086: Catástrofe Devastadora
No exato momento em que Ye Huan e seu companheiro corriam desesperados por suas vidas, na zona urbana do condado de Gao, Sato Masaki e os outros cinco estavam presos em um engarrafamento sufocante.
— Malditos sejam todos esses desgraçados, escolheram justamente agora para sair da cidade! — resmungou o motorista, um japonês, batendo no volante e xingando em voz baixa.
Sato Masaki ficou alguns instantes em silêncio, pensativa, antes de falar:
— Hoje não é feriado, esse congestionamento não é coincidência. A notícia sobre o terremoto em Gao certamente vazou.
O homem de nariz adunco riu com frieza:
— E daí se vazou? Por acaso esses carros conseguem correr mais rápido que as ondas sísmicas?
Sato Masaki balançou a cabeça.
— Diante da morte, cada pessoa faz de tudo para sobreviver, mesmo que a esperança seja mínima. Isso é instinto humano. Ainda mais, não acredito que esses civis saibam a verdade dos fatos.
Ela conhecia profundamente as práticas do governo japonês. O Mundo dos Pesadelos nem sequer exagerava; a realidade era ainda pior. Ao pensar nisso, soltou um longo suspiro.
Nesse instante, sentiu uma lufada de vento frio bater-lhe no rosto. O cheiro que vinha com o vento era diferente; seu semblante mudou de imediato, e ela ordenou:
— Abram as portas!
O motorista, surpreso, destravou as portas. Sato Masaki saiu do carro sem hesitar. Cruzou entre os veículos e foi até a borda da ponte.
Ao olhar para o horizonte, seu rosto escureceu visivelmente. Os companheiros logo se aproximaram. Um deles, olhando para o céu, exclamou espantado:
— Como pode haver duas linhas no horizonte?
— Idiota, a outra é uma onda do mar! — disse o homem de nariz adunco, pálido como um cadáver.
Muitos deles, exilados do Japão, já tinham vivido próximo ao litoral. Bastou uma olhada para calcular a altura e velocidade daquela onda. Assim, rapidamente compreenderam a gravidade da situação.
Aquela cidade estava prestes a ser atingida por um tsunami!
— Não é possível! Ainda faltam dezoito minutos para o terremoto mencionado no Mundo dos Pesadelos! — um japonês murmurou, incrédulo, fitando as ondas distantes.
— Por que está acontecendo isso? Por quê?
— Silêncio! — Sato Masaki gritou, depois continuou num tom grave: — Não podemos perder tempo aqui. Temos que sair da ponte agora!
— Não vai dar tempo — respondeu uma jovem atrás dela, balançando a cabeça. — O tsunami chegará à cidade em 153 segundos. Mesmo correndo, não conseguiremos nos afastar muito.
A jovem, chamada Kage Fuka, tinha dezenove anos e era considerada um prodígio raro em seu país.
Sato Masaki refletiu rapidamente e então ordenou:
— Todos peguem suas mochilas a jato. Vamos para o topo da montanha!
Enquanto falava, apontou para o sudeste, onde uma montanha se erguia, envolta por uma névoa branca no cume. Só os japoneses sabiam que aquilo não era neblina, mas fumaça vulcânica.
— Você enlouqueceu? Quer subir o monte Aso agora? — o homem de nariz adunco estava lívido. — Se as placas tectônicas se moverem, esse vulcão vai entrar em erupção. Não teremos para onde fugir!
— Temos muitos equipamentos de emergência — sugeriu ele —, melhor arriscar. Afinal, é só uma onda, não deve causar tantas mortes.
— Se quiser morrer, Fujiwara, não vou impedir. Mas não pode brincar com o destino do país inteiro — respondeu Sato Masaki, fria. — Viu o que aquele chinês quer fazer. Se perdermos, o Japão estará acabado. É isso o que você quer?
Na opinião dela, Fujiwara não tinha nenhum bom senso. As ondas pareciam “comuns” à distância, mas quando chegassem mais perto, perceberiam que eram tão rápidas quanto um trem-bala. E uma onda daquele tamanho destruiria até arranha-céus, quanto mais os equipamentos de emergência que eles trouxeram. Entrar neles seria como entrar em caixões.
Sem dar mais atenção ao colega, Sato Masaki colocou a mochila a jato nas costas e acionou o dispositivo. Assim que voou, os demais se entreolharam e também começaram a decolar. Kage Fuka, ao passar por Fujiwara, lançou-lhe um olhar frio e partiu sem dizer palavra.
Enquanto subiam aos trancos e barrancos rumo ao céu, os NPCs embaixo perceberam algo estranho, saíram dos carros e olharam para cima. Bandos de pássaros negros vinham do mar, tantos que cobriam o sol e engoliam o céu inteiro. Algumas gaivotas batiam contra os vidros dos prédios, caindo sobre as paredes e para-brisas, assustando ainda mais a multidão.
Logo em seguida, o alarme de desastre soou pela cidade como o uivo de mil fantasmas, anunciando o início da tragédia.
Aquela linha tênue no horizonte avançou a 750 quilômetros por hora. Em um piscar de olhos, já era uma muralha. E num outro instante, a muralha se transformou em um gigantesco mar de ondas.
Vinte e três metros de altura.
Muitos jamais haviam visto algo assim. Ficaram paralisados, mesmo com o instinto clamando por sobrevivência. As pernas, porém, pareciam pregadas ao chão.
Até que um grito de desespero rasgou o céu:
— Corram, agora!
No momento seguinte, a multidão negra se lançou como gaivotas em pânico, atropelando uns aos outros em busca de fuga. Incontáveis pessoas, cegas pelo pavor, despencaram da ponte e morreram esmagadas no chão. Outras tantas foram pisoteadas até a morte.
Gritos de mulheres e crianças misturavam-se ao chamado frenético por parentes. Em poucos minutos, o condado inteiro mergulhou em profundo desespero.
Logo, o céu de Gao escureceu.
Uma onda colossal destruiu o porto, atravessando os apartamentos costeiros com violência inigualável. Prédios comerciais e residenciais nas margens da via foram aniquilados em um instante. As pessoas, como formigas afogadas, desapareceram sem deixar vestígios.
Apesar de Sato Masaki e seus companheiros terem voado antes, foram apanhados por ventos súbitos e violentos. Um deles ainda teve o equipamento danificado, despencando ao pé do monte Aso.
Pouco depois, o Mundo dos Pesadelos anunciou friamente a morte do colega, que havia caído e morrido.
Essa era a crueldade daquele mapa: diante de catástrofes naturais, a força individual era insignificante.
Sato Masaki mal conseguiu estabilizar o corpo, enfrentando perigos a cada instante.
Contemplando a terra alagada abaixo, alguém murmurou:
— Ainda bem que tudo isso é falso.
Kage Fuka, porém, riu amargamente:
— Estás se alegrando cedo demais. Se perdermos para Ye Huan, o Japão real sofrerá algo bem pior do que isso.
Diante dessas palavras, o pesar voltou a tomar conta do grupo.
Desta vez, eles não podiam se dar ao luxo de perder.