046: Dois Garotos

Jogo do Pesadelo: O Mundo Contra Mim, Caço Todas as Nações Máquina Número Três Extremamente Assustadora 2574 palavras 2026-03-04 19:31:54

Mesmo assim, o pensamento de Ye Huan ainda girava em torno das últimas palavras daquela voz. Parecia que sua negociação com o Forno da Vida não era conduzida conforme sua própria vontade. Talvez, em algum momento futuro, ele seria obrigado a negociar com o Forno devido a alguma circunstância inevitável. Esse era o verdadeiro malefício do Forno da Vida.

Pensando nisso, Ye Huan lançou um olhar ao seu lado, onde estava Lu Qianqian. Ela já havia sido atingida duas vezes em pontos vitais pela adaga do Forno e se encontrava à beira da morte. Chen Yan, por sua vez, completara o golpe final com sua espada de madeira de pessegueiro. A maior parte do corpo de Lu Qianqian já se dissolvera em fumaça negra, sumindo completamente.

Chen Yan permanecia ao lado, curioso, alternando o olhar entre Ye Huan e a espada em sua mão. Ye Huan se aproximou, lançando uma breve olhada para a espada. Logo, as informações sobre ela se revelaram diante dele.

[Nome: Espada de Pessegueiro Contaminada (Classe D)]
[Categoria: Artefato especial do mundo real, não pode ser levado ao mundo dos Pesadelos.]
[Característica exclusiva: Esta espada de pessegueiro foi impregnada com o sangue de seu antigo dono, revertendo suas propriedades.]
[Ela já não causa dano a entidades malignas; pelo contrário, sua força agora atinge apenas pessoas comuns.]
[Ao atacar humanos com esta espada, o efeito letal será equivalente ao de atacar entidades malignas.]
[Descrição 1: Se o antigo dono ainda estivesse vivo, ver esta espada o deixaria angustiado; infelizmente, ele já não existe, nem mesmo seu corpo restou.]
[Descrição 2: Será que entidades malignas devem ser exterminadas, e humanos sempre protegidos?]
[Durabilidade: 84/150.]
[Este equipamento não pode ser reparado; quando a durabilidade chegar a zero, será destruído para sempre.]

Ye Huan desviou o olhar e, voltando-se para Chen Yan, perguntou:

— Como você voltou?

Chen Yan fez uma careta e respondeu:

— Huan, você me subestima. Não sou do tipo que abandona os amigos para sobreviver sozinho!

Ye Huan assentiu, sem nada acrescentar. Mesmo que Chen Yan não tivesse retornado, ele conseguiria derrotar Lu Qianqian, mas o outro, ao menos, o ajudara. Primeiro, Ye Huan rasgou um pedaço de sua roupa para estancar o sangue do ferimento no braço, depois perguntou:

— De onde você pegou essa espada de pessegueiro?

Chen Yan respondeu sem hesitar:

— No Lago dos Mortos.

— Quando segui vocês, vi que você lutava com aquela mulher louca. Achei que entrar de mãos vazias seria inútil, então peguei qualquer coisa da pilha de cadáveres ao lado.

Ao dizer isso, Chen Yan acariciou a espada em suas mãos, com evidente satisfação.

— Nunca imaginei que acabaria tirando a sorte grande.

Chen Yan riu com ingenuidade, mas logo voltou-se para o ferimento de Ye Huan, com semblante preocupado.

— Huan, você está bem? Quer que eu chame uma ambulância?

— Eu mesmo cuido disso — respondeu Ye Huan, com indiferença.

Era óbvio que assassinos enviados por outros países já estavam à espreita. O assassino que Lu Qianqian matara antes provavelmente havia se infiltrado há muito tempo no Dragão, por isso apareceu tão rapidamente sob o prédio de Ye Huan. Ir ao hospital poderia oferecer a esses assassinos uma oportunidade.

