Capítulo 17: Dupla indenização

Depois da Confissão do Vilão, Eu Ocupei Seu Trono Gu Linyu e a linguagem dos peixes 2470 palavras 2026-07-31 03:30:04

Página (1/3)

A dor, entorpecida pelo torpor, tornou-se insensível. Tanto o sangue quanto a consciência autônoma se esvaíam sem cessar. Yu Chenfeng sentiu que o haviam deitado sobre uma cama.

O que restava de sua consciência o impeliu a abrir os olhos e, sem surpresa, ele viu Su Wanzhen.

Ela continuava serena, mas agora parecia carregar consigo alguns traços de confusão.

Ele jamais imaginara que o reencontro após a exposição de sua identidade seria tão humilhante.

Tentou mover os lábios, querendo dizer alguma coisa, mas, nesse instante, Su Wanzhen inclinou-se de repente, encostando os lábios macios nos dele.

A mente de Yu Chenfeng, que ainda permanecia relativamente lúcida, parou instantaneamente, perdendo toda a capacidade de raciocínio.

Leviatã, os prédios desabando, a vida e a morte diante de seus olhos — tudo pareceu perder o sentido. Nenhuma palavra poderia descrever a confusão em que se encontrava. Era como se nada mais existisse, restando apenas o calor vindo de Su Wanzhen.

Uma corrente cálida passou dela para ele. Yu Chenfeng sentiu os ferimentos em seu corpo começarem a cicatrizar rapidamente; até mesmo o baço, rompido e danificado internamente, dava sinais sutis de recuperação.

Su Wanzhen logo se endireitou e afastou-se dele.

— Na verdade, além desse método, existe uma maneira ainda mais rápida. — Su Wanzhen atirou sobre ele a toalha molhada, indicando que limpasse o sangue do rosto. Raramente havia tanta malícia em seu tom: — Mas eu queria ver qual seria a sua reação.

— Criminoso de guerra de nível S da Federação, o “Perseguidor do Vento”.

O sangue voltou a fluir para o coração, sustentando-o para que voltasse a pulsar.

Yu Chenfeng fechou os olhos por um instante. Quando tornou a abri-los, suas emoções já haviam se acalmado. Com um leve sorriso, disse:

— Eu pensava que você não se lembraria de mim.

Ela nunca lançava um olhar sequer a quem quer que fosse.

Por isso, quando encontrou Su Wanzhen naquele lugar, não acreditou que ela o reconheceria. Além do mais, embora não tivesse mudado o rosto, ele... havia mudado muito.

— Você se subestima demais. — As palavras de Su Wanzhen continham um significado difícil de discernir. — Estou curiosa para saber como você acabou nessa situação.

Ela nunca lançava um olhar sequer a quem quer que fosse, tampouco sentia curiosidade ou apego pelo mundo dos homens.

Fossem humanos ou seres aberrantes, para ela eram apenas poeira espalhada pela rotação das estrelas, pelo vento que passava e pela chuva que caía — coisas sem importância.

Mas agora ela era “Su Wanzhen”. Tendo escolhido assumir uma identidade humana, também deveria se aproximar dos humanos.

Yu Chenfeng desviou o olhar e apertou os lábios.

Embora tivessem se encontrado poucas vezes, Su Wanzhen sabia o que aquela expressão significava. Interrompeu-o diretamente:

— É melhor não tentar mentir para mim.

O sistema se encolheu dentro da mente de Su Wanzhen, sem ousar emitir um único som.

Raramente a vira tão dominadora, sem ceder um só passo... e jamais a vira demonstrar tamanha curiosidade por um indivíduo específico.

Página (1/3)

Página (2/3)

Não. Para ser mais exato, aquilo deveria ser chamado de desejo de posse.

Embora quase imperceptível, o sistema de fato detectara no tom de Su Wanzhen um sentimento de invasão que ultrapassava os limites da interação social comum.

Surpreendentemente, Yu Chenfeng também não demonstrou a menor resistência às perguntas de Su Wanzhen:

— ...Isso depende da acusação que a Federação apresentou contra mim.

— Assassinato do mestre e traição dos amigos, massacre de civis. — Su Wanzhen recitou as acusações que constavam no cartaz de procurado. — Cúmplice dos seres aberrantes que devastaram a Federação, colocando-se completamente contra a humanidade.

Yu Chenfeng mergulhou em um breve silêncio. Seu semblante, que já não era dos melhores, pareceu ainda mais acinzentado.

Observando sua reação, Su Wanzhen arqueou uma sobrancelha:

— O que eles disseram é verdade?

