088: Terremoto: X graus (parte dois)
Ye Huan não decidiu ir ao Monte Aso por impulso. Após ponderar em silêncio, ele percebeu que, com seu ritmo, seria impossível alcançar a região sul segura antes da chegada do tsunami. Em vez de ser arrastado pelas ondas, preferia subir até o ponto mais alto e tentar sobreviver ao pior. Afinal, aquela primeira onda era apenas o prelúdio; o verdadeiro desastre ainda estava por vir. E só o Monte Aso preenchia esses requisitos.
No momento em que Ye Huan refletia, o tsunami mais próximo já atingia a cidade. Sem hesitar, ele se virou e correu em direção à onda. Atrás, Chen Yan ficou lívido.
— Huan, você está indo na direção errada?
Ye Huan não o respondeu. A força do tsunami era colossal; mesmo que o mar fosse o elemento de Chen Yan, ele mal conseguia controlar a própria força. Por sorte, Ye Huan corria cada vez mais rápido, conseguindo avançar contra a correnteza.
Nesse instante, ambos pareciam surfistas, atravessando as cristas das ondas rumo ao topo. Quando Ye Huan alcançou o “cume”, sua velocidade atingiu o auge.
— Segure firme! — gritou Ye Huan, acelerando para a frente.
O rosto de Chen Yan estava pálido.
— Huan, não tem mais caminho adiante!
Num instante, eles atravessaram a onda e voaram pelo ar. O pico do tsunami chegava a vinte e três metros; ao invadir a cidade, perdeu um pouco de altura, mas Ye Huan ainda assim foi lançado a dezesseis ou dezessete metros do solo, o equivalente a um prédio de seis andares. Uma queda dessas seria fatal para qualquer pessoa normal, sem sequer tempo para abrir um paraquedas.
No momento em que Chen Yan achou que era seu fim, sentiu a velocidade diminuir de repente. Quando abriu os olhos, viu Ye Huan segurando um parapente, mergulhando em direção à montanha abaixo.
Ye Huan, que escolhera aquele mapa, sabia bem o que enfrentaria. Por isso, antes de partir, havia pedido a Zhang Yang que procurasse equipamentos de sobrevivência entre os fugitivos do Reino do Dragão. O parapente era um deles.
Aquela altitude era baixa demais para um parapente, então Ye Huan só pôde reduzir a velocidade da queda e procurar um ponto de aterrissagem relativamente “macio”.
Com um grande estrondo, os dois caíram direto numa fonte termal.
Era na base do Monte Aso, que, apesar de ser chamada de “base”, ainda estava bem acima da cidade. Assim que Ye Huan mergulhou na água, sentiu imediatamente o calor abrasador. Mesmo vestidos com roupas de borracha, estavam tão bem protegidos quanto possível, mas ainda assim franziram o cenho de dor.
Ye Huan arrastou Chen Yan até a margem, depois saiu da água fervente. Chen Yan, ao chegar, tirou a roupa de borracha, cuspiu algumas golfadas d’água e arfou profundamente, erguendo o polegar para Ye Huan.
O nível de susto de Chen Yan estava em apenas 22%, graças à sua extrema confiança em Ye Huan e à certeza de que nada lhe aconteceria. Qualquer outra pessoa teria um aumento de pelo menos 10% nesse índice.
Ye Huan, porém, olhava a fonte termal diante de si com expressão grave. Depois que subiram, a água quente começou a borbulhar. Ao mesmo tempo, um forte cheiro de enxofre, misturado a fumaça branca, escapou do solo. Era um sinal clássico de erupção iminente.
Consultando o relógio, Ye Huan viu que restavam apenas trinta e oito minutos do tempo inicialmente previsto de uma hora. O terremoto chegaria em oito minutos. Quando isso acontecesse, o vulcão certamente entraria em erupção.
Virando-se para o mar, viu a segunda onda do tsunami avançando sobre a cidade. Desta vez, a crista tinha cerca de dez metros — um poder visivelmente menor. Mas essa redução era grande demais, o que era estranho.
Chen Yan também percebeu algo errado pela reação da fonte termal. Surpreso, perguntou:
— Huan, quando o terremoto chegar, se voltarmos para o mar, estaremos a salvo?
Ye Huan lançou-lhe um olhar e indagou:
— Me diga, como se forma um tsunami?
Chen Yan, tentando recordar as palavras de Ye Huan, respondeu hesitante:
— Movimentos das placas tectônicas?
Ye Huan continuou, paciente:
— Movimentos das placas causam o quê?
Chen Yan coçou a cabeça.
— Terremotos?
Ye Huan apontou para a planície alagada abaixo:
— Então, aqui está prestes a acontecer um terremoto de magnitude dez. E você sugere que a gente volte para o mar?
Dessa vez, Chen Yan calou-se. Gaoxian era uma cidade costeira; o epicentro do terremoto era tão próximo do mar que certamente provocaria um tsunami. Se eles tentassem se esconder no mar, seriam esmagados pelas ondas sem deixar vestígio.
— Então o que faremos? — perguntou Chen Yan, curioso. — Afinal, é um terremoto raro, o maior prédio já foi destruído pelo tsunami, e o vulcão vai entrar em erupção a qualquer momento. Pela lógica, estamos sem saída, não é?
Ye Huan assentiu. Se fossem pessoas comuns, a situação seria absolutamente desesperadora. Mas eles eram fugitivos, especialistas em escapar da morte.
— Existe um magnata em Gaoxian chamado Takashi Ito. No casarão dele, há um abrigo subterrâneo.
— Esse abrigo é extremamente resistente, capaz de suportar bombardeios de alta potência. Tem suprimentos para dez pessoas viverem por três anos.
— Depois que o terremoto começar, poderemos nos abrigar lá.
Ao ouvir isso, Chen Yan hesitou, mas logo perguntou, preocupado:
— Mas um terremoto não é muito mais forte que uma bomba normal? E se ficarmos presos, como sairemos?
Ye Huan lançou-lhe outro olhar, desta vez sem responder, claramente sem paciência para tal pergunta.
O olhar de Ye Huan o fez estremecer. Pensando um pouco, Chen Yan entendeu. Eles ficariam naquele mundo por três dias, mas só permaneceriam uma hora a cada dia. Isso significava que seriam teleportados de um lugar para outro. Ou seja, só precisavam sobreviver. O resto ficaria a cargo do Mundo do Pesadelo.
Enquanto Chen Yan refletia, Ye Huan disse:
— Assim que a segunda onda recuar, partimos para o casarão.
Chen Yan se ofereceu:
— Huan, deixo comigo prever os perigos à frente.
— Você? — Ye Huan hesitou. — Você nem sequer ativou sua profissão, cuidado para não exaurir sua força mental.
Chen Yan balançou a cabeça, decidido:
— Não posso ser um peso morto para sempre! Sou um fugitivo!
Ye Huan o encarou por um longo momento, então assentiu.
— Está certo.
Chen Yan tinha razão. Apesar da pouca idade, ao entrar no Mundo do Pesadelo, tornara-se um fugitivo. E com isso, carregava em si o destino de sua nação, assumindo responsabilidades.
O tempo passou, minuto a minuto. Logo, meia hora se esvaiu. Restando meio minuto, a segunda onda do tsunami cessou completamente. O solo de Gaoxian tremeu violentamente.
Nesse instante, Chen Yan, que estava de olhos fechados, os abriu de súbito. Seu corpo inteiro estava coberto de suor, o rosto pálido, mas o olhar brilhava intensamente.
— Huan, achei um caminho!
Nesse momento, toda a cidade começou a estremecer.
Um terremoto de magnitude dez atingia Gaoxian!