004: Eles estão divulgando a missão.
Na periferia da aldeia doente, dentro de uma casa há muito tempo abandonada.
John abriu os olhos abruptamente e percebeu que estava suspenso bem acima de um caixão. Uma corda fétida envolvia seu pescoço, seu corpo pairava no ar, ameaçando perder o equilíbrio a qualquer instante.
Uma sombra negra flutuava diante dele. Era Ye Huan.
Ao ver o rosto de Ye Huan, John soltou um grito agudo.
— Aaah!
John era um fugitivo de nível 7, habituado a cenas repugnantes e sanguinárias. Contudo, nenhuma delas lhe causara tamanho trauma psicológico quanto Ye Huan.
Ye Huan virou devagar a cabeça. Seus olhos eram vazios, apenas dois buracos escuros e ensanguentados, rodeados por nervos ópticos necrosados. Duas lágrimas de sangue escorriam por suas faces, fixando-se em John.
No fundo das órbitas, brotava lentamente um pequeno rebento de carne.
Caçadores possuem corpos com extraordinária capacidade de regeneração; ataques físicos comuns pouco os afetam. Por isso, Ye Huan podia substituir seus olhos pelos de todos os aldeões. Seus olhos regeneravam-se nesse estado.
O medo de John era porque sabia que o caçador à sua frente não era um espírito maligno, mas um humano, assim como ele.
Os olhos podiam se regenerar, mas a dor de arrancá-los nunca se atenuava. Cada vez era uma tortura capaz de enlouquecer qualquer um.
E esse insano repetira o processo mais de cem vezes.
— Você é homem ou fantasma? — perguntou John, aterrorizado.
Toda a sua arrogância anterior desaparecera.
Rebentos de carne surgiram nas órbitas de Ye Huan e, em pouco tempo, seus olhos cresceram novamente. Ele os esfregou, lançou um olhar frio para John e disse:
— Está com medo?
Antes que John pudesse responder, a corda em seu pescoço apertou de súbito, erguendo-o completamente no ar.
— Urgh...
Os olhos de John reviraram, ele lutava para agarrar a corda, contorcendo-se desesperadamente.
Ye Huan desviou o olhar, encarando o céu sombrio lá fora.
Restavam três minutos até que pudesse agir livremente.
Em sua vida anterior, Ye Huan tornou-se o caçador mais forte, mas isso já não tinha significado. O país do dragão estava devastado, seus compatriotas mortos em sua maioria.
Agora, tendo recebido uma oportunidade dos céus, ele não iria desperdiçá-la. Estava disposto a pagar qualquer preço.
No mundo real, após Ye Huan capturar John, o volume de comentários explodiu.
Os espectadores do país do dragão afastaram a sombra do desânimo e tornaram-se eufóricos.
— Ye Huan é mesmo um caçador novato? Ele é incrível!
— Arrancou os próprios olhos tantas vezes, é um verdadeiro homem. Só de assistir já me sinto desconfortável.
— Esse sujeito é o caçador em pessoa, a pressão dele é monstruosa.
— Sim, parece um caçador nato.
Ao contrário da animação do povo do dragão, os gauleses estavam desolados.
— Merda, de onde saiu esse monstro?
— Parece um pesadelo, o caçador do dragão nem apareceu e já perdemos alguém!
— Maldição, Adam nunca vai perder!
Se Ye Huan se tornara esperança para o povo do dragão, Adam era o mito dos gauleses; seu nome era sinônimo de vitória. Ele já proporcionara inúmeras conquistas à Gália, e desta vez não seria diferente.
No mundo dos pesadelos.
Adam agitava sua coqueteleira e logo preparou três taças de um coquetel azul cristalino. Ao terminar, seu rosto estava pálido.
[Nome do item: Coquetel de Coco Azul (item temporário de nível D+)]
[Composição: Rum branco, licor de laranja azul, um pouco de suco de coco, etc.]
[Efeito: Após ingerir, melhora a condição física em determinado grau, variando entre 25% e 35% conforme o físico do usuário.]
[Atenção: O coquetel não é uma poção de super-humano; pode fazer esquecer a dor, mas não a realidade.]
[Duração: 15 minutos.]
[Em cada jogo, só é permitido consumir uma dose de item de mesmo efeito.]
