Capítulo 7: Vidas que não Devem se Perder
Página 1/3
Assim que Bai Ye abriu os olhos, viu Su Wanzhen sentada de rosto fechado ao lado da cama do hospital. Imediatamente fechou os olhos novamente, ajustou a respiração e fingiu estar dormindo.
— Se acordou, não finja mais — disse Su Wanzhen com indiferença.
Bai Ye mexeu os dedos, manteve os olhos fechados e continuou fingindo.
Su Wanzhen não falou nada, apenas a observava.
Por fim, Bai Ye não resistiu ao olhar interrogativo de Su Wanzhen, abriu os olhos com uma expressão de quem queria chorar, mas não podia.
— Como você está se sentindo? — perguntou Su Wanzhen.
Bai Ye ficou surpresa; não esperava que a primeira frase dela fosse uma demonstração de preocupação.
Pensando que essa pessoa não apenas a protegeu das mãos dos homens de preto, mas também a carregou até o hospital, Bai Ye se sentiu emocionada por um instante:
— Só estou com um pouco de dor. Sou meio medrosa e acabei desmaiando sem querer. Desculpe por ter dado trabalho.
— Não é incômodo — Su Wanzhen balançou a cabeça, apontando para a ficha médica pendurada ao lado da cama. — Depois lembre-se de pagar e pegar os remédios você mesma.
A emoção de Bai Ye ficou presa na garganta. Ela arregalou os olhos, sem saber se reclamava da frieza dela.
Se você diz que ela é fria, uma garota que te carregou até o hospital e te ajudou a fazer o cadastro e o tratamento; mas se diz que não é fria, a primeira coisa que você vê ao acordar é aquela ficha fria de pagamento no rosto.
Su Wanzhen piscou, sem entender a queixa nos olhos de Bai Ye:
— … Eu não trouxe celular nem carteira.
— … Ah — Bai Ye se repreendeu mentalmente por desconfiar da boa fé dela e forçou um sorriso. — Mesmo assim, obrigada por me trazer ao hospital.
— De nada — Su Wanzhen encerrou a formalidade. — Agora pode me contar tudo direitinho: qual é a situação exatamente?
— Qual é a sua relação com a vítima do caso de suicídio?
Bai Ye baixou o olhar, a voz ficou triste:
— A vítima se chama Song Mingxia, era minha grande amiga.
Mesmo Su Wanzhen, que não é muito sensível a emoções, percebeu a profunda tristeza na voz de Bai Ye.
— Meus pêsames.
Su Wanzhen não sabia muito bem como consolar e só conseguiu reunir essa frase depois de um tempo.
Felizmente, Bai Ye não se importou. Ela forçou um sorriso, encarou Su Wanzhen e falou com firmeza:
— Eu não acredito que Mingxia tenha se suicidado. Ela era uma pessoa tão alegre e despreocupada, como poderia se suicidar?
Página 2/3
De fato, não foi suicídio.
Su Wanzhen concordou com a opinião de Bai Ye em seu íntimo:
— Você sabe de algo?
— Não tenho certeza dos detalhes. Naquele dia eu estava na aula, quando de repente o corredor ficou agitado, disseram que alguém tinha se ferido.
No começo, Bai Ye pensou que alguém tivesse perdido o controle dos poderes e machucado um colega. Mas quando seguiu o fluxo de pessoas para fora do prédio, viu uma figura familiar caída no chão.
A cabeça estava apoiada no chão, a camisa azul e a saia branca estavam manchadas de sangue, como uma flor que ainda não desabrochou completamente e já caiu.
Sua mente ficou em branco; ela nem sabia como tinha chegado até a linha de segurança e não conseguia ouvir direito o que o investigador falava. Tudo ao redor parecia turvo; só via o azul manchado de sangue.
Hoje não é primeiro de abril.
Ela ficou confusa.
Mas por que o mundo faria uma brincadeira tão cruel com ela?
— Mingxia não poderia ter se suicidado. Ela era a melhor aluna do primeiro ano no curso de manipulação de símbolos, não tinha pressões financeiras ou emocionais, e anteontem ainda estávamos planejando uma viagem para as férias.
