037: Um Visitante Indesejado

Jogo do Pesadelo: O Mundo Contra Mim, Caço Todas as Nações Máquina Número Três Extremamente Assustadora 2619 palavras 2026-03-04 19:31:45

No Mundo dos Pesadelos, qualquer criatura que ostente o nome de Caçador está sempre cercada por fenômenos sobrenaturais.

Embora cada Caçador possua uma identidade distinta e transmita impressões muito diferentes aos outros.

Por exemplo, o enforcado Liu Defu, o primeiro papel desempenhado por Ye Huan, era completamente diferente de An Zhihe, do conjunto Primavera e Rio. Em todos os aspectos, ambos pareciam pertencer a espécies distintas.

An Zhihe era muito mais próximo dos humanos.

Mas, por mais próximo que estivesse, sua essência continuava sendo a de um Caçador.

Isso ficava evidente pelo "Cardigã Manchado de Sangue", o equipamento exclusivo de An Zhihe.

Era também o símbolo de todos os Caçadores.

Já que os Caçadores do Mundo dos Pesadelos eram assim, seus equivalentes no mundo real não fugiam à regra.

A única diferença é que, no mundo real, o equipamento exclusivo do Caçador não impunha condições de execução.

Isso, de certa forma, enfraquecia os Caçadores.

Ainda assim, o “poder” revelado por Lu Qianqian era assustador.

Ye Huan havia escolhido aquela posição estrategicamente.

Por um lado, o local ficava na encosta da montanha, suficientemente afastado do ponto de partida e distante das outras quatro crianças.

Por outro, o terreno era complexo; caso algo desse errado, ele e Chen Yan poderiam fugir rapidamente, aproveitando o relevo como cobertura.

No entanto, ele jamais imaginara que Lu Qianqian fosse tão veloz.

Bastava fazer qualquer ruído e, salvo uma situação extrema, ela certamente os alcançaria.

Mesmo sendo uma Caçadora de nível C, ela já demonstrava ser formidável.

Ye Huan olhou para Chen Yan e disse:

— Quantos corpos como aquele ainda existem? Diga-me onde estão todos.

O rosto de Chen Yan estava pálido, resultado da cena provocada por Ye Huan ao manipular o cadáver.

Por mais esperto que fosse, era apenas uma criança; jamais presenciara algo tão brutal.

Mesmo Lu Qianqian, quando matava, o fazia com um só golpe.

Jamais recorreria a métodos como o de Ye Huan, que explodira o cadáver usando energia fúnebre.

Chen Yan respirou fundo algumas vezes antes de responder, sem disfarçar o desconforto:

— Como eu saberia? É só a segunda vez que venho aqui.

— Da última vez, só pensei em fugir, nem reparei.

— Mas... uns trezentos metros adiante há um bosque estranho. Ouvi gritos horríveis lá.

Ao dizer isso, seu rosto ficou ainda mais pálido.

— Talvez seja lá que aquela mulher insana se livra dos corpos.

Após confirmar a direção, Ye Huan decidiu partir.

Aquele jogo de esconde-esconde duraria cinco horas; à medida que o tempo passasse, o espaço de movimentação diminuiria.

Quanto mais cedo os fugitivos agissem, maior a vantagem conquistada.

Alguns minutos depois, Ye Huan chegou ao local indicado por Chen Yan.

De fato, tratava-se de um bosque singularmente estranho.

O parque à beira do lago estava há anos sem manutenção; tanto as construções quanto as árvores mostravam sinais de abandono.

Apesar disso, ainda havia a estrutura básica de um parque.

O solo do bosque à frente dos dois estava chamuscado, coberto por manchas negras de óleo e lama misturados.

Algumas árvores, queimadas pela metade, erguiam-se no local, conferindo ao ambiente um tom ainda mais sinistro.

Ye Huan deu alguns passos, nem sequer adentrara o bosque quando pisou em algo duro. Olhando para baixo, percebeu que havia um crânio humano carbonizado sob seus pés.

