086: Catástrofe Devastadora

Jogo do Pesadelo: O Mundo Contra Mim, Caço Todas as Nações Máquina Número Três Extremamente Assustadora 2510 palavras 2026-03-04 19:33:15

No exato momento em que Ye Huan e seu companheiro corriam desesperados por suas vidas, na zona urbana do condado de Gao, Sato Masaki e os outros cinco estavam presos em um engarrafamento sufocante.

— Malditos sejam todos esses desgraçados, escolheram justamente agora para sair da cidade! — resmungou o motorista, um japonês, batendo no volante e xingando em voz baixa.

Sato Masaki ficou alguns instantes em silêncio, pensativa, antes de falar:

— Hoje não é feriado, esse congestionamento não é coincidência. A notícia sobre o terremoto em Gao certamente vazou.

O homem de nariz adunco riu com frieza:

— E daí se vazou? Por acaso esses carros conseguem correr mais rápido que as ondas sísmicas?

Sato Masaki balançou a cabeça.

— Diante da morte, cada pessoa faz de tudo para sobreviver, mesmo que a esperança seja mínima. Isso é instinto humano. Ainda mais, não acredito que esses civis saibam a verdade dos fatos.

Ela conhecia profundamente as práticas do governo japonês. O Mundo dos Pesadelos nem sequer exagerava; a realidade era ainda pior. Ao pensar nisso, soltou um longo suspiro.

Nesse instante, sentiu uma lufada de vento frio bater-lhe no rosto. O cheiro que vinha com o vento era diferente; seu semblante mudou de imediato, e ela ordenou:

— Abram as portas!

O motorista, surpreso, destravou as portas. Sato Masaki saiu do carro sem hesitar. Cruzou entre os veículos e foi até a borda da ponte.

Ao olhar para o horizonte, seu rosto escureceu visivelmente. Os companheiros logo se aproximaram. Um deles, olhando para o céu, exclamou espantado:

— Como pode haver duas linhas no horizonte?

— Idiota, a outra é uma onda do mar! — disse o homem de nariz adunco, pálido como um cadáver.

Muitos deles, exilados do Japão, já tinham vivido próximo ao litoral. Bastou uma olhada para calcular a altura e velocidade daquela onda. Assim, rapidamente compreenderam a gravidade da situação.

Aquela cidade estava prestes a ser atingida por um tsunami!

— Não é possível! Ainda faltam dezoito minutos para o terremoto mencionado no Mundo dos Pesadelos! — um japonês murmurou, incrédulo, fitando as ondas distantes.

— Por que está acontecendo isso? Por quê?

— Silêncio! — Sato Masaki gritou, depois continuou num tom grave: — Não podemos perder tempo aqui. Temos que sair da ponte agora!

— Não vai dar tempo — respondeu uma jovem atrás dela, balançando a cabeça. — O tsunami chegará à cidade em 153 segundos. Mesmo correndo, não conseguiremos nos afastar muito.

A jovem, chamada Kage Fuka, tinha dezenove anos e era considerada um prodígio raro em seu país.

Sato Masaki refletiu rapidamente e então ordenou:

— Todos peguem suas mochilas a jato. Vamos para o topo da montanha!

Enquanto falava, apontou para o sudeste, onde uma montanha se erguia, envolta por uma névoa branca no cume. Só os japoneses sabiam que aquilo não era neblina, mas fumaça vulcânica.

— Você enlouqueceu? Quer subir o monte Aso agora? — o homem de nariz adunco estava lívido. — Se as placas tectônicas se moverem, esse vulcão vai entrar em erupção. Não teremos para onde fugir!

— Temos muitos equipamentos de emergência — sugeriu ele —, melhor arriscar. Afinal, é só uma onda, não deve causar tantas mortes.

— Se quiser morrer, Fujiwara, não vou impedir. Mas não pode brincar com o destino do país inteiro — respondeu Sato Masaki, fria. — Viu o que aquele chinês quer fazer. Se perdermos, o Japão estará acabado. É isso o que você quer?

Na opinião dela, Fujiwara não tinha nenhum bom senso. As ondas pareciam “comuns” à distância, mas quando chegassem mais perto, perceberiam que eram tão rápidas quanto um trem-bala. E uma onda daquele tamanho destruiria até arranha-céus, quanto mais os equipamentos de emergência que eles trouxeram. Entrar neles seria como entrar em caixões.

Sem dar mais atenção ao colega, Sato Masaki colocou a mochila a jato nas costas e acionou o dispositivo. Assim que voou, os demais se entreolharam e também começaram a decolar. Kage Fuka, ao passar por Fujiwara, lançou-lhe um olhar frio e partiu sem dizer palavra.

Enquanto subiam aos trancos e barrancos rumo ao céu, os NPCs embaixo perceberam algo estranho, saíram dos carros e olharam para cima. Bandos de pássaros negros vinham do mar, tantos que cobriam o sol e engoliam o céu inteiro. Algumas gaivotas batiam contra os vidros dos prédios, caindo sobre as paredes e para-brisas, assustando ainda mais a multidão.

Logo em seguida, o alarme de desastre soou pela cidade como o uivo de mil fantasmas, anunciando o início da tragédia.

Aquela linha tênue no horizonte avançou a 750 quilômetros por hora. Em um piscar de olhos, já era uma muralha. E num outro instante, a muralha se transformou em um gigantesco mar de ondas.

Vinte e três metros de altura.

Muitos jamais haviam visto algo assim. Ficaram paralisados, mesmo com o instinto clamando por sobrevivência. As pernas, porém, pareciam pregadas ao chão.

Até que um grito de desespero rasgou o céu:

— Corram, agora!

No momento seguinte, a multidão negra se lançou como gaivotas em pânico, atropelando uns aos outros em busca de fuga. Incontáveis pessoas, cegas pelo pavor, despencaram da ponte e morreram esmagadas no chão. Outras tantas foram pisoteadas até a morte.

Gritos de mulheres e crianças misturavam-se ao chamado frenético por parentes. Em poucos minutos, o condado inteiro mergulhou em profundo desespero.

Logo, o céu de Gao escureceu.

Uma onda colossal destruiu o porto, atravessando os apartamentos costeiros com violência inigualável. Prédios comerciais e residenciais nas margens da via foram aniquilados em um instante. As pessoas, como formigas afogadas, desapareceram sem deixar vestígios.

Apesar de Sato Masaki e seus companheiros terem voado antes, foram apanhados por ventos súbitos e violentos. Um deles ainda teve o equipamento danificado, despencando ao pé do monte Aso.

Pouco depois, o Mundo dos Pesadelos anunciou friamente a morte do colega, que havia caído e morrido.

Essa era a crueldade daquele mapa: diante de catástrofes naturais, a força individual era insignificante.

Sato Masaki mal conseguiu estabilizar o corpo, enfrentando perigos a cada instante.

Contemplando a terra alagada abaixo, alguém murmurou:

— Ainda bem que tudo isso é falso.

Kage Fuka, porém, riu amargamente:

— Estás se alegrando cedo demais. Se perdermos para Ye Huan, o Japão real sofrerá algo bem pior do que isso.

Diante dessas palavras, o pesar voltou a tomar conta do grupo.

Desta vez, eles não podiam se dar ao luxo de perder.