Enquanto falava, Bai Ye não conseguiu segurar o choro, lágrimas escorriam pelo rosto.
— … Como ela poderia se suicidar?
O investigador considerou sua versão e reexaminou os passos de Song Mingxia naquele dia. O resultado da autópsia e da análise das marcas indicou apenas uma conclusão: Song Mingxia cometeu suicídio.
— Eu acredito em você — disse Su Wanzhen de repente.
Os olhos de Bai Ye brilharam ao ouvir isso, mas ao olhar para Su Wanzhen, a luz virou resignação:
— Embora eu saiba que você é uma boa pessoa, só acreditar não vai resolver nada.
— Você é mais ou menos da minha idade, e se nem os investigadores conseguem descobrir, a gente que é comum ainda menos.
— Eu sou a atual diretora do Departamento de Controle de Riscos da cidade de Bai Nan — Su Wanzhen mostrou sua identificação, encarando-a nos olhos e dizendo com seriedade palavra por palavra: — Prometo que vou garantir justiça a todas as almas inocentes.
Apesar de parecer ter a mesma idade que Bai Ye, ou até um pouco mais jovem, cada palavra de Su Wanzhen soava como um martelo batendo, tocando o coração de Bai Ye.
— Obrigada.
Bai Ye piscou, as lágrimas que estavam nos cílios escorreram pelo rosto. Ela limpou as lágrimas de forma um pouco atrapalhada e disse a Su Wanzhen:
— Se quiser saber algo, tudo que eu souber, vou contar sem esconder.
Página 3/3
— Você me contou antes que alguém publicou um trabalho temporário esta semana, que consistia em assustar quem estivesse por perto das 22h até a 1h da manhã — Su Wanzhen perguntou. — Você investigou o ID da pessoa que anunciou esse trabalho?
Bai Ye admitiu:
— Eu investiguei às escondidas, mas não consegui descobrir nada.
Ela mordeu o lábio, mostrando um olhar preocupado:
— A pessoa usava um endereço IP virtual, e após a transação, a conta foi automaticamente excluída. Não dá para encontrar quem era.
Parece que essa pista não leva a lugar nenhum.
— Tem algum aluno ou professor na escola que tenha o poder de controlar o vento?
— O curso de manipulação do vento tem muitos alunos, mas… — Bai Ye pensou por um momento — nunca ouvi falar de alguém que controle o vento com tanta maestria.
Mas essa era pelo menos uma pista. Bai Ye tirou o celular do bolso e entrou no sistema da faculdade.
— Eu sou do conselho estudantil, embora só faça tarefas simples, porque registro os dados dos alunos, consigo acessar informações sobre os estudantes de cada curso.
Ela mostrou a tela para Su Wanzhen:
— Esses são os alunos do curso de manipulação do vento na faculdade. As informações dos professores não estão aqui, mas é fácil perguntar pela escola.
Su Wanzhen mandou o sistema registrar os dados:
— Antes desse incidente, sua amiga apresentou algum comportamento estranho?
Enquanto falava, Su Wanzhen observava atentamente a expressão de Bai Ye.
Bai Ye franziu o cenho, tentando se lembrar, e então soltou um “ah”:
— Tem uma coisa, mas não sei se conta.
— Pode falar — disse Su Wanzhen. Como não tinha celular, ativou o modo gravação no sistema.
Bai Ye recordou:
— No curso de manipulação de símbolos, há a opção de trabalhar em projetos individuais ou em grupo. Mingxia sempre escolheu projetos individuais, mas nas últimas duas semanas, passou a optar por trabalhos em grupo.
— Na Universidade Wanqing não há aulas noturnas obrigatórias. Antes, à noite, ela sempre ficava no dormitório comigo, mas nas últimas duas semanas, passou a passar o tempo da noite na sala de estudos, fazendo trabalho em grupo.
Uma pessoa que não gosta de atividades coletivas, mas que passou a participar voluntariamente de um trabalho em grupo, realmente é algo bastante estranho.