039: O Lago dos Mortos
Este atalho que levava ao centro do parque ganhou um novo nome na boca de Yan Chen — Lago dos Mortos.
Segundo ele, o nome vinha do fato de haver corpos demais ali.
Enquanto caminhavam naquela direção, Ye Huan perguntou, intrigado:
— Quando você escapou daqui da última vez, não chamou a polícia? Por que eles não encontraram nada?
Yan Chen balançou a cabeça, igualmente perplexo.
— Vi as viaturas entrando na área das mansões. Eles ficaram lá dentro por muito tempo, mas não deram qualquer satisfação.
— Além disso, eu descrevi para eles as vítimas do último jogo. Se comparassem com os desaparecidos, seria fácil identificar quem eram.
Ye Huan completou:
— Mas eles não descobriram nada.
— Exato — Yan Chen confirmou. — No começo, achei que os adultos estavam tão abalados que não queriam mais se envolver.
Na ocasião em que Yan Chen chamou a polícia, Ye Huan ainda não havia sido escolhido como caçador.
O país inteiro estava à beira da destruição e muitos já haviam perdido as esperanças.
Ye Huan manteve-se em silêncio até chegarem ao tal "Lago dos Mortos". Então, semicerrando os olhos, confirmou a suspeita que guardava.
— Parece que eles não ignoraram o caso. Por algum motivo, realmente não encontraram nada.
Diante deles, havia um lago raso no centro do parque.
O descaso de anos deixara os arredores do lago tomados por densas plantas aquáticas, e a água estava turva.
No lago, muitos corpos boiavam.
Alguns estavam semi-decompostos, quase só restando ossos. Outros pareciam carbonizados.
Poucos preservavam o corpo intacto, mas todos tinham no rosto uma expressão de terror, como se, antes de morrer, tivessem presenciado algo horrendo.
O número de mortos era impressionante; mesmo em estimativa conservadora, passava de dezenas.
E os tempos de morte variavam muito. Com tantos corpos, era de se esperar que alguém já tivesse descoberto aquele lago de cadáveres.
Nada disso era estranho. Se aquele local fora considerado, pelo Mundo dos Pesadelos, como "palco de uma missão real", tudo poderia acontecer.
Basta lembrar da transformação de Qian Qian e do cutelo que carregava.
Yan Chen empalideceu.
Deu alguns passos, então hesitou.
— Da última vez que passei por aqui, havia tantos corpos assim?
Ye Huan franziu a testa e sussurrou:
— Silêncio!
Ao falar, puxou Yan Chen e ambos se esconderam no matagal próximo.
Logo, uma figura corpulenta surgiu ao longe — era Qian Qian.
Ela trazia o cutelo numa mão e arrastava o corpo de um assassino com a outra, indo até a margem do lago.
Dizendo algo inaudível, ergueu o braço e atirou o cadáver para o centro das águas.
Feito isso, permaneceu parada, olhando fixamente numa direção do Lago dos Mortos por um bom tempo.
Por fim, saiu dali relutante.
Antes de ir, Ye Huan notou seus lábios se movendo, como se dissesse algo, mas a distância impedia de ouvir.
Diante dessa cena, uma dúvida profunda se instalou no coração de Ye Huan.
Seriam todos aqueles corpos obra de Qian Qian?
O Lago dos Mortos ficava no centro do parque, cercado de trilhas que levavam ao exterior. Era o pior lugar possível para se livrar de cadáveres.
E Qian Qian nem ao menos tentava esconder o que fazia.
O que ela pretendia? Por que escolher justamente aquele lugar?
A princípio, Ye Huan pensara que ela fosse uma assassina em série atacando apenas certos grupos.
Mas, conforme avançavam, tudo se tornava cada vez mais estranho.
Aquela missão do mundo real girava em torno do fogo.
O incêndio em Baía do Elefante Branco.
A autoimolação de Qian Qian.
E os corpos carbonizados no Lago dos Mortos.
Três acontecimentos distintos, mas provavelmente interligados.
Ye Huan sentia que havia ainda uma pista crucial a ser descoberta.
E tinha certeza de que ela era a chave para o mistério da Baía do Elefante Branco.
Com esse pensamento, Ye Huan caminhou silenciosamente até o ponto onde Qian Qian estivera momentos antes.
Vendo isso, Yan Chen se alarmou e sussurrou:
— Ei! Cuidado com aquela louca! Isso pode ser uma armadilha!
Ye Huan balançou a cabeça:
— Este lugar tem um significado especial para Qian Qian. Sem um evento fora do comum, ela não voltará aqui.
— Evento fora do comum?
— Alguém morrer.
Dito isso, Ye Huan avançou rapidamente.
Yan Chen, ao ouvir essas palavras, congelou por um instante e sentiu um calafrio.
Sem saber o motivo, a cena dos quatro capangas mortos lhe veio à mente.
Depois da morte do assassino, o único motivo para Qian Qian voltar seria se alguma criança morresse.
Tomado por ansiedade, Yan Chen apressou o passo para acompanhar Ye Huan. Segurou a manga do amigo e cochichou:
— Se continuarmos nos escondendo, não podemos colocar eles em perigo?
Ye Huan respondeu:
— Desde que sigam minhas instruções e fiquem escondidos, ninguém será encontrado.
Aqueles esconderijos haviam sido escolhidos a dedo por ele. Sem pistas sonoras, Qian Qian jamais os localizaria.
Mesmo assim, Yan Chen estava inquieto.
Conhecia bem a capacidade dos seus pequenos comparsas. Por mais que tivesse alertado repetidamente, ali, com o clima do lugar, nem adultos suportariam cinco horas sem cometer um deslize.
Era improvável que todos conseguissem ficar ocultos por tanto tempo.
Ye Huan percebeu a aflição do amigo.
Na verdade, ele mesmo não queria que as crianças fossem apanhadas, pois a sobrevivência delas definiria a nota da missão.
Somente se todas sobrevivessem, ele conseguiria o poder do Forno da Vida.
Ye Huan disse suavemente:
— Fique tranquilo. Antes disso, Qian Qian será distraída por outros sons.
Yan Chen, ao ouvir isso, lembrou-se do cadáver anterior e seus olhos brilharam.
Aqueles corpos funcionariam como alarmes, soando no momento certo para confundir Qian Qian e garantir a segurança dos demais.
Ao pensar nisso, Yan Chen olhou para Ye Huan, admirado:
— Então você já tinha planejado tudo.
Ye Huan lançou-lhe um olhar de lado:
— Fui pensando enquanto andava. Nem sabia que vocês, pestinhas, estariam neste lugar amaldiçoado.
Yan Chen ficou sem palavras.
Nesse momento, o som de algo caindo na água ecoou ao longe.
Ambos olharam na direção e ficaram chocados.
No centro do Lago dos Mortos, uma criança gordinha lutava para nadar.
Era um dos comparsas de Yan Chen.
O que ele fazia ali?
Antes que reagissem, o menino gritou para o céu:
— Socorro!