074: A Declaração de Guerra de Ye Huan
Se fosse apenas para torturar alguém, a “Caixa de Tesouros Teatrais” seria, sem dúvida, o melhor instrumento. Infelizmente, Ye Huan, para ganhar tempo antes, a tinha jogado diante do Portal de Névoa. Esse artefato estava agora completamente destruído, impossível de ser usado novamente.
Ye Huan retirou a Adaga de Fundição de seu armazém pessoal. Segurou-a firmemente na mão e a encostou diretamente no pescoço de Jin Canjun, dizendo palavra por palavra:
— Responda minhas perguntas, ou cortarei seus dedos um a um antes de matá-lo. No dia seguinte, repetirei o processo, até sua mente se despedaçar completamente.
Ao ouvir isso, o rosto de Jin Canjun empalideceu rapidamente, mas logo replicou com frieza:
— O desejo da Caixa das Trevas falhou, minha vida já está em contagem regressiva. Você acha mesmo que ainda temo as suas ameaças?
Desta vez, Ye Huan não perdeu tempo com palavras. Simplesmente cravou a adaga no indicador esquerdo de Jin Canjun. Dizem que todos os dedos estão ligados ao coração; imediatamente, Jin Canjun soltou um grito lancinante de dor.
— Ah! Maldito do Reino do Dragão, se tem coragem, me mate de uma vez!
Ye Huan ignorou-o. Retirou a lâmina e a cravou novamente, pela segunda, terceira, quarta, quinta vez...
A cada golpe, Jin Canjun urrava ainda mais alto. Após cinco facadas, a mão esquerda dele já não tinha mais forma humana, tornando-se uma visão assustadora.
Todos os presentes ficaram arrepiados diante daquela cena. Mesmo sabendo que Jin Canjun estava condenado, ver alguém sendo tratado com tamanha crueldade provocou um calafrio na espinha.
Aquele homem do Reino do Dragão era realmente assustador.
Ye Huan percebeu que o outro não cederia facilmente, então segurou a mão direita de Jin Canjun. Quando estava prestes a continuar, ouviu a voz suplicante do adversário:
— E-e-espera! Eu falo! Pergunte o que quiser, eu conto tudo!
Diante disso, Ye Huan guardou a faca e repetiu calmamente sua pergunta:
— Como você ativou essa Caixa das Trevas?
— Quantos compatriotas meus você matou?
Jin Canjun, ouvindo essas perguntas, balançou a cabeça, apavorado:
— E-essa oferenda de sangue não foi feita por nós, do Reino do Kimchi, e sim pelo Reino da Flor de Cerejeira. Para garantir que você fosse eliminado em um só golpe, sacrificaram quinze mil pessoas.
— Todas... todas do Reino do Dragão.
Quinze mil.
Ao ouvir o número, Ye Huan respirou fundo. No instante seguinte, seu rosto assumiu uma expressão feroz. Ele falou, sílaba por sílaba:
— E vocês? Quantos dos meus mataram?
Desta vez, Jin Canjun não ousou responder. Sabia que, se dissesse o número, seria torturado até a morte pela fúria de Ye Huan.
Mesmo sem resposta, Ye Huan já intuía a verdade. Respirou fundo e concluiu:
— Vocês e o Reino da Flor de Cerejeira merecem a morte.
— Mataram meus compatriotas, destruirei a nação de vocês.
Essas palavras fizeram Jin Canjun esquecer o medo por um momento e cair na gargalhada:
— Eu ouvi direito? Destruir uma nação?
— Homem do Reino do Dragão, admito que você é misterioso e poderoso, mas querer enfrentar dois países e ainda sair vitorioso... isso é pura arrogância.
Ye Huan lançou-lhe um olhar gélido:
— Não importa se eu conseguir ou não, você já não estará aqui para ver.
Essas palavras atingiram Jin Canjun em cheio. Sua vida tinha menos de três minutos; mesmo que Ye Huan lhe poupasse, não haveria fuga possível.
Pensando nisso, ele deixou o medo de lado e zombou:
— Ter essa determinação não adianta.
— O Caçador só pode se defender em seu próprio território; mesmo vencendo, isso não traz benefício nenhum à sua pátria.
— Homem do Reino do Dragão, pare de se gabar. Você só pode se esconder feito uma tartaruga enquanto somos nós a atacar. Se ousar sair do seu país, será esmagado por todos.
As palavras de Jin Canjun arrancaram suspiros profundos dos compatriotas de Ye Huan. Era difícil negar: Jin Canjun estava certo.
Caçador e Fugitivo são experiências completamente diferentes. Um Caçador forte não é necessariamente um grande Fugitivo.
Ainda que Ye Huan fosse igualmente hábil como Fugitivo, o Reino do Dragão jamais arriscaria declarar guerra a outra nação. Se Ye Huan morresse, a perda seria irreparável. O país não podia apostar, tampouco perder.
Os Fugitivos do Reino do Dragão já tinham sido massacrados pelas outras nações; a nova geração sequer tinha direito de declarar guerra.
Por isso, o Reino do Dragão só podia assistir impotente enquanto era massacrado, sem poder revidar.
Enquanto todos mergulhavam no desânimo, uma risada fria de Ye Huan ecoou na transmissão ao vivo:
— É mesmo? Pois eu vou tentar.
— Reino da Flor de Cerejeira, Reino do Kimchi, vou exterminar vocês.
Na vida anterior, antes de Ye Huan ascender, esses dois países já haviam sido varridos do mapa. Não ter vingado seus compatriotas com as próprias mãos era um pesar que sempre carregara.
Agora, finalmente teria a chance de corrigir esse lamento.
Ele não se importava com as ameaças de Jin Canjun, pois seu Fugitivo também era excepcional.
Jin Canjun ia dizer algo, mas seu rosto mudou de repente. Um retângulo surgiu subitamente no cômodo: era a Caixa das Trevas.
Ao ver o objeto novamente, Ye Huan franziu a testa, mas não fez nada. Antes, ela o atacara por ter sido alvo de um desejo. Agora, com o desejo encerrado, não havia mais relação entre eles.
Aquela caixa não aparecera por causa dele, mas sim por causa de Jin Canjun.
Com um estampido, Jin Canjun recuou alguns passos, o rosto pálido, e suplicou a Ye Huan:
— Mate-me, agora! Sou o Fugitivo estrela do Reino do Kimchi, o segundo do mundo depois de Adão. Se me matar, ganhará enorme prestígio.
Ye Huan inclinou a cabeça e respondeu:
— Não me interessa.
Virou as costas e saiu do recinto.
Jin Canjun assistiu, desesperado, à partida de Ye Huan, e gritou com amargura:
— Homem do Reino do Dragão, não pense que acabou! Se eu morrer, outros países tentarão matá-lo também.
— O povo do Reino do Farol não vai deixar você em paz.
— Maldito do Reino do Dragão...
A maldição de Jin Canjun ficou pela metade. Não se sabia quando, mas a Caixa das Trevas já pairava acima de sua cabeça.
No instante seguinte, uma névoa amarelada escapou da caixa, condensando-se lentamente em um novo Portal de Névoa, de onde inúmeras mãos esquálidas e pálidas surgiram.
Essas mãos agarraram Jin Canjun e o içaram no ar.
— Não! Por favor, não!
Jin Canjun se debatia aterrorizado, mas era em vão. Seu corpo foi tragado pelo Portal de Névoa.
Poucos segundos depois, o portal se fechou silenciosamente, e a Caixa das Trevas repousou no chão, mergulhando em silêncio.
Os oito Fugitivos do Reino do Kimchi estavam, assim, completamente aniquilados.