito foi às 17h23. De acordo com o cronograma da universidade, coincidia exatamente com o intervalo após as aulas da tarde. O fluxo de pessoas no local passava de quinhentas, e o alcance da notícia já superava dez mil compartilhamentos.]

[Rastreando localização de criaturas anômalas...]

[Nenhum resultado encontrado.]

O Sistema recuperou sua voz normal, soando surpenso: [Hospedeira, parece não ter qualquer relação com criaturas anômalas.]

Contudo, a própria Su Wanzhen funcionava como um radar de anomalias. Se ela sentia que algo estava errado, era quase certeza de que havia algo ali.

Essa era também a principal razão pela qual a Federação a havia promovido diretamente ao cargo de diretora regional.

— Diretora Su?

A voz de Yu Chenfeng veio de perto. Percebendo que havia se distraído, Su Wanzhen piscou os olhos, sem graça, e olhou para ele.

— Ah, me desculpe.

— Não foi nada — Yu Chenfeng piscou os olhos imitando o gesto dela. — Que tal aceitar um convite para ir à minha casa, Diretora Su?

O investigador no banco do carona virou-se, confuso: — Hã? O Professor Yu não estava perguntando a opinião da Diretora Su sobre o caso agora há pouco?

Quando Su Wanzhen olhou para Yu Chenfeng, ele ergueu a mão, apoiando a articulação do indicador na armação dos óculos, com um sorriso extremamente elegante e gentil.

Pelo menos ele tinha consciência de segurança, sabendo que as informações do caso não podiam ser discutidas abertamente.

Su Wanzhen assentiu em aprovação e recusou o convite que parecia ser puramente cortesia: — Não, obrigada.

Mientras ela respondia, o carro parou lentamente.

A luz quente atravessou o vidro da janela, iluminando Yu Chenfeng e clareando suas pupilas negras. Ele parecia um pouco desapontado, com a mão apoiada na maçaneta da porta, sem se mover por um instante.

O investigador na frente avisou: — Professor Yu, chegamos.

Yu Chenfeng abriu a porta do carro e acenou com a cabeça para Su Wanzhen: — Diretora Su, até a próxima.