Ao redor do crânio, num raio de dezenas de metros, ossadas humanas estavam espalhadas.

Algumas pertenciam à mesma parte do corpo, o que indicava que havia mais de uma vítima.

Ye Huan agachou-se, pegou um fragmento ósseo meio branco, meio negro, e o levou ao nariz para cheirar.

Vendo isso, Chen Yan ficou lívido.

— Ye... Ye Huan, o que você está fazendo?

— Estimando o tempo de morte — respondeu Ye Huan, erguendo o fragmento e falando com indiferença.

— Esses corpos estão aqui faz tempo; não são das pessoas que você viu na última vez.

Ao ouvir isso, Chen Yan empalideceu ainda mais.

Quantas pessoas aquela mulher louca teria matado?

— Nem todos esses corpos foram assassinados.

Como se adivinhasse o pensamento de Chen Yan, Ye Huan revirou novamente a pilha de cadáveres e logo encontrou uma carteira calcinada.

Dentro, retirou um documento de identidade parcialmente destruído; o nome e o rosto do dono estavam ilegíveis.

Porém, o endereço ainda podia ser lido: Residencial Baía dos Elefantes Brancos, Bloco D, número 23.

A vítima era proprietária de um imóvel naquele condomínio.

E a morada situava-se em uma área que não fora atingida pelo grande incêndio.

Isso era, no mínimo, intrigante.

Antes de vir, Ye Huan pesquisara sobre o Residencial Baía dos Elefantes Brancos.

Após o incêndio que devastou metade da montanha, muitos relatos estranhos surgiram no condomínio.

Dizia-se que as almas dos mortos pelas chamas assombravam o local.

Mesmo sem fundamento teórico, os moradores foram deixando o bairro, um após o outro.

Mas o dono daquela carteira claramente não saiu de lá.

Isso indicava que os eventos posteriores ao incêndio não se resumiam à perturbação de almas penadas!

Por um instante, muitos pensamentos passaram pela cabeça de Ye Huan.

De súbito, ele se voltou para Chen Yan.

— Há quantos anos Lu Qianqian trabalha na sua escola?

Chen Yan hesitou e então balançou a cabeça.

— Não sei, mas desde que entrei na escola ela já estava lá.

— Ouvi dizer que essa dona Lu era professora, mas passou por alguma coisa na meia-idade que afetou sua mente.

— Depois, o marido a abandonou, e ela ficou assim.

— Por pena, a escola lhe deu o posto de faxineira.

Ao ouvir isso, Ye Huan franziu as sobrancelhas.

Um trauma psicológico? Seria Lu Qianqian também vítima daquele incêndio?

O nome Lu Qianqian soava delicado, mas seu rosto real era o oposto: uma face grotesca, quase toda queimada pelo fogo, marcada por uma expressão de sarcasmo frio que causava pesadelos em quem olhasse.

Tanto a aparência quanto o histórico do facão sugeriam uma mesma coisa para Ye Huan: as cicatrizes de Lu Qianqian vinham do incêndio.

E aquele incêndio fora resultado de sua tentativa de autoimolação.

Provavelmente, o fogo também devastara grande parte do Residencial Baía dos Elefantes Brancos.

As peças começavam a se encaixar. Enquanto Ye Huan refletia, Chen Yan puxou sua manga e cochichou:

— Ye Huan, alguém está vindo.

Ye Huan ficou surpreso.

Alguém aqui?

Ao olhar com atenção, reconheceu o visitante.

Era um estrangeiro, loiro, de olhos claros, com traços típicos de forasteiro.

Vestia um terno elegante, demonstrando treinamento e preparo.

O mais importante: ao ver Ye Huan, um sorriso misterioso surgiu-lhe nos lábios.

Logo, ele enfiou a mão no paletó e sacou uma arma.

— Cidadão do Reino do Dragão, a França lhe envia suas saudações.

Após dizer isso, o estrangeiro desativou a trava de segurança e posicionou o dedo no gatilho.