041: Item de Classe B: Adaga do Forno
O lago dos mortos borbulhava intensamente no centro, fazendo surgir uma sequência ininterrupta de bolhas, tal qual água fervente. Diante daquela visão, Ye Huan recuou alguns passos sem demonstrar emoção. Enquanto se afastava, não se esqueceu de puxar consigo o pequeno Gordinho e Chen Yan.
O borbulhar se espalhava por cada vez mais pontos, afetando até mesmo os cadáveres que flutuavam na superfície. Em pouco tempo, formou-se um redemoinho no lago, aumentando de tamanho e engolindo toda a vegetação aquática e os corpos ao redor.
Chen Yan ficou estarrecido ao ver aquilo. Da última vez que estivera ali, jamais presenciara tal fenômeno, tampouco havia percebido qualquer pista sobre “dois caçadores”. Nesse momento, silhuetas indistintas surgiram novamente no céu: eram os outros três garotos do grupo de Chen Yan, também transportados até ali.
— Agora estamos em apuros — murmurou Chen Yan, com os lábios crispados. — Esse caçador claramente quer nos apanhar a todos de uma vez.
Ye Huan arrastou os três meninos para fora do lago e os deixou na margem, instruindo:
— Escondam-se bem aqui. Eu volto logo.
Assim que terminou de falar, lançou-se mais uma vez na direção das águas.
Ao mergulhar, algo estranho aconteceu. Ye Huan esperava que a água pútrida e fétida o envolvesse de imediato, mas, após o mergulho, esperou em vão por tal sensação. Quando abriu os olhos, percebeu que não estava sequer dentro do lago, mas sim num lugar completamente desconhecido, transportado ali sem saber como.
Encontrava-se sobre as cinzas de uma ruína enegrecida. Embora fizesse parte do parque, o local lhe era estranho. Antes de entrar no jogo, Ye Huan havia estudado cuidadosamente o terreno do parque, mas ao chegar ali, demorou a se recordar. Foi só ao ver, perto de seus pés, uma roda d’água parcialmente queimada, que tudo lhe veio à mente.
Aquele era o moinho do mapa, localizado no extremo nordeste do parque, numa área extremamente isolada.
Ye Huan fez um cálculo mental: devia estar a um ou dois quilômetros do lago dos mortos. Num piscar de olhos, fora transportado para tão longe.
Sua suspeita se confirmava: o segundo caçador oculto nas sombras era, em poder e categoria, amplamente superior a Lu Qianqian.
Caminhando com cautela pelos escombros, Ye Huan foi logo barrado por um altar. Feito inteiramente de nobre madeira de nanmu, o altar contrastava com o ambiente lúgubre ao redor, irradiando luxo e imponência. As portas do altar estavam fechadas, seladas por um antigo talismã colado na fresta.
Ye Huan examinou-o por um tempo. Subitamente, o talismã se desprendeu sozinho, e as portas se escancararam lentamente. Não havia imagem de Buda ali, mas sim o corpo carbonizado de um bebê. O pequeno cadáver, de olhos abertos, fitava Ye Huan com intensidade.
Qualquer pessoa comum teria fugido em desespero diante da cena, mas Ye Huan já estivera diante de horrores bem maiores. Em vez de fugir, compreendeu à primeira vista o que se passava.
— Qual é a tua relação com Lu Qianqian? — perguntou.
O bebê levantou as mãos e começou a gesticular rapidamente, usando uma linguagem de sinais bastante precisa, que Ye Huan reconheceu sem dificuldade, graças a conhecimentos prévios.
— Ela é minha mãe — respondeu o bebê em sinais.
— Por que está nos ajudando? — indagou Ye Huan.
— Eu ajudo minha mãe. Para me trazer de volta, ela já sacrificou demais.
À medida que lia os sinais, Ye Huan franziu o cenho, formando sulcos profundos na testa. Por mais que aquela presença fosse aterradora, ele esboçou um sorriso frio.
— Ela matou tantas pessoas... Você realmente acha que ela merece um final feliz?
O bebê não respondeu com palavras, mas continuou gesticulando:
— Só quero que mamãe pare. Ela já matou gente demais.
De repente, Ye Huan perguntou:
— O que você quer que eu faça?
Era evidente que tudo o que ele e Chen Yan haviam passado estava ligado ao bebê. Chamá-lo ali não era apenas para explicar o passado.
Como esperava, o bebê fez novos sinais:
— Mate-me.
— Matar você? — Ye Huan se surpreendeu.
O bebê então explicou:
— Minha mãe matou muitos, usando o sangue deles para alimentar meu corpo. Por isso, ainda estou “vivo”. Se você destruir este altar, o ritual será interrompido, e eu morrerei de vez. Depois de me matar, minha mãe ficará furiosa, perderá toda a razão, e o que você deve fazer é trazê-la até aqui e usar esta adaga...
O pequeno indicou algo sob si. Ye Huan notou, então, uma adaga reluzente sob o cadáver mirrado.
[Nome do Item: Adaga do Forno (Arma de Classe B)]
[Categoria: Item especial da missão real (pode ser levado para fora desta missão)]
[Comprimento: 55 cm]
[Peso: 1,235 kg]
[Efeito Exclusivo: O Forno abraça toda vida; independentemente do seu lado, pode usar esta arma!]
[Efeito Exclusivo 2: Ao causar dano letal a algum “ser vivo” com esta adaga, ele se tornará parte do Forno.]
[Descrição: Nos tempos antigos, o Forno era fonte de vida e poder, símbolo de conquista e força.]
[Hoje, poucos sabem da existência desse poder.]
[A mulher que te persegue obteve poder do Forno, e pagará um preço por isso.]
[Obviamente, tal advertência serve para qualquer um.]
Ao ler a descrição da adaga, Ye Huan ficou intrigado. Achava que a habilidade especial “Forno da Vida” era apenas uma recompensa da missão. Agora via que não fora coincidência.
Lu Qianqian, tentando ressuscitar o filho, usara o poder do Forno para fundir vidas e trazer de volta os mortos. Por isso o Mundo do Pesadelo criara essa tarefa. Por isso Ye Huan estava ali.
Se um dia dominasse aquele poder, será que se tornaria o alvo de alguém no Mundo do Pesadelo, caçado como um fugitivo?
A ideia parecia fantasiosa, mas para Ye Huan fazia sentido. No Mundo do Pesadelo, uma lei era suprema: risco e recompensa andam juntos. Quanto maior o poder, maior o risco. As habilidades dos fugitivos do País das Cerejeiras ilustravam bem isso.