— É verdade. — Yu Chenfeng fechou os olhos e soltou um suspiro. — Então pretende me levar de volta à Federação?

Ele ergueu as duas mãos, e as algemas prateadas tilintaram com o movimento.

— Se você decidir me levar de volta à Federação agora, realmente não terei capacidade alguma de resistir.

Ao dizer aquilo, havia uma nota de aspereza em sua voz.

Su Wanzhen fingiu não notar e perguntou, com interesse:

— Tenho uma pergunta um tanto pessoal.

A expressão de Yu Chenfeng vacilou por um instante. Ele ergueu as pálpebras e olhou para ela.

— Nós nos vimos apenas algumas vezes, e minha aparência agora é completamente diferente da de antes. Segundo a avaliação da Federação, não apresento mais nenhuma diferença em relação a um ser humano. — Su Wanzhen inclinou-se, aproximando-se dele com ar investigativo. — Como foi que me reconheceu?

Yu Chenfeng tentou se afastar, mas estava deitado na cama; mesmo recuando, só conseguiria bater contra a cabeceira. As pontas de suas orelhas ficaram levemente vermelhas.

— Su...

— Silêncio. — Su Wanzhen ergueu o indicador e pressionou-o suavemente contra os lábios dele. Com uma inocência encantadora, curvou os olhos em um sorriso. — É melhor pensar bem antes de responder. Sei distinguir a verdade da mentira.

Su Wanzhen afastou o dedo dos lábios dele e passou a pressioná-lo silenciosamente com o olhar.

O pomo de adão de Yu Chenfeng subiu e desceu. Uma ponta de impotência apareceu em seu semblante:

— Porque você é especial.

— Quem já teve contato com você provavelmente teria muita dificuldade para esquecer essa sua singularidade.

A resposta não satisfez Su Wanzhen, mas ela sabia que Yu Chenfeng havia dito a verdade. Ele não estava mentindo.

— Você quer voltar para a Federação?

Yu Chenfeng soltou uma risada breve:

— O que você acha?

De fato.

Página (2/3)

Página (3/3)

Su Wanzhen percebeu que fizera uma pergunta sem graça e, contrariada, fez um pequeno bico.

— Mas a Federação não o transferiu para cá apenas para administrar a segurança da Cidade de Bainan, não é? — Como o ambiente entre os dois se tornara pesado, Yu Chenfeng mudou deliberadamente de assunto.

Essa também fora a suposição inicial de Su Wanzhen.

Com o passar do tempo, porém, ela acabara por abandoná-la.

Apoiando-se no encosto da cadeira, ela se sentou de maneira relaxada:

— Hum, falando nisso, a primeira missão que a Federação me deu foi capturar um criminoso de guerra de nível S e levá-lo de volta à sede.

O sistema nunca soubera que sua hospedeira tinha o talento de inventar mentiras com a maior naturalidade, dizendo-as com tanta seriedade que, se não estivesse dentro da mente dela, provavelmente teria acreditado que aquilo era verdade.

Su Wanzhen fingiu estar em uma situação difícil:

— Diga-me, o que devo fazer com você, pro... fes... sor Yu?

Ela pronunciou as três palavras de propósito, enfatizando cada uma delas, mas elevou a entonação na última sílaba, deixando transparecer um toque de provocação brincalhona.

Embora aquele tratamento fosse ainda mais distante que os anteriores, entre seus lábios ele adquirira um significado diferente.

Os cílios de Yu Chenfeng estremeceram levemente:

— Você também não sabe por que a Federação a enviou para cá.

— Você parece bastante confiante na sua capacidade de ocultar seus rastros — disse Su Wanzhen. — Mas, de fato, você está certo.

— A Federação apenas me mandou administrar a Cidade de Bainan, sem me atribuir nenhuma missão específica.

A situação entre os dois era extremamente delicada. Yu Chenfeng era um criminoso de guerra da Federação, enquanto Su Wanzhen, do ponto de vista político, pertencia à Federação. Ainda assim, em vez de lutarem, os dois revelavam informações um ao outro.

A cena era estranha de qualquer ângulo.

— A Federação enviou apenas você? Não há outros agentes de vigilância?

Yu Chenfeng logo percebeu que havia algo errado. Assim que terminou de falar, lembrou-se de certo objeto:

— ...O anel de contenção.

No instante em que pronunciou aquelas palavras, o celular de Su Wanzhen, deixado sobre a cabeceira, tocou.

A interface era completamente diferente da habitual: uma moldura simples em azul e branco, um fundo negro e, na tela, o nome de quem ligava.

Jie Yunheng.

Página (3/3)