Agora que possuía o Forno da Vida, o mais importante era manter-se discreto e crescer. Além disso, já havia sofrido ferimentos muito piores antes; bastava comprar alguns remédios e cuidar sozinho.

Após fazer um curativo, Ye Huan deixou o bosque e voltou ao fundo do Lago dos Mortos. No lodo do fundo, havia muitos cadáveres dispersos — humanos, bovinos e ovinos, todos misturados. Antes mesmo de se aproximar, Ye Huan sentiu o cheiro forte e desagradável.

No meio das pilhas de corpos, de fato havia alguns artefatos brilhando. Entre eles, lápis de estudante, vara de professor, capacete de operário, além de algumas roupas ensanguentadas. Esses objetos, vindos de pessoas de diversas profissões, eram itens comuns até que seus donos morreram, e o rancor de suas mortes reagiu de maneira peculiar com a missão do mundo real.

Assim, surgiram esses artefatos especiais. Ye Huan os recolheu um a um, mas ficou decepcionado: a maioria era de classe F, incapazes de entrar no mundo dos Pesadelos e de utilidade mínima, nada comparável à espada de pessegueiro que Chen Yan encontrara.

Mesmo assim, Ye Huan sentia-se satisfeito. Afinal, para ele, eram apenas materiais para fusão, e o termo “missão do mundo real” acrescentava um valor mínimo garantido. Para o dono do Forno da Vida, era um negócio sem perdas.

Depois de guardar os artefatos, Ye Huan deixou o Lago dos Mortos. Ao retornar à superfície, percebeu que a Baía do Elefante Branco havia mudado. Antes, o lugar era sombrio, como uma imensa necrópole; agora, surgiam aromas de flores e canto de pássaros, trazendo uma sensação de paz natural.

Ye Huan caminhou lentamente montanha abaixo, e Chen Yan logo o alcançou.

— Huan! Huan! Espere por mim!

Ofegante, Chen Yan passou à frente de Ye Huan, e, após recuperar o fôlego, ergueu a cabeça com expressão determinada.

— Huan, aceite-me como seu discípulo. Dá para ver que você é um fugitivo muito habilidoso. Se eu aprender com você, também ficarei forte e poderei proteger o país.

Enquanto falava, Chen Yan exibia uma firmeza rara para sua idade, surpreendendo Ye Huan. Logo, Ye Huan sorriu, acariciou a cabeça de Chen Yan e disse:

— Você ainda é jovem, foque nos estudos. Quando nossa geração tiver dado tudo, será a vez de vocês.

Ao ouvir isso, Chen Yan protestou:

— Huan, sou muito melhor que qualquer pirralho. Por exemplo, se não fosse eu, você já estaria morto! Nem agradeceu ainda!

Ye Huan ficou em silêncio. Não era à toa que Chen Yan era um garoto travesso: bastavam duas frases para se exibir.

Ye Huan não disse mais nada, apenas deu um tapa na nuca do outro, decidido:

— Não insista.

Em seguida, passou por Chen Yan e seguiu adiante. Chen Yan, com expressão magoada, massageou a cabeça. De repente, teve uma ideia, ergueu a espada de pessegueiro e gritou:

— Huan, precisa disso? Te dou!

Ye Huan nem olhou para trás, apenas acenou:

— Não gosto de tomar o que é dos outros.

— Além disso, como arma de defesa, ela é excelente.

Enquanto falava, Ye Huan já se afastava. Chen Yan ficou parado, olhando o amigo desaparecer, pensativo. Apertou o punho, determinado: um dia, seria um fugitivo tão brilhante quanto Ye Huan, e então também protegeria sua pátria com ações.

Enquanto isso, Ye Huan retornou ao centro do parque. Logo parou, pois um menino estava distraído sentado na beirada de um canteiro de flores.

Ao perceber Ye Huan se aproximando, o menino saltou do canteiro e veio até ele, exibindo um sorriso sincero.

— Obrigado, fugitivo. Agora, finalmente poderei me reunir com minha mãe.