— Mona, beba isso e depois tente sentir novamente — disse Adam, colocando o coquetel diante dela. — Esse dragão certamente armou mais de um tipo de armadilha.
Mona assentiu, pegou a bebida e a engoliu de uma vez. Depois, descartou o copo e fechou os olhos lentamente. Ao mesmo tempo, uma marca negra em forma de olho apareceu em sua testa.
Mona era uma médium. Diferente de Adam, possuía apenas uma habilidade, mas essa a tornava essencial em sua equipe.
[Habilidade: Olho da Profecia Limitada (nível ?)]
[Profissão: Exclusiva para médiuns.]
[Requisito mínimo: Talento mental D+]
[Se o talento mental do lançador superar o do caçador, a habilidade é bem-sucedida.]
[Efeito: Ao ser bem-sucedida, permite captar informações-chave.]
[Informações específicas variam conforme o mapa e o tipo de caçador.]
[Descrição: Uma habilidade amaldiçoada, nem todos podem ser chamados de ‘profeta’.]
Ye Huan, interpretando o enforcado Liu Defu, tinha talento mental apenas de nível F-, por isso Mona conseguiu rapidamente o sucesso na habilidade.
A marca do olho em sua testa tornou-se mais profunda, e Mona ficou extremamente pálida. Sua expressão era um espetáculo: ora perplexa, ora assustada, ora chocada.
Ao abrir os olhos, Mona exibia um semblante de desespero.
— Não é humano, aquele dragão não é humano, não é humano!
Ela repetia essa frase, como se estivesse em pânico absoluto.
Ao ver isso, o jovem loiro ao lado correu com uma caixa de primeiros socorros.
— Mona, o que houve? Deixe-me examinar você.
O jovem chamava-se Johnson, médico do grupo de Adam.
— Não, não se aproxime!
Subitamente, Mona gritou:
— Fujam!
O quê?
Adam e Johnson ficaram atônitos.
Adam franziu o cenho.
— Mona, o que você viu?
Mona não respondeu. Virou-se e correu para a floresta fora da aldeia doente, local de sua chegada, o oposto da saída. Nenhum fugitivo escolheria aquele rumo.
Os dois se entreolharam; Johnson hesitou.
— Adam, Mona parece possuída.
Adam balançou a cabeça.
— Mona é a pessoa com maior talento mental entre nós; impossível estar tendo alucinações, a menos que tudo o que viu seja real.
Com poucas palavras, voltaram à questão inicial.
O que Mona viu?
Logo, o mistério seria revelado.
Swoosh!
Sons cortando o ar ecoaram atrás deles, vindos da direção da aldeia doente.
Adam girou abruptamente, testemunhando uma cena aterradora.
Os aldeões pendurados por Ye Huan nas árvores, quase mortos, caíam ao chão como se fossem bolinhos.
Ploc! Ploc! Ploc!
Sem olhos, tremendo, os aldeões levantaram-se e começaram a caminhar em direção a Adam e Johnson.
À frente estava um velho de cabelos brancos e rosto cadavérico.
Ele era o chefe da aldeia; em outros mapas, era o NPC mais acolhedor, querido pelos fugitivos. Agora, transformara-se num espectro malévolo.
Caminhando, tateava o caminho e falava com voz trêmula:
— Jovens, vindos de longe... salvem-me, salvem-nos!
Embora cegos, localizavam Adam e Johnson com precisão.
Adam estava lívido.
Esses aldeões deveriam ser o maior apoio dos fugitivos; agora, eram agentes da morte.
— Merda! Não olhem nos olhos deles! — Adam gritou, virando-se e correndo para o interior da aldeia.
Johnson, arrepiado, esqueceu Mona e correu atrás de Adam.
Os aldeões caídos caminhavam lentamente pelo vilarejo, repetindo a mesma frase:
— Salvem-me... eu sei o segredo de Liu Defu, posso ajudar vocês...
Johnson, assustado, perguntou:
— As feridas deles não foram causadas pelo dragão? Por que nos perseguem?
Adam respondeu entre dentes:
— Porque estão lançando missões. De certo modo, temos que cumprir as missões dos aldeões para avançar na história e escapar daqui.
— Essa maldita aldeia doente tornou-se o inferno dos fugitivos!